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Desafios no confinamento de bovinos de corte

By Agro Sem comentários

Conheça os principais desafios enfrentados pelos pecuaristas dentro do confinamento de bovinos de corte

O confinamento, sistema de produção intensivo utilizado principalmente na fase de terminação ou engorda dos animais, possui alguns desafios que precisam ser gerenciados de perto pelo produtor, a fim de proporcionar melhores resultados tanto técnicos quanto econômicos.

Por demandar maior investimento em alimentação, estrutura e tecnologias, os custos são mais altos quando comparados com os sistemas semi-intensivo e a pasto. Contudo, o ganho de peso diário e a qualidade da carne produzida também é superior, o que agrega maior valor ao produto e consequentemente, maior lucro para o produtor.

Mas para conseguir esses resultados superiores é necessário gerenciar e controlar toda a produção, desde a alimentação até a escolha do comprador para realizar a venda dos animais.

Boi comendo no cocho

Principais desafios no confinamento:

  • Sanitário

Ter animais saudáveis deve ser o maior objetivo do produtor, pois se a sanidade for negligenciada poderá comprometer todo o desempenho dos animais, causando enormes prejuízos.

Algumas enfermidades estão relacionadas diretamente com o confinamento e causam grande impacto no desempenho, como:

-Doenças respiratórias: relacionadas com o estresse do transporte, baixa imunidade, superlotação, instalações com pouca ventilação, alta umidade relativa, mistura de animais de idades e lotes diferentes, etc.

-Acidose ruminal e laminite: estão relacionadas às mudanças na dieta e manejo nutricional.

-Clostridioses: pode acometer os animais em qualquer idade e em qualquer fase do ciclo produtivo, causando grandes prejuízos.

-Problemas de casco: as lesões no casco podem aparecer devido a traumas decorrentes de pisos escorregadios, excesso de lama, umidade ou superlotação.

Ter um bom programa sanitário com vacinações preventivas é o caminho para evitar essas doenças e garantir a saúde dos animais.

  • Mão – de- obra qualificada

No confinamento os animais precisam ser alimentados no cocho, serem bem manejados, terem acesso à água e ainda existem todas as outras funções de rotina que precisam ser feitas diariamente. Por isso é tão importante ter pessoas qualificadas, que entendem do trabalho e conhecem a importância de cada tarefa que deve ser executada. Colaboradores engajados são fundamentais para que o produtor atinja os seus objetivos.

  • Custo com alimentação

Os custos com alimentação se elevaram e a presença de um nutricionista para formular e acompanhar a dieta se tornou indispensável para quem pretende confinar seus animais. A alta de preços do milho e da soja, por exemplo, fez com que os produtores buscassem alimentos alternativos que pudessem ser incluídos na dieta para reduzir os custos, porém sem afetar o desempenho dos animais. Além disso, um bom manejo nutricional pode reduzir problemas metabólicos como acidose e aumentar a eficiência alimentar.

  • Clima:

Apesar das condições climáticas não estarem sob o controle do produtor, elas podem afetar muito os resultados dentro do confinamento. Calor excessivo, geadas, excesso de chuvas ou estiagem impactam negativamente no desempenho dos animais.

Enfim, para conseguir controlar estes desafios e ter bons resultados o produtor precisa ter todo o planejamento da atividade, fazer a gestão minuciosa dos custos e estar sempre atento às informações do mercado para conseguir as melhores oportunidades de compra de insumos e venda dos animais.

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Eduarda Viana

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Como a mastite afeta a composição do leite?

By Agro Sem comentários

Saiba como a mastite afeta a composição do leite e como isso impacta na qualidade do produtor e dos derivados lácteos

 

A mastite, inflamação da glândula mamária causada por microrganismos como bactérias, algas e leveduras, tem como característica o aumento da contagem de células somáticas do leite (CCS), que é um dos principais parâmetros de qualidade utilizado pelas indústrias.

As células somáticas são células de defesa do organismo, como os linfócitos, macrófagos e neutrófilos, além de células do próprio epitélio da glândula mamária. Nas vacas sadias o valor da CCS normalmente é abaixo de 200.000 células/ml de leite e quando há alguma inflamação esse valor aumenta, indicando a presença de mastite. Portanto, a CCS é um indicador de saúde da glândula mamária e varia de acordo com a prevalência de mastite no rebanho.

