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Principais fraudes encontradas no leite

By Agro Sem comentários

Conheça os principais tipos de fraude que podem ser feitas no leite e como a indústria pode detectá-las

A qualidade do leite é influenciada por vários fatores, como higiene na obtenção e armazenamento, manejo nutricional, genética e saúde animal. Denomina-se fraude toda prática que visa adicionar ou subtrair substâncias do leite e, apesar da indústria realizar vários testes para detectar alguma não-conformidade, alguns produtores ainda insistem em praticar algumas fraudes, mesmo sabendo que fraudar leite é crime.

A ocorrência de fraude pode acontecer em qualquer etapa da cadeia produtiva do leite, seja na fazenda do produtor, durante o transporte até o laticínio ou até mesmo dentro da indústria.

Para garantir a qualidade do leite e evitar a ocorrência de fraudes existem os Serviços de Inspeção, que podem ser municipais, estaduais ou federais, que são vinculados ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Por meio de instruções normativas as indústrias são obrigadas a fazerem o controle de qualidade de todo leite recebido, realizando testes que atestam a qualidade e a segurança alimentar do leite.

Leite

Principais tipos de fraudes

As fraudes podem ser classificadas em 4 tipos: por adição de água, por adição de reconstituintes, por adição de conservantes e por adição de neutralizantes. É importante ressaltar que o desnate, que é a retirada de gordura do leite na fazenda, também é caracterizado como fraude, e segundo a legislação, apenas as indústrias podem desnatar o leite.

1 – Fraude por adição de água

A adição de água visa aumentar o volume de leite vendido para a indústria, e na maioria das vezes é acompanhada de outras fraudes também, já que a adição de água é facilmente detectada pelo teste de crioscopia, que mede o ponto de congelamento do leite, e pela verificação da densidade.

A adição de água também pode comprometer a qualidade microbiológica do leite, já que a água adicionada, na maioria das vezes, não tem nenhum tratamento.

Além da água, também podem ser adicionados soro de leite e urina, sendo a urina mais fácil de detectar do que o soro.

2 – Fraude por adição de reconstituintes

Os reconstituintes são utilizados para mascarar a adição de água, que é facilmente detectada. Essas substâncias agem reconstituindo a densidade ou a crioscopia do leite. Os fraudadores adicionam sal, açúcar ou farinha para tentar corrigir a densidade ou a crioscopia.

Em alguns casos pode ocorrer a adição de ureia também, para reconstituir o teor de proteína, que foi reduzido com a adição de água.

3 – Fraude por adição de conservantes

Conservantes são substâncias utilizadas para reduzir a quantidade de microrganismos presentes no leite que podem causar a sua deterioração.

Isso está diretamente relacionado à higiene de ordenha e equipamentos, além da refrigeração correta do leite. Em fazendas onde a higiene é precária e ocorre falhas na refrigeração, a qualidade microbiológica do leite fica comprometida, apresentando alta quantidade de microrganismos que podem deteriorar o leite, deixando-o azedo.

Entre as substâncias conservantes mais utilizadas podemos citar a água oxigenada, água sanitária (hipoclorito de sódio) e o formol. Elas são tóxicas e podem causar problemas de saúde como intoxicação, irritações e queimaduras no trato gastrointestinal.

Para identificar estes conservantes a indústria faz análises para cada substância de forma individual.

4 – Fraude por adição de neutralizantes

Os neutralizantes são adicionados para reduzir a acidez do leite provocada pelo excesso de ácido lático produzido pelos microrganismos. Os microrganismos degradam a lactose, produzindo ácido lático que irá reduzir o pH do leite, deixando-o ácido. Para neutralizar este pH, são adicionadas substâncias de pH mais básico, como o bicarbonato de sódio, cal e hidróxido de sódio (soda cáustica).

Estas substâncias não matam os microrganismos como os conservantes, elas atuam apenas no pH do leite.

 

A Instrução Normativa nº 77 de 26 de novembro de 2018 estabelece como critério que sejam feitas as análises de acidez, crioscopia, antibióticos, densidade, sólidos do leite, substâncias neutralizantes, conservantes e reconstituintes, antes que o leite seja liberado para o processamento e beneficiamento.

Fraudar leite é crime, por isso um rigoroso controle de qualidade se faz necessário.

 

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Principais plantas tóxicas para os bovinos

By Agro Sem comentários

Conheça as principais plantas tóxicas para os bovinos e saiba como evitar a ingestão e intoxicação dos animais.

A criação de bovinos no Brasil, principalmente na pecuária de corte, é feita em pastagens, onde o gado tem acesso à grandes áreas com diferentes tipos de vegetação. Um dos problemas enfrentados pelos pecuaristas é a intoxicação dos animais decorrente da ingestão de algumas plantas que possuem um nível de toxicidade que pode levá-los à óbito dependendo da quantidade ou da parte da planta que foi ingerida.

Uma das principais causas de morte de animais adultos é a intoxicação por plantas tóxicas. As plantas tóxicas estão presentes em todo território do país, o que agrava a situação e se torna mais um motivo para o produtor fazer o manejo correto das suas pastagens.

As consequências da ingestão de plantas tóxicas variam desde fotossensibilização até morte súbita do animal.

Conheça as principais plantas tóxicas para os bovinos:

Cafezinho

Também conhecida pelos nomes de erva-de-rato, vick e roxinha, esta planta tem boa palatabilidade, é altamente tóxica e está presente em áreas de mata e capoeira. Causa sinais clínicos nervosos como desequilíbrio dos membros posteriores, tremores, musculares, queda repentina do animal e taquicardia, podendo causar morte súbita. Não existe tratamento para os animais intoxicados.

planta toxica

Timbó

Timbó, tingui ou cipó-prata apresenta toxicidade em toda sua estrutura, principalmente na fase de brotação. Ocorre durante o ano todo e é uma das principais plantas que causam a morte dos animais. Os animais apresentam como sinais clínicos tremores musculares, taquicardia, queda repentina, decúbito lateral, urinar frequentemente, fezes com muco e mucosas pálidas.

