Antibiograma, uma forma de economia?

As mastites são inflamações agudas ou crônicas das glândulas mamárias, sendo um dos assuntos mais polêmicos dentro dos rebanhos de bovinos leiteiros. Animais que possuem mastite quer seja de um ou de todos os tetos representam gastos dispendiosos e com poucas soluções a curto prazo, descobrir quais os motivos que provocaram a mastite e qual o agente etiológico responsável pode ser o “plano B” na hora de resolver este problema.

Dentre as mastites de maiores ocorrências nos rabanhos leiteiros, se apresentam predominantemente o grupo das bactérias, estas representam grande parcela dos casos de mastite bovina. Ajudar o leitor a entender como erradica-la do plantel e estratégias é o objetivo da nossa matéria de hoje…

COMPREENDA UM POUCO MAIS SOBRE A MASTITE…

De um modo geral as mastites (clínica/subclínica) podem se apresentar como Mastites Ambientais ou Contagiosas, podendo ter origens inflamatórias da glândula mamária ou por fatores traumáticos. Outras causas como a origem bacteriana se destacam, manifestando assim diversos agentes etiológicos. Todos estes reduzem a produção do leite e alteram suas características físico-químicas, impossibilitando que o produto final chegue ao fim da linha de produção na indústria com a qualidade desejada.

NOTA: Um quarto infectado no úbere pode reduzir a produção de leite de 10% a 12% na mesma lactação. Se a infecção ocorrer no período seco, a perda pode chegar a 40% no potencial do quarto na lactação seguinte.

PRÉ E PÓS-DIPPING, UMA FORMA INTELIGENTE DE SE PREVENIR MASTITES.

A antissepsia dos tetos ante-ordenha ou pré-dipping são processos de descontaminação da área externa do teto. Esta forma simples de utilizar soluções desinfetantes podem prevenir em até 90% dos fatores de contaminação dos tetos e do leite. Alguns estudos até demonstram que soluções de iodo a 2% e a 1% são muito eficientes como soluções pré-dipping, porém nestas mesmas concentrações de iodo o mesmo pode deixar resíduos no leite. Também não se deixe iludir pelo hipoclorito de sódio a 0,5%, onde o mesmo não se mostro tão efetivo. Já o campeão da vez foi as soluções de clorexidina a 0,5% apresentando-se muito efetivo contra microrganismos causadores de mastites contagiosas e ambientais. Caso utilize o cloreto de benzalcônio a 1% o mesmo se apresentou ativo apenas contra agentes gram positivos. Apesar do pré-dipping fazer parte da linha de frente nesta guerra, o processo do pós-dipping é imprescindível para se evitar mastite ambiental. O selamento dos tetos com produtos pós-dipping que possuem iodo glicerinado, além de selar pode prevenir ao redor dos tetos de uma contaminação posterior. Por este mesmo motivo o pré e pós-dipping, são aliados essenciais nesta luta contra as mastites.

NOTA: A desinfecção por meios químicos é a prática mais usual e efetiva em saúde animal. Atualmente há um grande número de produtos químicos à disposição no comércio para processos de desinfecção. Embora as marcas comerciais sejam as mais variadas, os princípios ativos são restritos, pelo mesmo motivo não se deve utilizar qualquer produto para desinfecção dos tetos e selamento dos mesmo. Utilizando assim somente produtos recomendados pelo seu Médico Veterinário de confiança.

Em resumo, o que fazer agora?