A CCS pode ser monitorada de duas formas: pela análise individual dos animais e pela CCS do tanque, que é utilizada pelas indústrias como parâmetro de qualidade e de acordo com a Instrução Normativa N° 76 de 26 de novembro de 2018 (MAPA), o valor máximo de CCS do tanque é de 500.000 células/ml.

O valor de CCS também está relacionado com a lucratividade do produtor. Além da redução da produção de leite, um alto valor de CCS também implica em perdas de bonificação no preço de leite pago pela maioria dos laticínios. Mas o prejuízo pela alta CCS não afeta somente o produtor, a indústria também é prejudicada, pois o aumento da CCS está associado com perdas no processo produtivo, alterações na composição do leite e defeitos de qualidade nos derivados lácteos.

Teste da caneca de fundo preto

Mastite x composição do leite

Além da redução da produção de leite, que é o principal prejuízo causado pela mastite, ela também é responsável por causar alterações na sua composição, pois há uma redução na síntese e na secreção dos componentes do leite dentro da glândula mamária. A proteína, a gordura e a lactose são os componentes mais afetados, assim como alguns minerais. Também ocorre um aumento na permeabilidade vascular, aumentando a passagem de elementos do sangue para o leite, como a albumina e a plasmina, sendo que a plasmina aumenta a proteólise das caseínas.

  • Proteína: a mastite causa redução do teor de proteína do leite e aumento das proteínas do soro. Isso acontece porque a síntese de caseína diminui nas células epiteliais, além de haver maior degradação da caseína pela plasmina. Já as proteínas do soro aumentam devido ao aumento da permeabilidade vascular, onde ocorre maior passagem de proteínas do sangue para o leite.
  • Lactose: o teor de lactose diminui quando há mastite por causa da capacidade reduzida de síntese nas células epiteliais, além de ocorrer maior passagem de lactose do leite para o sangue, aumentando as concentrações deste componente no sangue e na urina das vacas.
  • Gordura: a alteração no teor de gordura é variável, podendo ocorrer redução em alguns casos e em outros não. A redução pode ser explicada pela menor capacidade de síntese de gordura na glândula mamária, enquanto o aumento talvez aconteça devido ao efeito de concentração deste componente, já que há uma menor produção de leite durante a mastite. A divergência entre metodologias de estudo causa resultados variáveis, mas no geral, nota-se uma redução nos teores de gordura.
  • Concentração de minerais: a alteração na concentração de minerais aumenta a condutividade elétrica do leite. Os teores de Na e Cl, que são maiores no sangue, migram para o leite devido ao aumento na permeabilidade vascular, enquanto os teores de K migram do leite para o sangue.
  • pH: O pH do leite sofre alteração por causa da permeabilidade vascular, se tornando mais próximo do pH do sangue. Isso reflete diretamente no teste do alizarol, que acusa uma solução mais alcalina e se torna arroxeada.

É importante lembrar que essas alterações são variáveis e dependem do tipo de agente causador e da intensidade da inflamação na glândula mamária.

Mastite x derivados lácteos

O queijo é um dos derivados que mais sofrem impacto quando o leite possui alta CCS. Ocorre queda no rendimento, aumento de umidade, alteração na coagulação, defeitos de sabor e redução na qualidade. As alterações no pH e a presença de enzimas proteolíticas e lipolíticas no leite são as responsáveis por esses defeitos na fabricação dos queijos.

Já no leite UHT pode acontecer a geleificação e a sedimentação da caseína, além de alteração no sabor.

Portanto, o controle da mastite e da CCS vai além de apenas cumprir os valores que determina a legislação. A mastite causa prejuízos para os três principais elos da cadeia produtiva do leite: o produtor, a indústria e o consumidor. Dessa forma, temos que trabalhar para reduzir cada vez a mastite e a CCS do rebanho, melhorando a qualidade do leite e dos derivados lácteos.

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Estresse térmico x Reprodução

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Saiba por que o estresse térmico reduz o desempenho reprodutivo e os índices da propriedade

O estresse térmico é responsável por grandes perdas econômicas, afetando diretamente não somente a produção de leite, mas a reprodução das vacas, especialmente as de alta produção. O fato do Brasil ser um país tropical torna o período do verão bastante desafiador para os produtores de leite, pois algumas medidas precisam ser tomadas para evitar a queda brusca no desempenho dos animais e grande prejuízo econômico.