Ao identificar a intoxicação, o produtor deve deixar o animal em repouso na sombra e evitar movimentá-lo.

Timbó

Samambaia

A samambaia é uma plana tóxica que, verde ou seca, causa danos aos animais. É encontrada em todo o país, especialmente nas encostas de morros e lugares mais úmidos. Os sinais clínicos são: hematúria enzoótica (sangue na urina), sangramento da pele, pequenas feridas e câncer esofágico.

Samambaia

Chumbinho

Conhecida também pelos nomes cambará e margaridinha, possui ampla distribuição pelo Brasil e seu consumo ocorre mais durante a escassez de alimentos. Causa fotossensibilização e morte dos animais. Sinais clínicos: fotossensibilização das regiões despigmentadas da pele, anorexia, inquietação, icterícia, urina de coloração marrom.  O tratamento é feito com soro, pomadas, corticóides e anti-histamínicos.

Margaridinha

Cipó-ruão

Planta muito presente na região sudeste, e seu consumo ocorre quando há restrição alimentar pois tem baixa palatabilidade (exceto os brotos jovens). Os principais sinais clínicos são: edema de barbela e região esternal, aborto, emagrecimento progressivo e relutância em andar.

cipo ruao

Dama da noite

Também chamada de coerana e pimenteira, é uma planta invasora de pastagens onde as folhas, brotos e frutos são tóxicos. Apresenta como principais sinais clínicos: apatia, anorexia, parada ruminal, dorso arqueado, ranger de dentes e movimentos de pedalagem.

 

dama da noite

Existem outras espécies de plantas que também são tóxicas para os ruminantes, como a mandioca, mamona e leucena, mas essas cinco são responsáveis por grande parte das intoxicações.

A melhor forma de evitar que os animais consumam esse tipo de planta é fazendo o correto manejo das pastagens, não deixando faltar comida. Também é importante cercar áreas onde a população de plantas tóxicas é grande, para impedir o acesso dos animais e eventual intoxicação. Cuide do seu rebanho!

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Principais doenças que acometem os bezerros

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Conheça as principais doenças que acometem os bezerros e o que fazer para minimizar o impacto no desempenho dos animais

O sucesso da produção de leite ou carne está relacionado com a baixa taxa de mortalidade dos animais, especialmente os bezerros. Os bezerros nascem desprovidos de anticorpos, necessitando do colostro para a formação da sua imunidade. Quando a colostragem não é bem-feita os bezerros ficam mais suscetíveis às doenças e parasitas, que podem levá-los à óbito. Além disso, a higiene do ambiente e dos utensílios utilizados para o aleitamento, principalmente na pecuária leiteira, também influenciam diretamente a saúde dos bezerros.

Falhas na colostragem resultam em animais mais fracos, com menor desempenho e com mais riscos de desenvolverem doenças. Podem ser em relação à qualidade do colostro, tempo decorrido entre o nascimento e o fornecimento do colostro, quantidade fornecida e higiene dos tetos e utensílios utilizados.

Confira quais são as principais doenças que acometem os bezerros e como evitá-las, a fim de minimizar os impactos no desempenho e no desenvolvimento dos animais.

1- Doenças que causam diarreias

A diarreia, muitas vezes chamada de doença, é na verdade um sinal clínico de várias doenças, causadas por diferentes agentes, como Salmonella, E.coli, Cryptosporidium, Rotavirus, Eimeria etc.

É muito comum observar episódios de diarreia nos primeiros meses de vida do bezerro, neste período ocorre a queda dos níveis de anticorpos que foram adquiridos via colostro, ao mesmo tempo que o sistema imune dele começa a se desenvolver, resultando em uma queda imunológica, o que chamamos de janela imunológica.

A diarreia provoca desidratação e pode evoluir para um choque hipovolêmico, causando a morte do bezerro e um grande prejuízo para o produtor. É importante que o produtor continue fornecendo o leite quando o bezerro estiver com diarreia, assim ajudará na hidratação e recuperação do animal.

A prevenção é feita através de colostragem com qualidade, vacinas contra diarreia neonatal em bezerros, higiene dos utensílios utilizados para o aleitamento, da higiene das instalações e isolamento de animais acometidos

2 – Pneumonia

A pneumonia é uma doença multifatorial que provoca aumento da frequência respiratória, febre, redução do apetite, abatimento e tosse. A mudança de ambiente, manejo e excesso de umidade são fatores que desencadeiam a doença, deixando os bezerros mais suscetíveis. O ambiente dos bezerros deve ser seco e limpo, possuir cobertura para proteger das chuvas e camas que favorecem o aquecimento do animal. Aleitamento em baldes podem predispor a aspiração de líquidos, levando a pneumonia.

3 – Tristeza parasitária bovina

A tristeza parasitária bovina compreende as doenças babesiose e anaplasmose, transmitidas por carrapatos e moscas.

É muito comum e causa febre, anemia, diarreia e pode levar o animal à morte, causando grandes prejuízos econômicos.

É importante fazer o controle de carrapatos e moscas, identificar os animais acometidos o mais rápido possível e realizar o tratamento precoce.

4 – Onfaloflebites

É a inflamação da veia umbilical, decorrente de falhas na cura do umbigo. A infecção impede a cicatrização do canal do umbigo, facilitando a entrada de microrganismos.

Ocorre aumento de volume do umbigo com presença de exsudato, podendo provocar hepatite, peritonite e miíase.

A prevenção é feita através da cura do umbigo utilizando iodo 10%, por 3 a 5 dias, logo após o nascimento.

5 – Verminoses

Os parasitas gastrointestinais causam grandes prejuízos, afetando diretamente no desempenho dos animais. Animais infestados apresentam menores ganhos de peso. O uso de vermífugos e anti-helmínticos é fundamental para controlar estes parasitas.

