Por que se preocupar com a brucelose bovina?

Fonte: https://goo.gl/k4RDPa

A brucelose é uma doença infecciosa que afeta principalmente o rebanho bovino, e por se tratar de uma zoonose, também pode ser transmitida aos humanos, é distribuída mundialmente e é responsável por consideráveis perdas econômicas dentro do rebanho bovino. Dentre as mais variadas cepas encontradas, a de maior importância para o rebanho bovino é a  Brucella abortus.

Os bovinos podem se infectar por via via oral e a aerógena, uma enorme quantidade da B. abortus é eliminada durante o aborto e partos de animais infectados,  juntamente com a elevada resistência deste patógeno no meio ambiente, torna-se a principal via de contaminação. Outros hábitos, como os de cheirar e lamber o bezerro após o nascimento auxiliam na transmissão da bactéria. A transmissão através do coito é pequena, pois a vagina representa uma barreira que dificulta a infecção. Já a transmissão pela inseminação artificial é grande, pois o sêmen contaminado é depositado diretamente no útero da vaca, não havendo a barreira (vagina).

Quando a contaminação se dá por contato direto com fetos abortados, restos placentários e descarga uterina há a penetração da bactéria pela mucosa: nasofaringe, conjuntival ou genital e pele íntegra. Após esta penetração, o agente cai na corrente sanguínea sendo transportado para diversos tecidos e órgãos do corpo do animal, multiplicando-se.

No rebanho a doença é incurável, portanto quando o animal adquire a Brucelose, precisa ser abatido. Alguns dos principais sintomas da doença são: abortos consecutivos, nascimentos de bezerros fracos, retenção de placenta, corrimento vaginal, entre outros.  É comum haver infertilidade temporária ou permanente. Nos machos, pode causar orquite consequentemente, levando à infertilidade no animal devido à diminuição da qualidade espermática. Podem ser observadas lesões nas glândulas mamárias e lesões articulares bursite e artrite.

Durante a vacinação são necessários certos cuidados, para que o animal não se machuque, para isso é necessário fazer uma adequada imobilização, num tronco de contenção, por exemplo. Somente os veterinários treinados e cadastrados no serviço de Defesa Sanitária Animal, podem vacinar o rebanho, a vacina é aplicada somente em fêmeas de 3 a 8 meses de idade, por serem as principais transmissoras da Brucelose. A suspeita baseia-se nos sinais clínicos apresentados, mas para confirmação é feito diagnóstico bacteriológico ou sorológico, o método mais comum de diagnóstico para a brucelose são as provas de aglutinação de soro sanguíneo, podendo ser usadas para detectar anticorpos no leite, no soro e no plasma seminal, as provas de muco vaginal com aglutininas contra Brucella podem ser relevantes os materiais de eleição para a realização do diagnóstico bacteriológico são: membranas fetais, fetos abortados, leite, swabs vaginais e sêmen, estes matérias devem ser inoculados em meios de cultura que contenham antibióticos que não inibam o crescimento da Brucella sp.