A zona termo neutra das vacas, isto é, a zona de conforto térmico, varia de 5 a 25C°. Qualquer valor acima desse limite já se caracteriza um quadro de estresse térmico e começa a ocorrer alterações no organismo da vaca, como um mecanismo de defesa contra o calor.

A primeira alteração é a queda no consumo de alimentos e do metabolismo basal, seguidos por aumento na frequência respiratória, aumento no consumo de água, apatia, queda na imunidade, piora na qualidade do leite e alterações hormonais.

A redução no consumo de alimentos impacta diretamente na produção, levando a uma queda rápida no volume produzido e quanto maior o estresse térmico, menor o consumo. Essa queda na produção é mais acentuada em vacas de alta produtividade, devido ao grande metabolismo em decorrência da lactação.

controle de Estresse térmico em vacas leiteiras

Como o calor afeta a reprodução?

Além das alterações já citadas, o estresse térmico também exerce influência sobre o comportamento dos animais. Nas horas mais quentes do dia as vacas passam mais tempo em pé em vez de ficarem deitadas, o que contribui ainda mais para a redução na produção de leite.

A fertilidade também é afetada e a duração do cio se reduz, passando de 14 horas para até 8 horas, se manifestando nas horas mais frescas do dia, geralmente durante a noite ou a madrugada.

Aliado a isso, outras modificações também acontecem, comprometendo algumas funções como:

  • Crescimento folicular;
  • Secreção hormonal;
  • Composição do fluido folicular;
  • Função do endométrio;
  • Fluxo sanguíneo para o útero;
  • Capacidade de desenvolvimento do oócito e do embrião.

O embrião é extremamente sensível ao estresse térmico, especialmente nos seus estágios iniciais de desenvolvimento, e quando isso acontece a prenhez fica comprometida. Um outro dano pode ocorrer com o folículo, que começa a se desenvolver meses antes da ovulação, e em momentos de calor o efeito negativo irá se manifestar lá na frente, podendo durar algumas semanas. Por este motivo que a fertilidade da vaca não se recupera rapidamente mesmo após o térmico do estresse calórico.

Algumas doenças uterinas podem aparecer com maior frequência, como a retenção de placenta, metrite e endometrite, dificultando ainda mais o desempenho reprodutivo após o parto.

Conhecendo todos os danos que o estresse calórico causa, fica claro a importância das práticas de resfriamento das vacas, não somente das vacas em lactação, mas do lote pré-parto também. Isso porque além de evitar as doenças, a produção de leite após o parto aumenta e o colostro tende a ter mais qualidade quando as vacas são resfriadas.

Portanto, o resfriamento vai muito além de impedir a queda na produção de leite, mas visa principalmente cuidar da saúde e do bem-estar das vacas, reduzindo o prejuízo que será sentido diretamente no bolso do produtor.

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Principais cuidados no bezerreiro

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Conheça alguns cuidados e manejos que são necessários durante o período que as bezerras estiverem no bezerreiro

 

A criação de bezerras é uma das fases mais importantes dentro de uma propriedade leiteira. Nesta fase ela irá passar por desafios que vão definir seu desempenho e, consequentemente, seu potencial produtivo no futuro. Em função disso, alguns cuidados e manejos são necessários durante o período que estes animais estiverem no bezerreiro.

Um desses cuidados diz respeito às instalações. No Brasil existem diversos tipos de bezerreiro, sendo os principais os de criação individual, podendo ser em casinhas, gaiolas ou baias suspensas; ou os de criação coletiva junto com outras bezerras, em galpões ou no sistema do tipo argentino.

A escolha do sistema de criação deve ser feita considerando as condições de cada propriedade, levando em conta os objetivos e as particularidades de cada uma delas.

Bezerra leiteira

Cuidados necessários

Após o nascimento, o colostro e a cura do umbigo devem ser realizados com atenção e cuidado. É via colostro que o animal receberá imunidade e nutrientes necessários nessas primeiras horas de vida, sendo recomendado fornecer o volume equivalente a 10% do peso da bezerra nas 6 primeiras horas após o parto e mais 5% em até 8 horas de vida. Já a cura do umbigo é feita para impedir que ocorra a entrada de microrganismos que possam causar alguma infecção, devendo ser feita com a imersão do umbigo dentro da solução de iodo 10%.