Os bezerros precisam de um cuidado e atenção maiores, pois nascem completamente desprovidos de imunidade, dependentes totalmente dos anticorpos do colostro.

A colostragem é o primeiro passo para o sucesso na criação de bezerros, e deve ser muito bem-feita.

Os bezerros são o futuro da propriedade, seja na produção de leite ou de carne. Sendo assim, o produtor precisa cuidar da saúde e do desenvolvimento deles, a fim de melhorar o desempenho e reduzir prejuízos.

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Uso de aditivos na alimentação de ruminantes

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Saiba mais sobre os aditivos, ingredientes utilizados na alimentação dos ruminantes para aumentar a qualidade da dieta ou melhorar o desempenho animal

Os aditivos têm sido muito estudados e utilizados na alimentação dos ruminantes, pois a maioria promove uma melhora no ambiente ruminal, favorecendo a fermentação e contribuindo para melhorar o desempenho animal. Segundo o MAPA, considera-se um aditivo a “substância, micro-organismo ou produto formulado, adicionado intencionalmente aos produtos, que não é utilizada normalmente como ingrediente, tenha ou não valor nutritivo e que melhore as características dos produtos destinados à alimentação animal ou dos produtos animais, melhore o desempenho dos animais sadios ou atenda às necessidades nutricionais.”

Hoje existem muitos aditivos comercializados no Brasil, com diferentes mecanismos de ação. Eles são classificados como aditivos tecnológicos, sensoriais, nutricionais, zootécnicos, anticoccidianos e agonistas.

Os aditivos tecnológicos e sensoriais, como antifúngicos, adsorventes, conservantes, aglutinantes, estabilizantes, corantes e aromatizantes são utilizados pelo setor industrial, enquanto os demais aditivos são empregados em toda cadeia da nutrição animal.

Vacas

Tipos de aditivos

Além dos aditivos tecnológicos e sensoriais, também existem os nutricionais e zootécnicos:

1 – Aditivos nutricionais

São todas as substâncias utilizadas para manter ou melhorar as propriedades nutricionais do produto, como vitaminas (niacina, biotina, colina protegida, calcidiol); minerais (selênio orgânico, cromo orgânico); aminoácidos (metionina, lisina, histidina) e ácidos graxos de cadeia longa (saturados, insaturados, palmítico, DHA, EPA).

2 – Aditivos zootécnicos

São substâncias utilizadas para auxiliar na melhoria do desempenho animal, como ionóforos, leveduras, probióticos, enzimas, tamponantes para o rúmen, ácidos orgânicos e extrato de própolis.

Os ionóforos são antimicrobianos que inibem ou deprimem o crescimento de bactérias dentro do rúmen, causando alterações na fermentação ruminal e melhora no desempenho. Eles atuam inibindo principalmente as bactérias gram-positivas, aumentando a eficiência energética, reduzindo a produção de ácido lático e aumentando a produção de propionato no rúmen. Em alguns países, como os da União Europeia, seu uso é proibido e há muita discussão sobre o risco de resíduos na carne e no leite.

Os ionóforos mais utilizados são a monensina, lasalocida e salinomicina, sendo a monensina muito utilizada na alimentação de vacas leiteiras.

Outros antimicrobianos que atuam melhorando o desempenho dos bovinos são a virginiamicina, bacitracina de zinco, flavomicina e espiramicina, sendo a virginiamicina muito utilizada na pecuária de corte.

As leveduras, fungos encontrados naturalmente dentro do rúmen, também são muito utilizadas nas dietas de vacas leiteiras e atuam otimizando o ambiente ruminal, aumentando a digestibilidade da fibra e melhorando a conversão alimentar. Elas têm sido muito estudadas, pois é uma opção ao uso dos antimicrobianos.

Também são considerados aditivos zootécnicos os probióticos, microrganismos vivos que se estabelecem no trato gastrointestinal e mantém a microbiota benéfica, evitando a proliferação de microrganismos patogênicos.

As enzimas também são aditivos zootécnicos, especialmente as enzimas fibrolíticas. Elas potencializam a degradação da fibra, melhorando a sua digestibilidade. As mais utilizadas são as celulases, hemicelulases, xilanases e pectinases.

Os tamponantes, como o bicarbonato de cálcio, também atuam na melhoria do ambiente ruminal, neutralizando os ácidos produzidos durante a fermentação, especialmente se a dieta tiver grandes quantidades de amido e forragens bem moídas. Seu uso é muito comum em dietas de vacas de alta produção, que consomem grandes quantidades de concentrado e têm maiores riscos de desenvolverem acidose ruminal e outros problemas metabólicos.

Os ácidos orgânicos são constituintes naturais dos alimentos e sua utilização é segura por não produzir resíduos na carne e no leite dos animais. Os ácidos málico e fumárico são os principais utilizados na dieta de vacas leiteiras.

O extrato de própolis, muito utilizado por humanos por ser antimicrobiano, cicatrizante e anti-inflamatório, vem sendo estudado para ser utilizado na alimentação bovina. Apesar de poucos estudos, observou que seu uso reduziu a produção de metano e selecionou bactérias benéficas no rúmen.

 

Apesar dos vários benefícios dos aditivos, é válido lembrar que eles não corrigem problemas nutricionais e nem dietas mal formuladas. Os aditivos funcionam como um ajuste fino da nutrição, e é necessário que o manejo alimentar esteja adequado para que os resultados com o uso dos aditivos sejam satisfatórios.

Bibliografia consultada:

-Revista Leite Integral. Aditivos: o que há de novo? Disponível em https://www.revistaleiteintegral.com.br/noticia/aditivos-o-que-ha-de-novo

-Nutritime. Utilização de aditivos nas dietas de bovinos de corte no Brasil: revisão de literatura. Disponível em https://www.nutritime.com.br/site/wp-content/uploads/2020/02/Artigo-469.pdf

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Importância do período de transição para vacas leiteiras

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Entenda por que você deve dar uma atenção especial para as vacas no período de transição e como isso pode impactar a produção de leite durante a lactação

O período de transição é o período compreendido entre as três semanas antes e as três semanas após o parto, onde a vaca passa da condição de seca e gestante para a condição de lactante não gestante, ocasionando grandes mudanças metabólicas e fisiológicas no seu organismo.

