Captação de água nas propriedades rurais

A água é um dos recursos de maior importância de nossas vidas, e para a atividade leiteira não poderia ser diferente. Sabe-se que na composição do leite cerca de 87% seja água, necessitando o gado leiteiro então de água em volume abundante e que esta seja de ótima qualidade.  O consumo de água por uma vaca pode variar entre 40 e 120 litros/dia, levando em conta seu tamanho corporal, sua produção, o clima, nutrição, ingestão de sal, a raça entre outros. O fornecimento e a disponibilidade de água de é portanto de extrema importância e se demonstra como um desafio na maioria das propriedades do Brasil. Isso requer inúmeros cuidados quanto às formas de captação, condução, armazenamento, tratamento e distribuição.

Mananciais

Os mananciais de abastecimento compreendem as águas superficiais (córregos, rios, lagoas, represas), as águas subterrâneas (minas, lençóis freáticos, lençóis artesianos e semiartesianos) e ainda as águas de chuva. Na escolha de um manancial, deve-se levar em consideração os aspectos qualitativos relacionados à condição de potabilidade de uma água, os quais se referem a: turbidez, cor, odor, sabor, pH, dureza total, sólidos totais dissolvidos, cloretos, ferro, manganês, nitrogênio, demanda bioquímica de oxigênio, coliformes totais/fecais e os aspectos quantitativos relacionados à disponibilidade de água ou de vazão durante todo o ano.

Aproveitamento das águas de nascentes

As nascentes são fontes naturais de água subterrânea, muito comuns nas áreas rurais. É importante fazer a captação dessa água em sistema fechado. Entretanto, em regiões montanhosas, em que a nascente é de difícil acesso, torna-se problemático fazer uma captação adequada. É comum, nesses casos, construir pequenos reservatórios a céu aberto, para acumulação da água e facilitar a condução desta até o local de consumo, por meio de mangueiras plásticas enterradas no terreno.

O aproveitamento de água de uma nascente pode ser feito de duas maneiras. Quando a nascente ou mina for do tipo encosta e dotada de vazão relativamente elevada, recomenda-se inserir uma tubulação de PVC no olho d’água, fazendo, assim, a captação diretamente do lençol freático. Outra maneira de captar uma nascente de encosta é construindo uma caixa nas proximidades desta.

Este tipo de captação de nascentes pode ser utilizado tanto nas encostas como nas partes baixas do terreno. Independente do local onde será feita a captação, devem ser adotadas algumas providências básicas para prevenção contra a contaminação da água, visando preservar a sua qualidade.

Aproveitamento de águas subterrâneas

A água subterrânea pode ser captada do lençol freático ou do lençol confinado. O lençol freático ou “livre” é aquele que repousa sobre a primeira camada impermeável do solo. Quando um lençol freático aflora à superfície do solo, dá origem às minas ou nascentes. Portanto, uma mina é resultante de um lençol subterrâneo e deve ser captada em sistema fechado, para preservar a sua qualidade original. Caso contrário, passará à condição de água superficial, que necessita de outros cuidados sanitários para o seu aproveitamento.

Outra maneira de se captar a água de um lençol freático é por meio de uma escavação manual do solo, com um diâmetro de cerca de um metro e a uma profundidade que varia geralmente de 5 a 15 metros. Essa escavação recebe a denominação técnica de poço raso ou poço freático raso, porém é conhecida popularmente em todo o país como cisterna ou cacimba.

Aproveitamento das águas superficiais

As águas superficiais são aquelas obtidas de mananciais de superfície, representadas pelos córregos, rios e pelas represas. O abastecimento de água para consumo humano e animal, no Brasil, utiliza com muita frequência esse tipo de manancial. Essas águas geralmente atendem com maior segurança ao critério quantitativo, quando se analisa a demanda e a oferta durante todo o ano. Isso quer dizer que, em geral, é mais fácil e mais econômico obter a quantidade necessária de água em uma fonte superficial que em uma fonte de água subterrânea.