É importante manter os animais instalados de forma individual pelo menos nos primeiros 15 dias de vida, pois neste período a incidência de diarreia é maior, quando a bezerra está em um abrigo individual o colaborador consegue observar e intervir de forma mais rápida caso seja necessário. Além disso é importante para evitar a disseminação de doenças para as outras bezerras.

Outro ponto crucial dentro do bezerreiro é a ventilação. A troca de ar precisa acontecer para evitar umidade excessiva, eliminar odores e reduzir a transmissão de patógenos causadores de doenças, principalmente das doenças respiratórias. Assim, a orientação da construção do bezerreiro deve ser no sentido leste-oeste, a fim de receber o sol da manhã que auxilia na sanitização.

Os efeitos do estresse térmico, seja pelo frio ou pelo calor, é outro fator que prejudica o desempenho das bezerras e que deve ser levado em consideração no momento da escolha do bezerreiro na propriedade. A escolha de uma boa cama auxilia na manutenção da temperatura corporal, principalmente em lugares mais frios.

A limpeza e desinfecção das instalações devem ser feitas todos os dias, retirando as fezes e as partes úmidas e promovendo a troca da cama, quando houver. Existem no mercado produtos sanitizantes e detergentes que são muito utilizados para este tipo de limpeza, é importante ressaltar que não se deve utilizar máquinas de alta pressão, pois isso aumenta o risco de contaminação cruzada.

É importante que o produtor perceba e entenda a importância de alguns manejos e os aplique da melhor forma, dada a fragilidade das bezerras nesta fase e à expectativa de desempenho futuro quando elas se tornarem vacas.

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Carne carbono neutro: você sabe o que é?

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A carne carbono neutro é um marca-conceito desenvolvida pela Embrapa que possibilita a neutralização da emissão de CO2 no processo produtivo

Cresce cada vez mais a preocupação da população com a conservação ambiental e as mudanças climáticas decorrentes da emissão de gases provenientes das atividades humanas, dentre elas a pecuária. Aliado a isso, a demanda mundial por alimentos é crescente e o Brasil possui participação significativa na produção de carne, sendo o principal produtor de carne bovina do mundo.

A preocupação em ter uma pecuária mais sustentável pode ser explicada pelo ciclo de produção da carne. A maior parte da produção ocorre a pasto, necessitando de grandes áreas de pastagens que servem de alimento para os bovinos. Além disso, há a emissão de gás metano por meio da eructação, resultante do processo de fermentação e digestão que ocorre dentro do rúmen dos animais.

Pensando em uma forma de compensar a emissão de metano e evitar o desmatamento de áreas florestais, a Embrapa em parceria com outras instituições desenvolveu a marca-conceito Carne Carbono Neutro (CCN), com o objetivo de garantir aos consumidores que a carne produzida por meio deste sistema teria os gases neutralizados pela aplicação de algumas técnicas de manejo, além de contribuir para a preservação ambiental.

Selo Carne Carboo Neutro

Fonte: Embrapa

Como funciona o sistema da Carne Carbono Neutro?

Como descrito no manual 50 perguntas e 50 respostas sobre a Carne Carbono Neutro, elaborado pela Embrapa, a “marca-conceito visa atestar a carne bovina que apresenta seus volumes de emissão de gases de efeito estufa (GEE) neutralizados pela presença de árvores em sistemas de integração do tipo silvipastoril (pecuária-floresta, IPF) ou agrossilvipastoril (lavoura-pecuária-floresta, ILPF). Todo o processo é parametrizado e auditável.”

Em outras palavras, é feita a mensuração da emissão de metano utilizando índices pré-determinados ou calculados por meio de equações e a compensação desse valor pela fixação de carbono que ocorreu nas árvores.