As exigências nutricionais das vacas aumentam consideravelmente neste período. Nas semanas que antecedem o parto, os requerimentos serão direcionados principalmente para o crescimento do bezerro, desenvolvimento da glândula mamária, produção de colostro e síntese de leite. Ao mesmo tempo, ocorre uma queda no consumo de alimentos durante essas três semanas, que pode chegar a 30% segundo Grummer et al, 1999.

Escore de condição corporal

Um fator muito importante que deve ser monitorado é o escore de condição corporal das vacas. O escore ideal ao parto é em torno de 3 a 3,5, sendo o mesmo recomendado no momento da secagem. Isso porque vacas que parem gordas têm maiores chances de desenvolverem problemas metabólicos no pós-parto, que podem impactar negativamente toda a lactação.

Logo após o parto, a vaca entra em balanço energético negativo, ou seja, ela não consegue ingerir a quantidade de alimento necessária para suprir todas as suas exigências, e com isso mobiliza suas reservas corporais para sustentar a produção de leite. Vacas com maior escore corporal mobilizam mais gordura no pós-parto, e ficam mais propensas a desenvolverem problemas de saúde e reprodutivos.

 

Vacas leiteiras

Manejo nutricional no pré e pós-parto

Para evitar ou atenuar os distúrbios que podem ocorrer após o parto, como hipocalcemia, cetose e deslocamento de abomaso, é fundamental que as vacas recebam uma alimentação adequada, que deve ser iniciada no pré-parto.

Uma estratégia muito utilizada na alimentação de vacas no pré-parto é o fornecimento de dietas aniônicas, que visam reduzir a ocorrência de hipocalcemia através de uma leve acidose metabólica. Desta forma, ocorre uma maior mobilização óssea de cálcio para a corrente sanguínea.

Após o parto, é o momento de tentar aumentar o consumo de matéria seca, para minimizar os efeitos do balanço energético negativo. O uso de fontes lipídicas atenua a mobilização de gordura corporal, pois aumentam a densidade energética da dieta.

É importante priorizar alimentos que não reduzam a ingestão, evitando aqueles com fibra de baixa qualidade ou com alta quantidade de amido, que pode levar à acidose ruminal. Tudo que ocorre nas duas semanas após o parto pode afetar toda a lactação da vaca, por isso, é recomendado que o manejo nutricional seja bem-feito e monitorado desde o pré-parto, para evitar ao máximo qualquer problema após a parição.

Separação de lotes

Separar os lotes de vaca seca, pré-parto e pós-parto nem sempre é fácil. Requer espaço, instalação e até mão de obra disponível para fazer isso.

Porém, os estudos mostram que ter um lote separado para vacas que estão a 21 dias do parto facilita as ações necessárias para minimizar os problemas do pós-parto, pois é possível controlar melhor a dieta e observar o momento do parto, intervindo de forma antecipada se for preciso.

Já o lote de pós-parto possibilita uma dieta adequada para o momento que a vaca está passando, pois tem menos competição por alimento e melhora o monitoramento dos animais.

 

Por fim, o manejo no período de transição é um desafio para os produtores de leite. Apesar de todas as mudanças que ocorrem no organismo das vacas, é possível minimizar os problemas causados pelo balanço energético negativo através de um bom manejo nutricional, reduzindo seus efeitos sobre a saúde, produção e reprodução das vacas.

Bibliografia consultada:

-Rotta, Polyana Pizzi; Marcondes, Marcos Inacio; Pereira, Bianca de Moraes. Nutrição e Manejo de Vacas Leiteiras. Viçosa-MG.Ed.UFV,2019.

-Marcondes, Marcos Inacio …(et al). Nutrição e Manejo de vacas de leite no período de transição. Viçosa-MG. Ed.UFV,2019

-Educapoint. Manejo e transição de vacas em lactação. Disponível em https://www.educapoint.com.br/catalogo/curso/nutricao-vacas-transicao/

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Importância dos minerais na alimentação dos ruminantes

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Entenda a importância dos minerais na alimentação dos ruminantes e quais são considerados essenciais para os bovinos

Os minerais constituem uma das principais limitações nutricionais dos bovinos, especialmente aqueles criados a pasto, já que a maioria das forragens não suprem as exigências de todos os elementos que estes animais precisam.

Os minerais são elementos químicos inorgânicos encontrados na forma de sais e associados a elementos inorgânicos ou orgânicos. Apesar de compor apenas 5% do corpo de um animal, os minerais fazem parte de 80 a 85% do esqueleto e compõem a estrutura dos músculos, além de serem indispensáveis para o bom funcionamento do organismo.

Podemos resumir as funções dos minerais em duas, dada a grande e complexa participação deles nas funções do organismo. São elas:

-Função estrutural: participam de estrutura de tecidos ou moléculas de compostos orgânicos, como o cálcio, fósforo e magnésio na estrutura dos ossos.

-Função metabólica: participam do metabolismo de outros nutrientes da dieta por meio de complexos enzimáticos.

Os minerais são divididos em macroelementos, aqueles encontrados em maior quantidade no organismo, como o cálcio, cloro, magnésio, fósforo, potássio, sódio e enxofre. E em microelementos, como o cobalto, iodo, ferro, manganês, selênio e zinco, que são encontrados em menor quantidade no corpo do animal.

Minerais essenciais

Os minerais essenciais são aqueles indispensáveis para o bom funcionamento do organismo animal. Veja abaixo quais são as principais funções de cada um.

-Cálcio (Ca): formação dos ossos e dentes; contração muscular; produção de leite.