Por outro lado, as fontes de água superficiais quase sempre oferecem maiores riscos de contaminação ao homem e aos animais, por estarem mais expostas aos principais poluentes e contaminantes existentes no ambiente. Nesse caso, a preservação do ambiente em torno dos mananciais e o seu monitoramento constante deve ser visto como uma das recomendações mais importantes.

Aproveitamento das águas de chuvas

Nos locais mais secos do país, especialmente em algumas regiões do Nordeste brasileiro, ou ainda no período da seca, devido à escassez de águas superficiais ou subterrâneas, é comum o aproveitamento das águas das chuvas para o consumo humano e animal. Para isso, utilizam-se todas as superfícies disponíveis para fazer o recolhimento das águas de chuva.

Essas águas são armazenadas em um depósito de alvenaria, tecnicamente  denominada cisterna. Assim, a cisterna exerce a função de armazenar água na época das chuvas, para ser utilizada na época da seca com o propósito de garantir, pelo menos, a água para que o gado possa beber.

A água é mais um quesito do manejo diário e do custo de produção das atividades  agropecuárias. Portanto, alternativas que implicam uma gestão correta dos recursos naturais, conhecimentos e tecnologias  da captação de água terão impactos ambientais e econômicos positivos.

Cuidados Adicionais

Ressaltamos a necessidade de coletas e análises periódicas da água fornecida para os animais, pois assim poderemos balizar situações de risco e contágio de inúmeras doenças através da água que os animais ingerem.

O pH da água ofertada para o animal também é importante, pois poderá ser um limitador do consumo de alimentos, não obtendo então então um ganho de peso esperado ou que da acentuada na produção de leite. Recomenda-se que o pH então gire em torno de 6,5 a 9.

Lembramos que a temperatura da água fornecida, principalmente para categorias mais jovens podem ser a causa do baixo consumo e desidratações, pois o ideal é que a temperatura seja em torno da temperatura ambiente (28°C). Baldes deixados ao tempo, em contato direto a incidência de luz solar pode fazer aumentar consideravelmente a temperatura da água, não sendo atrativa para os animais.

Legislações vigentes são incisivas a cobrar a obrigatoriedade de, no mínimo, 0,2 mg/L de cloro residual livre em toda a extensão do sistema de distribuição (reservatório e rede). Recomenda-se que o teor máximo de cloro residual livre em qualquer ponto do sistema de abastecimento seja de 2 mg/L. A função do cloro na água é unicamente eliminar a contaminação microbiológica. Portanto, se um residual mínimo de 0,2 mg/L pode ser detectado por análise no reservatório e em qualquer ponto da rede de distribuição, isso indica a eliminação de 99,99% da contaminação bacteriológica. Apenas reforçando, essa é a razão para a qual cloradores devem ser instalados antes do reservatório.

Como já enfatizado no início desse artigo, a água é um bem muito importante, e seu descarte após a utilização de procedimentos de higiene e desinfecção das instalações, sendo destinadas a processos seguros e que não agridam o meio ambiente.

Medidas simples podem ser a chave do sucesso em sua atividade amigo produtor, portanto fique atento ao pequenos detalhes na produção!

Caroline Freitas, Graduanda em Medicina Veterinária pela Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde.

Helder Alvarenga, Analista Técnico do Esteio Gestão Agropecuária, Médico Veterinário graduado pela Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde.

 

Fonte:http://www.cpt.com.br/cursos-bovinos-gadodeleite/artigos/como-captar-agua-para-uso-na-pecuaria-leiteira

http://www.agrolink.com.br/saudeanimal/noticia/cisternas–aprenda-a-fazer-bom-uso-da-agua-que-cai-do-ceu_362003.html

 

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Comments

  1. Adorei, parabéns pelo artigo! Vou acompanhar de perto esse site. Obrigada

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