Os valores utilizados na mensuração de metano podem ser provenientes de três referências:

1) O valor fixo do Nível 1 do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, 2006), para a América Latina: 56 kg de CH4/animal/ano;

2) O valor estimado usando o Nível 2 do IPCC, para bovinos castrados de porte médio, consumindo forragem com diferentes digestibilidades (55% a 65%): 70 kg de CH4/animal/ano

3) O valor médio anual usando a equação empírica da Rede Pecus de pesquisa (obtido também nos sistemas de ILPF da Embrapa Gado de Corte): 66 kg de CH4/animal/ano

Também é possível medir individualmente, porém o método utilizado é trabalhoso e de alto custo, sendo empregado apenas em pesquisas que necessitam de uma precisão maior.

Já a fixação de carbono pelas árvores pode ser quantificada utilizando o inventário florestal da propriedade, determinando o crescimento real das árvores e seu potencial em acumular carbono.

As propriedades certificadas como produtoras de Carne Carbono Neutro recebem um selo e o produto é reconhecido quanto à neutralização do metano que ocorreu no processo produtivo. Além da neutralização, o selo indica que os animais foram criados com conforto e bem-estar, utilizando técnicas adequadas de manejo das pastagens, contribuindo para agregar mais valor ao produto, principalmente para mercados mais exigentes como o europeu, por exemplo.

O produtor que se interessar por esse selo precisa adaptar e adequar a sua produção, cumprindo os requisitos abaixo:

  1. a) Compromisso de implantação de projeto de sistema de IPF/ILPF;
  2. b) Avaliação técnica da emissão de carbono;
  3. c) Cálculo do carbono fixado;
  4. d) Cálculo da neutralização das emissões;
  5. e) Garantia do estoque de carbono.

Isso mostra que é possível produzir carne de qualidade de modo sustentável, contribuindo para a preservação ambiental e maior bem-estar dos animais, tornando a carne carbono neutro um produto valorizado e reconhecido no mercado.

 

 

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Manejo adequado do Compost Barn

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O sucesso de sua utilização depende do manejo correto de toda a estrutura, que além de proporcionar conforto para os animais promove melhorias na qualidade do leite

O Compost Barn é um sistema de confinamento que vem sendo muito utilizado no Brasil por produtores que buscam aumentar a produção de leite por meio do maior conforto oferecido às vacas. O sucesso de sua utilização depende do manejo correto de toda a estrutura, que além de proporcionar conforto para os animais promove melhorias na qualidade do leite e nos índices reprodutivos.

A principal característica do Compost Barn é o material orgânico distribuído sobre o piso, que é utilizado como cama para as vacas, conferindo maior conforto a estes animais. Neste sistema os animais são alojados em galpões cobertos, podendo circular livremente exercitando seus instintos sociais com o grupo. A cama é composta por materiais ricos em carbono, que em contato com os dejetos iniciam o processo de compostagem.

Cama

A cama precisa ser macia e estar sempre seca, pois é o local onde os animais se deitam e caminham. Então, o primeiro passo para se obter bons resultados no Compost é a escolha do material da cama, que pode ser maravalha, casca de amendoim, casca de café, palhada de soja ou trigo etc. Isso vai depender da disponibilidade desses materiais na região onde se encontra a propriedade rural, visto que a aquisição precisa ser de fácil acesso, além de economicamente viável.

Para que ocorra a compostagem é necessário introduzir oxigênio na cama, revolvendo todo o material pelo menos duas vezes ao dia com o uso de um escarificador ou enxada rotativa acoplados a um trator. Isso vai reduzir a umidade da cama, contribuindo para que as vacas fiquem mais limpas.

Vacas em Compost Barn

Ventilação

Um outro ponto crítico no manejo do Compost Barn é a ventilação constante. Um erro muito comum é pensar que os ventiladores servem apenas para melhorar o conforto térmico dos animais, porém eles são fundamentais para manter a cama seca a ajudar na compostagem.

Muitos produtores ligam os ventiladores somente nos dias mais quentes para economizar energia, o que é um erro grave, pois a falta de ventilação constante aumenta a umidade da cama, favorecendo a adesão dos resíduos nos tetos e predispondo a ocorrência de casos de mastite. Além disso, a alta umidade contribui para que a compostagem não ocorra de maneira correta, exigindo que a troca da cama seja feita antes do tempo previsto, aumentando os custos do produtor.

Lotação

O número de animais dentro do galpão é outro ponto que deve ser observado. Recomenda-se que haja uma área de 12 m²/ vaca, pensando no conforto dos animais e na umidade da cama. A superlotação dos galpões deixa a cama mais úmida e os animais mais sujos, dificultando o manejo e reduzindo o conforto das vacas, que terão menos espaço para circular e descansar. Sendo assim, ao optar por este sistema o produtor e o técnico devem estar atentos às dimensões necessárias do galpão.

