5 passos para a produtividade do Milho

1 – Época de plantio
Importância:
O plantio de milho na época correta não interfere no custo de produção, mas pode afetar o rendimento e o lucro do agricultor.

Consequências:
A produtividade geralmente é mais alta quando as condições do clima permitem o plantio em setembro-outubro. Na região Sul, devido à ocorrência de chuvas praticamente o ano todo, a amplitude da época de plantio é muito maior, indo de agosto a dezembro, dependendo do sistema de exploração da propriedade, que geralmente envolve a sucessão de culturas. Depois da época de recomendação, há uma redução no ciclo da cultura e queda no rendimento por área. O atraso do plantio pode diminuir o rendimento em até 30 kg de milho por hectare/dia.

Recomendações
Para lavouras não irrigadas, a época de plantio deve ser escolhida de modo a coincidir a floração do milho e a fase de enchimento dos grãos com os períodos mais chuvosos. Essas são as fases da cultura mais exigentes em água. O milho irrigado pode ser plantado durante o ano todo, exceto no inverno das regiões em que ocorrem geadas. Há uma variação no seu ciclo, que é maior quando plantado nas épocas mais frias, o que pode afetar a época de plantio de culturas subsequentes. O atraso na época de plantio normalmente dificulta outras operações agrícolas, principalmente o controle de plantas daninhas e insetos-praga, além de provocar o aumento da altura das plantas. As doenças geralmente causam maiores danos nos plantios tardios, pois a infestação ocorre em plantas mais jovens. O Brasil já possui um zoneamento agrícola que fornece informações sobre as épocas de plantio de milho com menores riscos. Essas informações podem ser obtidas nas agências bancárias que trabalham com crédito rural, na Embrapa e nas instituições de assistência técnica pública e privada.

  •  verificar a época de plantio mais adequada à sua região e as condições de umidade do solo.
  •  planejar a época mais adequada de compra e recebimento das sementes.
  •  reservar local adequado para o armazenamento das sementes até o dia do plantio.

2-Sementes
Importância:

O rendimento da cultura do milho é resultado do potencial genético das sementes, das condições do local de plantio, e do manejo da lavoura. As sementes e o manejo são responsáveis por 50% do rendimento final.

Consequências:

A escolha da semente pode ser a razão do sucesso ou insucesso da lavoura. Existem no mercado mais de 200 tipos de milho e a escolha baseada no gosto pessoal, disponibilidade e preço pode não ser a melhor.

Recomendações
Os principais aspectos a serem considerados na escolha de uma cultivar são:

  • adaptação à região de cultivo
  • potencial produtivo
  • estabilidade de produção (cultivar estável é aquela que, ao longo dos anos e dentro de determinada área geográfica, tem menor oscilação de produção, respondendo à melhoria do ambiente – anos mais favoráveis – e sem grandes quedas de produção nos anos mais desfavoráveis).
  •  sistema de produção utilizado (de nada adianta usar uma semente de alto potencial produtivo e de maior custo se o manejo e as condições da lavoura não permitirem que a semente expresse o seu potencial genético.)
  •  Outras características a serem consideradas na escolha da cultivar são: ciclo, resistência às doenças mais comuns na região, sanidade de grãos, empalhamento, características do grão, resistência ao acamamento e ao quebramento, dobramento de espigas após a maturação, baixa inserção das espigas, excelente enraizamento, tolerância ao alumínio tóxico e maior eficiência no uso de nutrientes.

O agricultor deve levar em consideração todas as informações que conseguir junto às empresas produtoras de sementes, de assistência técnica e de pesquisa, de forma a ajustar a semente  escolhida ao seu sistema de produção, principalmente levando em consideração que todos os anos novas cultivares são lançadas no mercado.

  •  escolher uma cultivar adaptada à sua região e à finalidade da exploração (grãos, silagem, milho verde etc).
  •  verificar se essa cultivar é compatível, em termos de preço, com o seu sistema de produção.
  • escolher a cultivar em função do potencial produtivo e da estabilidade.
  •  verificar se a cultivar é resistente a doenças e possui boa sanidade de grãos.

3-Densidade e Espaçamento

Importância:
O plantio de uma lavoura deve ser muito bem planejado, pois é o inicio de um processo de cerca de 120 dias e que afetará todas as operações envolvidas, além de determinar o sucesso ou o insucesso da lavoura. É no plantio que se consegue uma boa ou má população de plantas (densidade).

Consequências
A densidade (número de plantas por área) é importante no rendimento de uma lavoura de milho. Pequenas variações na densidade, para mais ou para menos, têm grande influência no rendimento final.