-Cloro (Cl): principal constituinte do suco gástrico e participa da digestão de algumas proteínas.

-Magnésio (Mg): formação de ossos e dentes; contração muscular; participação de reações enzimáticas.

-Fósforo (P): formação de ossos e dentes; fermentação ruminal; reações enzimáticas; produção e secreção de leite; metabolismo energético.

-Potássio (K): contração muscular; transporte de oxigênio e gás carbônico no sangue; manutenção do equilíbrio ácido-básico celular; produção de leite.

-Sódio (Na): fermentação ruminal; contração muscular; transmissão de impulso nervoso.

-Enxofre (S): fermentação ruminal; componente de proteínas e vitaminas; composição de cartilagens e tendões.

-Cobalto (Co): componente da vitamina B12 sintetizada pelos microrganismos ruminais; fermentação ruminal.

-Selênio (Se): antioxidante; importante para a reprodução e resposta imunológica do animal.

-Iodo (I): síntese de hormônios da tireoide.

-Manganês (Mn): desenvolvimento dos ossos; ativador de enzimas; coagulação sanguínea.

-Cobre (Cu): formação de ossos e dentes; respiração celular; desenvolvimento do tecido conjuntivo.

-Ferro (Fe): transporte de oxigênio e respiração celular.

-Zinco (Zn): síntese proteica; catalisador de enzimas; reprodução dos animais; essencial para o sistema imunológico.

Gado no cocho

Fornecimento: consumo forçado ou à vontade no cocho?

Uma das formas mais seguras de garantir o consumo de minerais é através de suplementos minerais misturados ao concentrado. Geralmente a inclusão é em torno de 3 a 4% de suplementação mineral na formulação do concentrado.

Por outro lado, o suplemento pode ser deixado à vontade no cocho, mas a ingestão pode ser muito variável, e nem sempre o animal consegue obter as quantidades mínimas requeridas. Além disso, é importante que o cocho seja coberto, pois alguns minerais são solúveis em água.

É importante que o produtor forneça suplementos de qualidade, de empresas idôneas que utilizam ingredientes de alta qualidade e que contenham o selo do Serviço de Inspeção Federal – SIF.

A deficiência de minerais pode causar inúmeros problemas, como: fragilidade óssea, retenção de placenta, tetania, perda de peso, redução da fertilidade, queda no sistema imunológico, fraqueza muscular, redução do consumo de alimentos, redução da produção de leite, crescimento lento, anemia, aborto, mastite, infecções uterinas etc.

A suplementação de minerais deve ser obrigatória para que os animais tenham saúde e bom desempenho na produção de carne ou leite.

 

Bibliografia consultada:

– NETO, João Gonsalves. Manual do Produtor de Leite. 1ed. Viçosa. Aprenda Facil,2016

– Rotta, Polyana Pizzi; Marcondes, Marcos Inacio; Pereira, Bianca de Moraes. Nutrição e Manejo de Vacas Leiteiras. Viçosa-MG.Ed.UFV,2019.

-Lana, Rogério de Paula. Nutrição de alimentação animal (mitos e verdades). Viçosa – MG ed.UFV,2020.

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Micotoxinas na alimentação dos ruminantes

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Conheça quais são as principais micotoxinas encontradas na alimentação dos ruminantes e como isso afeta o desempenho e a saúde destes animais

 

As micotoxinas são compostos tóxicos produzidos por fungos que afetam tanto os animais quantos os seres humanos. Os ruminantes, por se alimentarem de forragens e concentrados à base grãos, estão mais expostos a estes compostos tóxicos, que causam perdas no desempenho animal, e consequentemente, prejuízos para o produtor.

As forragens, seja na forma de pastagem ou conservadas como silagem e/ou feno, além de grãos como milho, trigo, aveia, cevada, amendoim e arroz, são as culturas mais comumente contaminadas pelas micotoxinas. A contaminação pode ocorrer no campo, através do solo e da pastagem, no momento do transporte ou no local de armazenamento, como galpões e silo.

Animais que ingerem alimentos com micotoxinas desenvolvem uma doença chamada micotoxicose, que apresenta inúmeros efeitos no organismo, e a severidade depende do tipo e dose da micotoxina, além da espécie e saúde do animal. Alguns dos efeitos comuns da micotoxicose são: redução da imunidade, problemas renais e hepáticos, reações alérgicas, desordens reprodutivas, redução do consumo, problemas respiratório e circulatório e até a morte.

Dentre os principais gêneros de fungos micotoxigênicos podemos citar o Aspergillus, Alternaria, Fusarium, Penicillium, Stachybotrys e Claviceps.

Principais micotoxinas e seus efeitos na saúde animal

Além das forragens e grãos, as micotoxinas também podem estar presentes nas rações concentradas, em resíduos de cervejaria e em farinhas, como farinha de soja, de girassol e de colza. Estes alimentos se contaminam quando são mal armazenados, principalmente em ambientes úmidos.

As principais micotoxinas são:

-Aflatoxinas: são produzidas pelos fungos do gênero Aspergillus, e são encontradas em grãos como milho, amendoim, soja, trigo, aveia, arroz etc. Causam alterações hepáticas, hemorragias, queda no consumo, no ganho de peso e na produção de leite, além de reduzir a imunidade e levar o animal a óbito.

-Fumonisinas: produzidas por fungos do gênero Fusarium, encontradas no milho e em cereais de inverno. Provocam danos hepáticos e renais, redução no consumo, no ganho de peso e na produção de leite.

-Zearalenona: também são produzidas pelos fungos Fusarium, e provocam problemas reprodutivos, vulvovaginite, estros irregulares e prolapso vulvar. São encontradas principalmente no milho, trigo, cevada, arroz e sorgo.

-Desoxinivaleno (DON): outra micotoxina produzida pelo gênero Fusarium, provoca redução no consumo de alimentos, baixa produção de leite, diarreia, problemas reprodutivos e até a morte dos animais. É muito encontrada em silagens e grãos.