Foto: Reprodução / TV TEM

Algumas práticas devem ser adotadas e obedecidas para viabilizar a proteção ideal do rebanho.
  • Primeiramente a vacina contra brucelose, deve ser administrada com a assistência de um Medico Veterinário cadastrado .
  • Ao adquirir as vacinas devemos conferir os frascos, cujos rótulos devem conter o número de partida, data de fabricação e prazo de validade.
  • Transportar e manter a vacina de acordo com as exigências laboratoriais do  fabricante.
  • Manter  a conservação da vacina em geladeira, a temperatura ideal, não pode congelar! 
  • Seringas e agulhas  devem ser esterilizadas.
  • Vias de administração e doses devem ser obedecidas conforme recomendação do laboratorial e do fabricante.
  • O frasco deve ser agitado todas as vezes que a seringa for reabastecida.
  • Não utilizar vacinas de frascos já abertos e com sobra de produto.
  • Abastecer a seringa, recoloque o frasco da vacina no selo e tampe a caixa de isopor.
  •  Vacinar cada grupo de dez animais, substituir a agulha por outra limpa e esterilizada.
  • Não vacinar nas horas muito quentes do dia e, após  vacinação, evitar movimentar os animais pelo menos durante uma ou duas horas.
  • Para facilitar o manejo, pode se utilizar mais de uma vacina na mesma ocasião.
  • Obedecer o prazo de carência estabelecido para as vacinasconforme laboratório fabricante.
  • O controle escrito da vacinação executada deve ser feito, os animais vacinados.
  • a data de vacinação, o número de partida, o laboratório e a validade da vacina.
  • A vacina contra brucelose é perigosa para quem a aplica e portanto, deve ser administrada com a assistência de um Medico Veterinário e com os devidos cuidados na sua manipulação.
  • Os frascos vazios devem ser incinerados, algumas vacinas merecem atenção especial, como as vacinas vivas, o antígeno vacinal vem liofilizado em frasco.
  • vacinador deverá com uma seringa e agulha, remover o diluente da ampola e injetá-lo no frasco contendo o antígeno liofilizado, homogeneizar bem com movimentos suaves então deverá encher a seringa de vacinação e aplicar a vacina, na dose de 2 ml, por via subcutânea.
  • O manuseio do produto deve ser criterioso, em virtude do risco de contaminação do vacinador

 A brucelose é uma zoonose , ou seja , passa dos animais para os seres humanos.

Gotículas de sangue, leite ou urina de animais contaminados já são suficientes para transmitir a bactéria da brucelose para o homem. Basta que ela encontre uma porta de entrada: alguma lesão ou mesmo uma mucosa: boca, nariz, olho. Em se tratando de saúde humana, até a vacina, obrigatória pro rebanho, vira um complicador. Existem duas: tanto B19 – mais comum no brasil – como a RB51 são produzidas com bactérias vivas, capazes de infectar o homem. Hoje em dia existe todo um protocolo de segurança para evitar acidentes. Somente Veterinários habilitados são autorizados a vacinar o rebanho. O problema é que, na prática, muita gente sem habilitação vacina, sem nem saber direito do risco que está correndo.

A doença é complexa porque pode ter várias manifestações clínicas, pode ir desde um quadro de fadiga, uma febre que aparece e desaparece, sudorese, perda de ânimo, peso, depois pode localizar, sistema nervoso central, articulações, coluna, acometimento pulmonar, aparecimento de ínguas.O tratamento é feito através de uma combinação de antibióticos e o tempo também é prolongado.

Pesquisadores do instituto Biológico de São Paulo – ligado à Secretaria de Agricultura do estado – é uma referência no estudo de brucelose conseguiram desenvolver um teste molecular que não só detecta a Brucella em uma amostra de urina, como identifica a espécie da bactéria. O Instituto Biológico tem a intenção de transferir para eles essa tecnologia de diagnóstico molecular com o Instituto Adolpho Lutz, ligado à Secretaria de Saúde, para que, no futuro, mais pessoas tenham acesso a esse exame.

Alerta contra queijos clandestinos

Uma pesquisa da veterinária Simone Miyashiro – diretora de triagem animal do instituto – analisou cento e noventa e dois queijos clandestinos de Minas e São Paulo. Trinta e sete estavam contaminados com Brucella. Sete deles com estirpes de campo e trinta com B19, ou seja, a bactéria usada na fabricação da vacina das bezerras segue no leite do animal com potencial para contaminar humanos: O centro de doenças de Atlanta nos Estados Unidos também anda emitindo alertas desse tipo: conseguiram comprovar que algumas pessoas se contaminaram ao ingerir leite cru de animal vacinado com RB51, a outra vacina disponível no mercado.

Apesar dos problemas para o ser humano, a pesquisadora reconhece que é importante continuar vacinando o rebanho. Para se prevenir deve-se evitar o consumo de leite cru e seus derivados, sempre usar equipamentos de proteção individual na lida com o gado, respeitar o tempo certo de maturação do produto para queijos artesanais produzidos com leite cru, afim de eliminar a bactéria.

Priscila Carvalho, Graduanda em Medicina Veterinária pela Faculdade de Ciências Biológicas e da Saúde.

Fonte:http://www.agricultura.gov.br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal

http://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2017/11/brucelose-e-causada-por-bacteria-e-atinge-mamiferos.html

 

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