Recomendações
O rendimento de uma lavoura eleva-se com o aumento da densidade de plantio, até atingir uma densidade ótima, que propicia o rendimento máximo. A partir daí, o aumento da densidade resultará em decréscimo na produtividade. A densidade ótima é, portanto, variável para cada situação, dependendo basicamente de três fatores:cultivar, disponibilidade de água e de nutrientes. Quaisquer alterações nesses fatores afetarão a densidade ótima.Dependendo da cultivar, a densidade recomendada pode variar de 40 a 70 mil plantas por hectare.Quando a disponibilidade hídrica é menor, como na safrinha ou em plantios tardios, a densidade de plantio deve ser menor do que nos plantios na época normal.

Espaçamento
No Brasil, o espaçamento entre linhas tem variado de 70 a 100 cm. Verifica-se uma tendência de se utilizar cada vez mais os espaçamentos reduzidos, pelas seguintes razões:

  •  aumento no rendimento de grãos devido à melhor distribuição das plantas na área – que melhora a eficiência na utilização da radiação solar, água e nutrientes;
  •  melhor controle de plantas daninhas, em função do fechamento mais rápido dos espaços entre as plantas, que diminui a entrada de luz;
  •  redução da erosão, pela cobertura antecipada da superfície do solo.

Ao reduzir o espaçamento, o agricultor deverá se assegurar de que não terá problemas na colheita, isto é, se dispõe de colheitadeira com plataforma capaz de colher o milho em espaçamentos menores.

  •  verificar a densidade e o espaçamento recomendados para a cultivar selecionada.
  •  observar o nível de fertilidade e a disponibilidade de água do solo para o estabelecimento da densidade mais adequada.
  •  regular a plantadora levando em consideração o tamanho e a forma da semente.
  •  regular a plantadora com antecedência, utilizando um percentual de 10 a 20 % a mais de sementes para compensar perdas devido a problemas na germinação e emergência de plântulas.
  •  regular a plantadora após o tratamento das sementes.
  •  usar a velocidade de plantio adequada.
  •  regular a plantadora no local de plantio.

4-Fertilidade dos Solos e Adubação

Importância
A baixa fertilidade dos solos e o uso inadequado de calcário e fertilizantes, principalmente nitrogênio, são fatores limitantes na produção de milho. A fertilidade dos solos pode ser melhorada através da calagem e da adubação equilibradas, com macro e micronutrientes, utilizando fertilizantes químicos e/ou orgânicos (estercos, compostos, adubação verde etc.).

Consequências
A melhoria da qualidade química dos solos é responsável por até 50% do aumento na produtividade de milho. O uso de fertilizantes e calcário deve ser feito de acordo com o resultado da análise do solo. A não realização da calagem diminui a eficiência de utilização dos fertilizantes. As agências bancárias possuem linhas de crédito com juros baixos e fixos para essa finalidade. Doses inadequadas ou a não realização da adubação de cobertura não fornecem o suprimento necessário de nitrogênio, na época em que a planta mais necessita, e reduzem o potencial de produção.

Recomendações
A análise do solo é o instrumento mais simples para orientar a recomendação das doses de calcário e fertilizantes a serem utilizadas, de acordo com as tabelas de recomendação existentes em cada estado. Para maiores informações sobre a interpretação de análise de solo e as recomendações de calagem e adubação, o agricultor deve recorrer às Recomendações para o uso de Corretivos e Fertilizantes, publicadas pelas Comissões Estaduais de Fertilidade do Solo, e aos profissionais da assistência técnica oficial e privada.

  • fazer a análise de solo e consultou o histórico de calagem e adubação da área de plantio.
  • verificar quais os nutrientes devem ser fornecidos na adubação.
  • definir as quantidades de nitrogênio,fósforo, potássio e zinco necessárias na semeadura, considerando o que foi determinado pela análise de solo e a quantidade removida pela cultura.
  • determinar a fonte (sulfato de amônio, ureia etc.) e a quantidade de nitrogênio e quando aplicá-lo (baseado na produtividade desejada e no histórico da área).
  • considerar quais os nutrientes podem ter problemas de perdas no solo.

5-Controle de Insetos-praga e Plantas Daninhas

5.1. Controle de insetos-praga
Importância econômica
As lagartas elasmo e rosca, percevejos castanho, barriga verde e preto, cupins e larvas de besouros como o bicho-bolo, larva-arame e larva-alfinete, são pragas iniciais na lavoura de milho e, em muitos casos, responsáveis pela redução da densidade de plantas. As pragas da parte aérea das plantas podem causar grandes perdas pela redução da área foliar (lagarta-do-cartucho e curuquerê-dos capinzais), quebra de colmos (broca-da-cana), danos na espiga (lagarta-da-espiga e lagarta-do-cartucho) e transmissão de patógenos causadores de doenças (cigarrinha-do-milho). No Brasil, essas pragas causam um prejuízo aproximado de um bilhão de reais por ano.