-Ocratoxina: produzidas pelo gênero Penicillium durante o armazenamento de rações. Provocam edema pulmonar, afecções renais e podem aumentar a taxa de mortalidade.

-Patulina: também são produzidas por fungos do gênero Penicillium, e estes fungos crescem em algumas frutas, legumes, grãos e cereais. Causam hemorragia no trato digestivo, comprometimento da função ruminal e redução da produção de leite e carne.

Silagem mofada

Micotoxinas e silagens

Eventualmente as forragens ensiladas apresentam maior chance de estarem contaminadas com micotoxinas do que as forragens secas, principalmente se as condições de armazenamento e fermentação não forem bem controladas. Por exemplo, os bolores coloridos nas silagens indicam a presença de fungos, e de acordo com Mahanna (2009), eles podem ser identificados como:

-Penicillium: forma um bolor azul-esverdeado, e as toxinas envolvidas podem ser ocratoxina e patulina.

-Aspergillus: o bolor é amarelo-esverdeado, indicando a presença de aflatoxinas e ocratoxina.

-Fusarium: bolor branco-rosado, podendo conter zearalenona, DON e fumonisina.

 

Vale ressaltar que essa identificação visual não dispensa a análise do tipo de fungo e de micotoxinas presentes nas silagens ou em qualquer outro alimento. Uma forma de reduzir a contaminação é utilizar rações de boa procedência e qualidade, que contêm adsorventes que reduzem a absorção intestinal das micotoxinas. Além disso, a conservação dos alimentos em local seco, protegido e livre de pragas é de fundamental importância.

Portanto, o controle de micotoxinas deve abranger não somente a fazenda, mas os fornecedores de grãos e rações, para que este problema não cause prejuízos aos animais e nem ao produtor.

Bibliografia consultada:

-Alltech – Gestão de micotoxinas. Disponível em https://www2.knowmycotoxins.com/pt/species/ruminantes

-Alltech – Micotoxinas na produção de ruminantes: quais os tipos e seus efeitos? Disponível em https://www.alltech.com/pt-br/blog/micotoxinas-na-producao-de-ruminantes-quais-os-tipos-e-seus-efeitos

-Nutrição e saúde animal by Vaccinar – Micotoxinas e a saúde animal: entenda os impactos na produção animal. Disponível em https://nutricaoesaudeanimal.com.br/micotoxinas-e-saude-animal/

-Milkpoint – Presença de micotoxinas em silagens: efeitos na nutrição de ruminantes. Disponível em https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/presenca-de-micotoxinas-em-silagens-efeitos-na-nutricao-de-ruminantes-50491n.aspx

 

 

 

 

 

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Autor:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Viana

Zootecnista, criadora do perfil @dicasdazootecnista no Instagram.

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Por que fazer o planejamento de volumosos?

By Agro Sem comentários

Saiba por que o planejamento de volumosos deve ser feito e quais as vantagens ele traz para a atividade

Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo pecuarista é a sazonalidade da produção das forrageiras, que possui seu ciclo de produção e crescimento bem definidos durante o período das águas. Na época mais seca do ano, quando as chuvas são escassas, a temperatura é mais baixa e o período de luminosidade é menor, a oferta de forragem reduz consideravelmente. Por este motivo o produtor deve se antecipar e fazer o planejamento de volumosos, para garantir a alimentação do rebanho durante este período de escassez de forragens.

O planejamento de volumosos consiste em planejar e ter disponível a quantidade de volumoso necessária para alimentar o rebanho durante o ano, principalmente na época seca, seja na forma de pastagens, de alimento conservados como silagens, fenos e pré-secados ou capineiras e canaviais, para garantir a oferta de alimento para todo o rebanho.

Desta forma, o planejamento de volumoso auxilia na otimização da produção, que por meio da nutrição adequada mantém a produção de leite, o ganho de peso e melhora os indicadores da propriedade.

 

Como fazer o planejamento de volumosos

Antes de iniciar o planejamento propriamente dito, o produtor precisa analisar alguns pontos cruciais para o sucesso do planejamento, como:

  • Qual o objetivo do fornecimento do volumoso? Produção de leite, manutenção, cria, recria ou engorda e terminação?
  • Quais animais receberão esse volumoso, em qual quantidade e por quanto tempo?
  • Qual a infraestrutura necessária para o volumoso que vou utilizar?

Após responder estas perguntas, o próximo passo é calcular a área necessária para produzir a quantidade a ser utilizada, considerando a produtividade da forrageira escolhida.  É importante adicionar uma margem de segurança de 10 a 20%, para minimizar qualquer perda que possa ocorrer durante o processo de produção do volumoso.

Plantação de milho

Por que fazer o planejamento de volumosos?

Além de garantir a alimentação do rebanho, o planejamento de volumosos auxilia em outros pontos, como manter o bom desempenho dos animais. Através da nutrição adequada os animais mantêm a produção, não perdem escore corporal e preservam um bom desempenho reprodutivo, contribuindo para melhorar os índices técnicos e econômicos da propriedade.

Nesse sentido, também é uma forma de reduzir o custo do volumoso, pois o produtor que faz compras estratégicas dos insumos que serão utilizados no plantio consegue um preço melhor, reduzindo o custo de produção.  Além disso, produzir o volumoso na própria fazenda, na maioria das vezes, fica mais barato do que comprar de terceiros, principalmente se for em época de oscilações de mercado ou de muitas intempéries climáticas.

Além da redução do custo, o planejamento contribui para otimizar o uso do volumoso, através de práticas de manejo que permitem o fornecimento de forragens de melhor qualidade para os animais mais produtivos, como as vacas em lactação e lote pré-parto. Já as categorias com menores exigências nutricionais, como a recria as vacas secas, podem receber um volumoso mais barato.