Como qualquer sistema de produção, o Compost Barn apresenta excelentes resultados quando bem manejado, acarretando aumento da produção de leite, maior saúde da glândula mamária e maior conforto dos animais.

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Dicas para produzir uma boa silagem

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Uma boa silagem é capaz de reduzir os custos e aumentar a produção de leite, melhorando a renda do produtor e o desempenho dos animais.

A produção de silagem é uma das formas de garantir alimento para os animais e reduzir custos com a compra de volumosos. Devido à sazonalidade de produção das forrageiras, a silagem é muito utilizada pelos pecuaristas, principalmente pelos produtores de leite, mas requer alguns cuidados durante o processo de produção para que a qualidade se mantenha e os níveis de perda sejam mínimos.

Uma silagem mal feita acarreta perdas na produção de leite, queda no desempenho, aumento do custo de produção e até problemas de saúde para os animais. Por isso é importante ter atenção durante todo o processo de produção de silagem, desde o preparo do solo até a abertura do silo, gerenciando cada etapa para garantir o máximo de qualidade. O fornecimento de volumoso com alto valor nutritivo reduz a necessidade do uso de concentrados, reduzindo assim o custo com a alimentação dos animais, que pode chegar a ser até 70% do custo de produção da atividade.

Silo

Como produzir uma boa silagem?

O sucesso na produção de silagem começa bem antes do plantio, com um bom planejamento da quantidade de silagem que será necessária, quantos animais serão alimentados, qual o tamanho da área a ser plantada, qual híbrido será utilizado e qual será a estimativa dos custos com insumos e serviços.

Confira algumas dicas para você não errar na produção de silagem:

  • Cuide do preparo do solo. Com a análise de solo em mãos, faça as adubações recomendadas para que a planta receba os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento e controle as plantas invasoras e pragas que surgirem.
  • O momento da colheita é muito importante. Se atente com o teor de matéria seca, a altura de corte, tamanho de partícula, quebra de grãos e descarregamento no silo. A regulagem das máquinas é de extrema importância e impacta diretamente na qualidade da sua silagem. Lavouras com alta umidade têm maior perda por efluentes e podem apresentar fermentações indesejáveis por bactérias do gênero Clostridium e Coliformes. Já uma umidade baixa dificulta a picagem e compactação do material no silo, deixando a massa com mais oxigênio.
  • Não se esqueça de fazer uma boa compactação. É nesta fase que a maior parte do oxigênio será retirada, favorecendo a fermentação do material. A compactação deve ser contínua, o tempo todo. O uso de inoculantes neste momento auxilia no processo fermentativo, favorecendo a queda do pH e reduzindo perdas.
  • No momento do fechamento e vedação do silo não economize com as lonas. Utilize lonas de alta qualidade e que são mais resistentes, e adicione alguns pesos em cima para auxiliar na retirada do ar, como pneus, areia, terra ou brita.
  • Após o fechamento do silo, o ideal é que fique pelo menos 30 dias fechado, de forma a garantir uma boa fermentação de todo o material que foi ensilado.

Uma boa silagem é capaz de reduzir os custos e aumentar a produção de leite, melhorando a renda do produtor e o desempenho dos animais.

 

 

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Como a idade ao primeiro parto afeta os seus resultados?

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A idade ao primeiro parto (IPP) é um indicador técnico muito importante na pecuária, principalmente na pecuária leiteira, pois é a partir do momento do parto que o animal começa a gerar renda para o produtor por meio da venda do leite produzido.

 

Durante as fases de cria e recria os recursos são investidos para que os animais cresçam de forma saudável, sendo necessários boa alimentação e cuidados com a saúde. Neste período os animais não contribuem com a geração de receita na atividade, porém, o desempenho nesta fase está diretamente relacionado com o sucesso na produção de leite futura desses animais. Novilhas que tem a idade ao primeiro parto reduzida produzem mais leite, aumentam a vida produtiva, reduzem os custos com a recria e aumentam a receita da atividade.