Dentro dos tipos de mastites apresentadas (ambiental/contagiosa) a mastite contagiosa é o tipo de mastite onde o principal agente causador se transmite do contato entre e com os animais, se destacando assim agentes como: Staphylococcus aureus, Streptococcus agalactiae, Corynebacterium bovis, Streptococcus dysgalactiae e Mycoplasma sp. Já a mastite ambiental caracteriza-se pelo fato do reservatório estar localizado no próprio ambiente das vacas leiteiras, sendo os patógenos primários mais freqüentes bactérias gram negativas como: Escherichia coli, Klebsiella sp., Enterobacter sp., Pseudomonas sp. e Proteus sp. (MARGATHO et al.,1998). De acordo com a forma de manifestação da infecção, as mastites podem ser caracterizadas como clínicas ou subclínicas, sendo esta a forma mais prevalente da doença e a causadora da maioria das perdas econômicas, que variam de 5 a 25% da produção leiteira. Aí a importância de se realizar um antibiograma ou os famosos testes de sensibilidade in vitro.

O principal objetivo destes testes diagnósticos microbiológicos ( ou testes de sensibilidade in vitro ) é oferecer resultados rápidos e seguros ao Médico Veterinário e produtor, para que os mesmos possam identificar problemas no rebanho e tomar decisões a respeito de casos que possam ser individuais, como no caso de infecções por Staphylococcus aureus, onde o tratamento ainda é ineficiente, possibilitando a opção de descarte do mesmo no rebanho. Contudo a relação custo benefício do antibiograma e sua aplicabilidade não é bem vista no comércio uma vez que mesmo com a disponibilidade de informações poucos são aqueles que se preocupam em prevenir uma contaminação futura, sofrendo portanto para tratar os efeitos conseguintes. Atualmente temos disponíveis uma gama considerável de laboratórios que viram nesse nicho de mercado uma participação importante para a qualidade do leite e saúde dos animais, onde prestam este tipo de serviço com coleta in loco na propriedade, dando maior segurança nos resultados de qual agente é o causador de mastite naquela propriedade em específico. Por isso mais uma vez controle é tudo. Apesar das práticas de antissepsia (pré-dipping) o pós dipping é muito importante também, selando os esfincteres dos tetos que ainda permanecem em aberto pós ordenha, lembrando que a utilização de produtos corretos determinam sucesso ao produtor. Apesar de tudo o antibiograma pode ser uma ferramenta auxiliar na escolha dos antibióticos que devem ser utilizados para o tratamento da mastite clínica durante a lactação, visto que podem se excluir alguns antibióticos em determinadas situações. Contudo práticas de prevenção continuam sendo baratas e eficientes dentro dos rebanhos leiteiros de hoje em diante. A Esteio Gestão acredita sim, que controle e prevenção é tudo!

 

Uma Revisão: Juliana Freire de Figueiredo – Técnica em Zootecnia – IFSEMG – Campus Rio Pomba e Graduanda em Medicina Veterinária pela FACISA/Univiçosa.

1.MASTITE EM VACAS LEITEIRAS- REVISÃO DE LITERATURA MASTITIS IN DAIRY COWS PERES NETO, Floriano Discente do curso de Medicina Veterinária da FAMED-Garça ZAPPA, Vanessa Docente do curso de Medicina Veterinária da FAMED-Garça.
2.SENSIBILIDADE DE MICRORGANISMOS PATOGÊNICOS ISOLADOS DE CASOS DE MASTITE CLÍNICA EM BOVINOS FRENTE A DIFERENTES TIPOS DE DESINFETANTES
S.C.B. Pedrini & L.F.F. Margatho / Arq. Inst. Biol., São Paulo, v.67, n.2, p.177-180, jul./dez., 2000
3.DIAGNÓSTICO MICROBIOLÓGICO DA MASTITE BOVINA – Maria Aparecida Vasconcelos Paiva e Brito Embrapa Gado de Leite – Pesquisadora
4.http://faef.revista.inf.br/imagens_arquivos/arquivos_destaque/5birfPwQOBxdHFp_2013-6-26-11-19-44.pdf
5.https://www.milkpoint.com.br/radar-tecnico/qualidade-do-leite/aplicabilidade-do-antibiograma-como-ferramenta-no-tratamento-de-mastite-31893n.aspx

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Comments

  1. Bacana.

  2. Muito interessante esse assunto. Vou ficar acompanhando.

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