Uma outra vantagem do planejamento de volumosos é conhecer a capacidade de produção da fazenda, que ajuda o produtor a saber o momento de repor matrizes, descartar animais ou arrendar áreas para aumentar a produção de alimentos e atender a demanda do rebanho.

 

Principais volumosos utilizados

Os principais volumosos utilizados no período seco são as silagens, que podem ser de milho, sorgo, capim, cana ou outro alimento. Também são utilizadas as pastagens, fenos, pré-secados, capineiras e cana de açúcar in natura.

O importante é que o produtor entenda que os volumosos são a base da alimentação dos bovinos, e por isso é preciso garantir que todos os animais tenham acesso ao alimento, de forma a evitar prejuízos que podem ser contornados por meio do planejamento de volumoso.

 

 

 

 

Bibliografia consultada:

Educapoint. Planejamento alimentar para gado de leite em sistema de pastagem. Disponível em https://www.educapoint.com.br/catalogo/curso/planejamento-alimentar-leite/

Revista Leite Integral. Na arte de ensilar, o planejamento é o segredo. Disponível em https://www.revistaleiteintegral.com.br/noticia/na-arte-da-ensilagem-o-planejamento-e-o-segredo

Confinamento já alcança 5 milhões de bois no país

 

 

 

 

 

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Autor:

Rodrigo Pereira

Médico Veterinário, pós-graduando em Produção, Reprodução e Gerenciamento de bovinos. Analista de negócios do Esteio Gestão.

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Vantagens dos sistemas de produção da pecuária de corte

By Agro Sem comentários

Conheça os tipos e as vantagens de cada sistema de produção de gado de corte no Brasil, um país com grande potencial para exploração pecuária

 

O Brasil possui vasta extensão territorial, com grande potencial para a exploração da criação de gado, com cerca de 164 milhões de hectares, segundo levantamento do IBGE 2018. Com esse contexto, de terras altamente aproveitáveis, o país detém o maior rebanho comercial do mundo, em torno de 213,5 milhões de cabeças bovinas. Em 2019 aproximadamente 32,5 milhões de cabeças foram abatidas, com peso total de carcaça equivalente a 8.217 bilhões de quilogramas (IBGE,2019).

Dentre todas as atividades econômicas do Brasil, o agronegócio destaca-se como o setor mais importante para a economia nacional. Em 2019, o PIB do agronegócio representou 21,4% (Cepea) e somente a agropecuária representou 5,2% do PIB nacional (MAPA).

A produção de bovinos de corte envolve três fases:  cria, recria e engorda. A fase de cria inicia-se com a reprodução das matrizes e estende-se ao crescimento do bezerro até a desmama, que ocorre entre seis e oito meses de idade. A partir do desmame dos animais inicia a fase de recria, que se estende até a reprodução das fêmeas e/ou o início da fase de engorda dos machos, sendo a recria a fase de maior duração no subsistema tradicional brasileiro. A fase de engorda compreende o ganho das últimas arrobas e o acabamento da carcaça para o abate.

A escolha do sistema a ser trabalhado deve ser realizada com cautela. Todos os sistemas possuem suas particularidades, por isso devemos levar em consideração as condições da região, estrutura da fazenda e a capacidade do produtor em promover investimentos. Para auxiliá-lo nesta tomada de decisão, a equipe Esteio Gestão é composta por profissionais capacitados para esclarecerem as dúvidas e direcionar o pecuarista que deseja melhorar a produtividade e rentabilidade de sua fazenda.

gado no pasto

Cria, recria e engorda – entendendo cada fase

Cria

A fase de cria no Brasil é feita a pasto, o que reduz custos com alimentação, maquinário e estruturas. Nesta fase os principais desafios estão em emprenhar as matrizes, diminuir as taxas de mortalidade e desmamar os bezerros com peso adequado. Nesse sistema temos o benefício de vender todos os bezerros desmamados, vender o excedente de fêmeas desmamadas e as matrizes para descarte.

Recria

Após os bezerros serem desmamados, os animais entram na fase de recria ou crescimento, que irá se estender até a reprodução ou engorda. Esta é uma fase que a dieta tem grande influência no resultado técnico-econômico da operação, visto que o seu tempo de duração é significativo no ciclo de produção. Por isso, utilizar boas estratégias de suplementação traz melhores resultados produtivos e econômicos. Na recria temos como vantagem a maior produção de arrobas por hectare, maior liquidez dos animais, maior taxa de desfrute e maior taxa de lotação.

Engorda

A engorda, também conhecida como terminação, é realizada a pasto ou em confinamento. Dos 32,5 milhões de cabeças abatidas no Brasil, em 2018, cerca de 15 % foram terminadas em confinamento (informação do Valor Econômico). Esta fase consiste no ganho das últimas arrobas e do acúmulo final de gordura, conhecido como acabamento de carcaça, para o abate. Quando realizada com técnica adequada é a mais curta do ciclo produção, com isso, conseguimos girar o capital empatado em animais mais rapidamente, tornando o sistema potencialmente mais eficiente.

 

O sistema de ciclo completo envolve todas as fases produtivas (cria, recria e engorda), por isso se faz necessário maiores áreas, melhores estruturas e maior capital investido. Em contrapartida, é a atividade que sofre menor dependência do mercado, por produzir seu principal insumo: bezerro e o boi magro.

Desafios da produção

Independente do sistema a ser trabalhado, temos o desafio de aumentar a produtividade por área, de forma eficiente e com custos equilibrados. O objetivo é aumentar a quantidade de arrobas produzidas por hectare, desse modo, aproveitamos melhor a terra e obtemos uma maior taxa de retorno do capital empatado.

No sistema de cria buscamos aumentar a taxa de lotação de vacas prenhes ou paridas por área, isso trará mais bezerros desmamados, ou seja, mais arrobas produzidas. Nas fases de recria e engorda buscamos aumentar a taxa de lotação por área, sem prejudicar o ganho de peso e assim atingimos o objetivo de maior quantidade de arrobas produzidas por hectare.