Os desafios enfrentados durante o desenvolvimento das novilhas são inúmeros, especialmente relacionados à saúde. Doenças como pneumonia, tristeza parasitária e quadros de diarreia são mais comuns durante o primeiro ano de vida da bezerra, enquanto no segundo ano a preocupação do produtor se volta mais para a nutrição, reprodução e o crescimento e desenvolvimento da glândula mamária.

A idade ao primeiro parto está diretamente associada aos índices de ganho de peso na recria, pois, a primeira inseminação de uma novilha ocorre quando ela apresenta peso e idade adequados. Novilhas com baixo ganho de peso serão inseminadas tardiamente, aumentando a idade ao primeiro parto e, consequentemente, o custo para o produtor.

Ter as metas de ganho de peso bem estabelecidas auxiliam o produtor com o manejo reprodutivo das novilhas. Semelhante ao baixo ganho de peso, um ganho de peso muito alto também não é adequado, isso porque o excesso de energia consumida pelas novilhas se acumula na glândula mamária sob a forma de gordura, atrapalhando o desenvolvimento dos alvéolos e reduzindo a capacidade de produção de leite. Por isso é preciso estar atento ao peso e a idade da novilha no momento da inseminação, que varia de acordo com as raças.

Bezerro mamando na vaca

Efeitos da redução da idade ao primeiro parto

Alguns experimentos foram feitos relacionando a produção de leite com a idade ao primeiro parto, como o conduzido por Ettema e Santos (2004), onde um grupo de vacas Holandesas com primeiro parto entre 23 e 25 meses de idade e peso médio de 603 kg foi o que apresentou melhor desempenho na primeira lactação. As vacas que pariram com idade entre 23 e 25 meses ou acima de 25 meses produziram pelo menos 1 kg a mais de leite do que as que pariram com menos de 23 meses, mostrando que a IPP muito precoce também não é o ideal. O desempenho reprodutivo também foi avaliado e aquelas que pariram entre 23 e 25 meses apresentaram maior taxa de concepção na primeira inseminação, menor número de inseminações para prenhez e menor período de serviço na primeira lactação. Ou seja, o grupo de vacas que tiveram o primeiro parto com idade entre 23 e 25 meses apresentaram maior produção de leite e melhor desempenho reprodutivo, refletindo de forma positiva diretamente no bolso do produtor.

Isso mostra que todo investimento feito nas fases de cria e recria retornam ao produtor quando a novilha inicia sua vida produtiva mais cedo, devendo ser, portanto, uma meta a ser alcançada na propriedade.

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Prebióticos e probióticos: são viáveis a sua utilização?

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Entenda o que são estes aditivos e como eles contribuem para melhorar o desempenho dos animais

 

A nutrição é um dos pilares para obter sucesso em qualquer sistema de criação na pecuária, seja na produção de bovinos de corte ou de leite. Além da base alimentar composta por plantas forrageiras, muitas vezes, suplementada com grãos como milho e soja, alguns outros ingredientes são utilizados para ajudar na melhora do desempenho dos animais, como os aditivos prebióticos e os probióticos.

Os probióticos são, segundo o MAPA, aditivos zootécnicos equilibradores da microbiota do trato digestório e são definidos como cepas de microrganismos vivos (viáveis), que agem como auxiliares na recomposição da microbiota do trato digestivo dos animais, contribuindo para o seu equilíbrio.

São bactérias vivas ou leveduras que atuam no rúmen ou no intestino, equilibrando a população de microrganismos benéficos que vão favorecer o aumento do desempenho animal por meio de um ambiente ruminal mais estável. As bactérias benéficas promovem uma maior digestibilidade da celulose e síntese de proteína e vitaminas, além de eliminar toxinas provenientes de bactérias indesejáveis.

Dentre as principais espécies utilizadas como aditivos probióticos destacam-se os Bacillus cereusEnterococcus faeciumLactobacillus acidophilusRuminobacter amylophilumRuminobacter succinogenes e Succinovibrio dextrinosolvens.

os prebióticos são ingredientes que não são digeridos pelas enzimas digestivas do hospedeiro, mas que são fermentados pela microbiota do trato digestório dos animais, contribuindo para o seu equilíbrio, segundo definição do MAPA.

Ou seja, os prebióticos funcionam como substratos para os probióticos se desenvolverem, e são compostos por carboidratos como oligossacarídeos ou fibras com baixa digestibilidade.