Consequências
O ataque de pragas resulta em danos à lavoura, pois elas alimentam-se das sementes após a semeadura, das raízes após a germinação e da parte aérea de plantas. O manejo inadequado dessas pragas tem causado desequilíbrio biológico, devido ao uso indiscriminado de inseticidas.
Os danos causados por essas pragas reduzem em 12% a produtividade média da lavoura. A lagarta-do-cartucho é a principal praga da cultura do milho, devido à sua alta incidência em todas as  regiões produtoras e em todas as épocas de plantio.

Recomendações
Para realizar o controle de pragas, deve-se observar o histórico da área de cultivo, tirar amostras do solo e das plantas, a fim de verificar a presença de insetos. Em seguida, deve-se identificar corretamente os insetos e, se necessário, fazer o tratamento de sementes e/ou realizar pulverizações conforme o tipo de praga. Dependendo do inseticida escolhido, o tratamento de sementes poderá ser realizado na própria fazenda, em centros de tratamentos de sementes ou em  revendas especializadas, com máquinas apropriadas e com pessoal treinado. No caso de pulverizações, deve-se dar preferência aos inseticidas específicos para a praga que se quer controlar, visando a preservação de seus inimigos naturais, como a tesourinha, por exemplo.

  •  levantar as informações sobre a ocorrência de pragas em cultivos anteriores.
  •  fazer a amostragem do solo para observar a presença de pragas subterrâneas.
  •  escolher o inseticida para o tratamento de sementes.
  •  acompanhar periodicamente a lavoura para observar a incidência de pragas da parte aérea da planta.
  •  verificar a presença de inimigos naturais das pragas.
  •  tomar a decisão sobre o controle de pragas, escolher o inseticida e o método de aplicação.
  •  regular o equipamento de aplicação
  • monitorar periodicamente a lavoura para verificar a necessidade de novas aplicações.

5.2 Controle de plantas daninhas
Importância
As plantas daninhas competem com a cultura do milho, nas primeiras semanas após a emergência, por água, luz e nutrientes, e podem hospedar e transmitir pragas e doenças, ocasionando perdas significativas na produção.

Consequências
As perdas médias estimadas devido à competição por plantas daninhas são de 13%, podendo chegar a até 90%, em alguns casos.

Recomendações
Manter a cultura limpa nas primeiras sete semanas. Vários métodos de controle de plantas daninhas são conhecidos: preventivo, cultural, mecânico e químico. O controle preventivo (evitar a produção de sementes de plantas daninhas) inibe a entrada de novas espécies na área de produção. O controle cultural utiliza práticas agrícolas (espaçamento, densidade, época de plantio etc.) que ajudam no manejo de plantas daninhas. O controle mecânico (capina) pode ser manual ou tracionado e deve ser realizado antes que as plantas daninhas iniciem a competição com o milho. Normalmente, realizam-se duas a três capinas durante os primeiros 40 a 50 dias. O controle químico, mediante a aplicação de herbicidas, apresenta resultados econômicos apenas em lavouras com rendimento superior a 65 sacas por hectare e deve ser acompanhado por um responsável técnico, seguindo a recomendação do fabricante (horário de aplicação e estádio
da cultura e planta daninha).

  •  verificar a presença de plantas daninhas.
  •  definir o sistema de plantio a ser utilizado.
  •  verificar se a área vem sendo utilizada com rotação de culturas.
  •  verificar se a área vem sendo plantada com culturas de sucessão verão/inverno.
  •  verificar se o controle químico de plantas daninhas vem sendo utilizado nos anos anteriores.
  •  escolher o herbicida de acordo com as características do solo, espécies de plantas daninhas e sistema de produção.
  •  verificar se os equipamentos utilizados no controle de plantas daninhas estão em perfeita condição de uso.
  •  verificar se o pulverizador foi calibrado adequadamente e se há entupimento de bicos e vazamentos no sistema.
  •  verificar se os equipamentos disponíveis na propriedade são suficientes para a realização do sistema de controle nas condições ideais (horário de aplicação e estádio da cultura e das plantas daninhas).

Fonte: Campanha nacional para o aumento da produtividade de milho- Embrapa

Importância da cloração de água nas propriedades rurais
O Brasil está autorizado a exportar leite e derivados para o Japão.

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