Importação de leite em pó: até quando produtor?

07-10

Como era esperado, o mercado de leite já começou o mês de outubro com queda nos valores pagos aos produtores. A informação talvez já estaria sendo aguardada por todos aqueles envolvidos na produção, porém o que não era de se esperar seria o considerável aumento no volume de importação de leite em pó, oriundo de países como Argentina e Uruguai, devido a acordo firmado pelo Mercosul, vindo a culminar em um cenário um tanto quanto contraditório: Reconstituição de leite em pó importado mesmo tendo uma grande oferta de leite in natura por nós produzido.

Recentemente uma Instrução Normativa (IN26) do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento autorizou as indústrias de laticínios da área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) a reconstituírem o leite em pó para a produção de leite longa vida (UHT) e leite processado (UAT). Tal Instrução Normativa contraria uma Portaria do mesmo MAPA de 1994 que proibia a mesma prática de reconstituição do leite em pó considerando-a danosa à produção nacional, ressalta Roberto Simões, Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG).

Com o grande volume importado e em valores muita das vezes abaixo do praticado no mercado interno, vemos uma imensa oferta do produto reconstituído, o que deixa o produtor vulnerável a valores pagos cada vez menores, pois sabemos que quanto maior a oferta de um produto menor será seu valor. Nessa situação, as grandes indústrias que possuem grande poder de compra do leite in natura, oferecem valores abaixo do esperado, resultando em queda nos valores pagos aos produtores.

A estratégia portanto das grandes indústrias de laticínios é oferecer o leite reconstituído utilizando o leite em pó importado que se encontra mais barato que o leite in natura comprado dos produtores brasileiros, sendo um grande agravante não haver um limite para o volume a ser importado dos países pertencentes ao Mercosul, podendo os valores pagos ao produtor brasileiro continuar em queda enquanto perdurarem os preços baixos do leite em pó no mercado externo.

Muitas mobilizações de cooperativas e grupos ligados a defesa do produtor estão sendo veiculadas em redes sociais. Tais mobilizações vem ganhado força, pois levam cada vez mais informação a aqueles antes esquecidos e por vezes sem representantes.

Observando o cenário nacional e em contato com produtores parceiros do Esteio Gestão Agropecuária, já podemos observar a queda nos valores recebidos, com queda média de R$ 0,30 por litro, se comparado a valores pagos no mês de setembro/2016.

Especialistas em cotação no preço do leite indicam que as futuras quedas dos valores pagos aos produtores poderão ser ainda maiores, citando R$ 0,40 ou mais por litro antes mesmo da safra que começa agora com o início do período chuvoso no Sudeste.

Os dados nos fazem refletir sobre os fatores que afetam a parte financeira da atividade leiteira. Portanto, o amigo produtor deve ter sempre o mais cuidadoso controle com as finanças da sua empresa rural. Todos os recebimentos e principalmente os gastos deverão estar sempre atualizados para um gerenciamento seguro, visando a lucrativa também em período de vacas magras, tendo sempre a gestão como grande aliada.

Autor:

Helder Alvarenga; Médico Veterinário pela Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde e Analista Técnico do Esteio Gestão Agropecuária.

Secagem das Vacas: Perda ou Ganho?
Pesquisa é sinônimo de eficiência

Comments

  1. Guilherme Maia / Casa dos Municípios
    agosto 9, 2017 - 5:44 pm

    Olá, Tudo bem Gostei muito do seu post e seu Blog, Parabéns pela iniciativa, gostaria de fazer uma parceria tem como?

Deixe uma resposta

Your email address will not be published / Required fields are marked *