Vacas se alimentando no cocho

Benefícios de sua utilização

  • Controlam o pH do rúmen
  • Aumentam o consumo de matéria seca
  • Mantém o equilíbrio da microbiota ruminal
  • Aumenta a síntese de proteínas e vitaminas
  • Aumento da conversão alimentar
  • Aumentam a degradação da fibra
  • Desenvolvimento precoce do rúmen em bezerros
  • Redução do estresse e perda de peso na desmama
  • Prevenção de timpanismo e diarreias
  • Aumentam a produção de leite e sólidos do leite

É importante ressaltar que, apesar dos inúmeros benefícios que os prebióticos e probióticos fornecem aos animais, eles são o complemento final da dieta, equivalentes à cereja do bolo. É preciso cuidar da base da alimentação, fornecendo alimentos de qualidade para os animais, de forma que os probióticos possam agir e contribuir para o aumento do desempenho.

Um outro ponto importante é em relação à aquisição desses produtos. O produtor deve buscar empresas idôneas, que investem em pesquisas e que sejam reconhecidas no mercado, além de contarem com uma equipe especializada para orientar e atender as demandas da propriedade.

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Autor:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Viana

Zootecnista, criadora do perfil @dicasdazootecnista no Instagram.

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Diferimento de pastagens: você sabe como fazer?

By Agro Sem comentários

O diferimento de pastagem nada mais é do que selecionar e vedar uma determinada área de pastagem e permitir que ela cresça para que seja consumida na época da entressafra

 

O planejamento alimentar do rebanho é um dos pontos que merece mais atenção na propriedade, devido à estacionalidade de produção das plantas forrageiras utilizadas como base da alimentação dos bovinos, que é limitada pela temperatura, pluviosidade e radiação solar.

Com o objetivo de garantir alimento para todo o rebanho durante a época seca do ano e evitar perda de peso corporal, o diferimento de pastagens surge como uma estratégia de manejo que possibilita aumentar a capacidade de suporte na propriedade.

O diferimento de pastagem nada mais é do que selecionar e vedar uma determinada área de pastagem e permitir que ela cresça para que seja consumida na época da entressafra, já que neste momento do ano as forrageiras não se desenvolvem devido os fatores limitantes como baixa temperatura e pouca pluviosidade.

Rebanho no pasto

Dicas para fazer o diferimento de pastagens

Para que o diferimento seja feito de forma correta, alguns cuidados são necessários. Confira:

  • Manejo da área antes do diferimento:

O manejo realizado na pastagem antes do diferimento influencia diretamente na qualidade nutricional da forrageira no momento da sua utilização pelos animais. Antes de vedar a área é interessante permitir um pastejo mais intenso, para que possam ser removidas folhas velhas e permitir que a rebrota tenha mais força e maior qualidade nutricional. Mas atenção: pastejo intenso é diferente de superpastejo. É preciso garantir que a planta terá boa capacidade de rebrota para poder crescer e se desenvolver.

  • Escolha da espécie forrageira

As plantas mais indicadas e utilizadas são as do gênero Brachiaria e Cynodon, devido ao seu hábito de crescimento prostrado e por possuir maior acúmulo de folhas em relação ao caule, favorecendo a qualidade nutricional e o consumo pelos animais.

  • Época de vedação

São vários os fatores que influenciam na qualidade da forragem e no melhor momento de utilização da área pelos animais, como fertilidade do solo, pluviosidade e dosagem de nitrogênio aplicada na área diferida. Sendo assim, é importante vedar os pastos em períodos distintos e utilizá-los em momentos distintos também. Por exemplo: se o produtor vedar parte do pasto em fevereiro e outra parte em março, pode utilizar o primeiro pasto em junho e julho e o segundo pasto em agosto e setembro.

  • Definir a estratégia nutricional

Apesar de garantir a quantidade de forragem, o valor nutricional dela será mais baixo e por isso é importante fazer a suplementação proteica para melhorar a nutrição e desempenho dos animais.

 

O diferimento é uma técnica de baixo custo e de fácil implantação, que permite ao produtor obter forragem no período mais crítico do ano, quando feita de forma correta e planejada, auxilia na manutenção de peso dos animais e redução dos custos de produção.

 

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Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Viana

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