A atividade escolhida deve ser considerada como um empreendimento econômico e deve gerar lucros para que se desenvolva e prospere. Para te auxiliar no gerenciamento do seu negócio, o Esteio Gestão Agropecuária é a ferramenta ideal para facilitar suas tomadas de decisões!

 

 

Bibliografia consultada:

EMBRAPA. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Disponível em: http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc85/020sistema.html

ABIEC. Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne. Perfil da Pecuária no Brasil Relatório anual 2018. Disponível em: http:// www.abiec.com.br/noticias.aspx.

CEPEA. Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Disponível em:

https://www.cepea.esalq.usp.br/br/pib-do-agronegocio-brasileiro.aspx

MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Disponível em:

http://www.agricultura.gov.br/noticias/pib-do-setor-agropecuario-cresceu-1-3-em-2019.

Valor Econômico. Disponível em:

Confinamento já alcança 5 milhões de bois no país

 

 

 

 

 

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Autor:

Rodrigo Pereira

Médico Veterinário, pós-graduando em Produção, Reprodução e Gerenciamento de bovinos. Analista de negócios do Esteio Gestão.

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Febre aftosa: por que vacinar o seu rebanho?

By Agro Sem comentários

Entenda o que é e por que você deve vacinar seu rebanho contra a febre aftosa, uma doença que causa grandes perdas econômicas ao produtor

 

A febre aftosa é uma doença altamente contagiosa causada por um vírus da família Picornaviridae, do gênero Aphtovirus, que afeta bovinos, suínos, ovinos, caprinos, bubalinos e outros animais de casco bipartido, como camelos, lhamas, capivaras e elefantes.

Esta doença causa grandes consequências econômicas e sociais, e por se disseminar de forma muito rápida, é uma das enfermidades mais combatidas no mundo todo.

Os primeiros sinais da doença aparecem nos animais infectados após um período de 2 a 14 dias, sendo as vesículas e erosões na boca e nos pés os sintomas mais conhecidos.

Transmissão da febre aftosa

A transmissão da febre aftosa ocorre quando os animais sadios entram em contato direto com outros animais infectados ou com objetos contaminados.

O vírus está presente no epitélio e fluido das vesículas, além da saliva, leite, fezes e urina, e no pico da doença o vírus também se encontra no sangue. Além disso, a doença pode ser transmitida pela movimentação de pessoas, animais, veículos, calçados, roupas e até pelas mãos de pessoas que tiveram contato com animais doentes.

Caminhões, carretas, currais de embarque e recintos de leilões também se tornam fontes de contaminação quando ocorre o contato com algum animal doente.

Além disso, pode ocorrer a transmissão por via aérea, dependendo das condições climáticas, fazendo com que o vírus se espalhe por grandes distâncias.

Quais são os sintomas?

O vírus provoca febre e vesículas (bolhas) dentro e ao redor da boca, língua, lábios, tetos, espaço interdigital e ao redor dos cascos. Essas vesículas se rompem e formam feridas, que são chamadas de erosões.

As erosões causam dor e desconforto, levando o animal à salivação excessiva, claudicação, apatia, falta de apetite, e dificuldade de ficar em pé.

Alguns outros sintomas que podem aparecer:

-Febre com duração de 2 a 3 dias;

-Emagrecimento;

-Queda na produção de leite;

-Aborto;

-Redução da ingestão de água;

-Morte em animais muito jovens.

 

A doença não possui tratamento, e a recuperação dos animais ocorre em até 15 dias, porém eles continuam sendo portadores do vírus por um período que varia de 6 meses a 3 anos.

Os sintomas podem ser confundidos com outras doenças que provocam lesões semelhantes, como estomatite, língua azul, diarreia viral bovina, podridão dos cascos e doença vesicular dos suínos. A forma de saber se as lesões são realmente causadas pelo vírus da febre aftosa é através de exames laboratoriais específicos realizados nos laboratórios credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Lesões causadas pela febre aftosa

E se a doença for confirmada?

Após a confirmação da doença, a ocorrência será comunicada à comunidade nacional e internacional, e a movimentação de animais e pessoas nas propriedades será restrita e controlada. O serviço veterinário oficial irá estabelecer uma zona de proteção e as medidas de biosseguridade serão intensificadas.

Além disso, todos os animais acometidos e suscetíveis que entraram em contato com os animais infectados deverão ser sacrificados e ter suas carcaças destruídas, para inativar o vírus.

Também deverá ser feita a desinfeção dos locais e de todos os materiais contaminados, como pneus, veículos e roupas.

Prejuízos causados pela febre aftosa

A febre aftosa causa grandes prejuízos econômicos para o produtor e afeta fortemente as relações comerciais, pois impede a comercialização local e internacional de animais e seus produtos.

Com isso, os países importadores estabelecem fortes barreiras aos produtos oriundos de regiões com foco de febre aftosa, afetando de maneira significativa a economia.

Por estes motivos a vacinação é obrigatória na maioria dos estados do Brasil, exceto naqueles que são considerados livres da doença sem vacinação, como Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Acre, Rondônia e algumas regiões do Amazonas e Mato Grosso.

Apesar de não impedir a entrada do vírus, a vacina funciona como uma medida de controle da doença, e deve ser feita em todas as propriedades de acordo com o calendário de vacinação do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa.

Bibliografia consultada:

-Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural RS – Orientações Técnicas – Disponível em https://www.agricultura.rs.gov.br/upload/arquivos/201710/10153339-folder-febre-aftosav3.pdf

-Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Perguntas frequentes. Disponível em https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/programas-de-saude-animal/febre-aftosa/documentos-febre-aftosa/PerguntasfrequentesFebreaftosa.pdf

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Autora:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Pereira Viana

Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa com mais de 10 anos de experiência trabalhando com pecuária leiteira.Criadora do perfil @dicasdazootecnista no Instagram.

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