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Ureia na alimentação de vacas leiteiras

By Agro Sem comentários

Entenda como o uso da ureia na alimentação das vacas pode reduzir o custo com a alimentação e melhorar a rentabilidade do produtor

A utilização de ureia na alimentação de ruminantes ocorreu a primeira vez em meados de 1914, na Alemanha. Desde então, tem sido utilizada na dieta de bovinos leiteiros por dois motivos: adequar o fornecimento de PDR (proteína degradável no rúmen) e reduzir o custo com suplementação proteica. Por ser uma fonte barata de nitrogênio não proteico, o uso da ureia pode reduzir a quantidade de farelo de soja ou outra fonte proteica utilizada na dieta.

A ureia é um composto orgânico de cor branca e solúvel em água e álcool. Quimicamente é classificada como amida e é considerada um composto nitrogenado não proteico. Não é classificada como proteína por não apresentar aminoácidos ligados por ligações peptídicas em sua estrutura (Maynard et al, 1984).

Estima-se que o fornecimento de 100 gramas de ureia equivale a produção de 280 gramas de proteína microbiana, devido a alta concentração de nitrogênio que ela possui, cerca de 45%.

Ureia para vacas leiteiras
  • Vantagens da utilização de ureia na alimentação de vacas leiteiras

    -É uma tecnologia de baixo custo e acessível a qualquer produtor;

    -Fonte de nitrogênio não proteico de baixo custo;

    -Reduz a perda de peso e produção de leite na época da seca;

    -Mantém e/ou estimula a produção de leite;

    -Reduz o custo com a alimentação, reduzindo assim o custo de produção.

    Metabolismo da ureia dentro do organismo

    Ao chegar ao rúmen a ureia é rapidamente solubilizada e se transforma em amônia (NH3). Esta amônia é utilizada pelos microrganismos que degradam a celulose e hemicelulose como fonte de nitrogênio para produção de proteína microbiana. Os microrganismos que degradam amido, pectina e açúcares e possuem crescimento mais rápido podem utilizar tanto amônia quanto aminoácidos como fonte de nitrogênio. Portanto, o fornecimento de ureia favorece o crescimento de diferentes tipos de microrganismos ruminais.

    A amônia não utilizada para a síntese de proteína microbiana é absorvida pela parede ruminal e transportada para o fígado através da veia porta, pois sua forma livre é tóxica para o animal. No fígado será convertida a ureia novamente, chamada de ureia endógena. Esta ureia terá os seguintes destinos: uma parte voltará ao rúmen, outra alcançará a saliva e outra parte será excretada na urina ou no leite.

    Este processo é chamado de ciclo da ureia.

    Toxidez

    Apesar dos benefícios do uso da ureia, o composto é altamente tóxico e pode causar danos à saúde do animal, inclusive a morte.

    Quando grandes quantidades de ureia são fornecidas aos animais, ocorre acúmulo de amônia no rúmen. Este acúmulo eleva o pH ruminal e favorece uma maior absorção de amônia, excedendo a capacidade detoxificadora do fígado e tamponante do sangue.

    A quantidade de ureia necessária para causar intoxicação depende de vários fatores, principalmente da velocidade de consumo, pH do rúmen e grau de adaptação do animal.

    Os sintomas mais frequentes de intoxicação por ureia são:

    -Agitação;

    -Falta de coordenação;

    -Intensa salivação;

    -Respiração ofegante;

    -Tremores musculares;

    -Micção e defecação constantes;

    -Avançado estágio de timpanismo.

    Em caso de intoxicação é recomendado o fornecimento via sonda de 2 a 3 litros vinagre (ácido acético), logo no aparecimento dos primeiros sintomas. O vinagre promove queda no pH do rúmen, reduzindo a absorção de amônia.

    Utilizando ureia com segurança

    Os carboidratos são fatores importantes na incorporação da amônia na proteína microbiana. Fontes de energia com alta degradabilidade, como amido e açúcares, favorecem a utilização da amônia para produção de proteína microbiana e aumentam a digestibilidade da fibra da dieta, pois ocorre aumento na população dos microrganismos ruminais.

    Em decorrência disso, a cana-de-açúcar é um volumoso muito utilizado junto com a ureia. O açúcar presente na cana fornece energia para os microrganismos ruminais degradarem a fibra e a ureia fornece nitrogênio, melhorando o teor proteico da dieta.

    Além disso, a ureia também pode ser utilizada na formulação de concentrados e sais minerais, substituindo parcialmente o farelo de soja ou outra fonte proteica.

    É importante observar alguns cuidados e recomendações no uso da ureia para que não haja problemas no seu fornecimento. Os animais devem passar por um período de adaptação para evitar quadros de toxidez.

    O período de adaptação deve ser de pelo menos uma semana, com fornecimento de doses pequenas.  Se for utilizar a ureia junto com a cana-de-açúcar, durante a primeira semana a quantidade de ureia deverá ser de 0,5% em relação à quantidade de cana. Na segunda semana pode-se aumentar o fornecimento para 1%. Também é importante ressaltar que junto com a ureia deve ser fornecido uma fonte de enxofre, na proporção de 9:1, sendo o sulfato de amônio a fonte mais utilizada.

    Veja o exemplo na foto abaixo:

Ureia Alimentação
Outras recomendações

-Limitar em até 5% de ureia no concentrado quando este for fornecido separadamente do volumoso;

-Após a adaptação, limitar o fornecimento de ureia a 30 gramas/100 kg de peso do animal/dia, não excedendo o limite de 200g/animal/dia;

-Misturar uniformemente a ureia com a ração;

-Fornecer o suplemento em cochos cobertos.

Quando bem utilizada, a ureia é uma aliada do produtor rural. Seguindo corretamente as recomendações, o produtor só tem a ganhar, pois a ureia é uma alternativa barata e viável para ser utilizada na pecuária leiteira.

Bibliografia consultada:

Uso de ureia na alimentação de ruminantes. Disponível em https://www.educapoint.com.br/blog/pecuaria-leite/uso-ureia-alimentacao-ruminantes/

Ureia na alimentação de vacas leiteiras. Disponível em https://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/infoteca/bitstream/doc/571977/1/doc186.pdf

Uso de ureia na alimentação de vacas leiteiras. Disponível em https://www.locus.ufv.br/bitstream/123456789/13000/1/texto%20completo.pdf

Marcondes, M.I; Rotta,P.P; Silva, M.O.R da. Cálculo de ração e alimentos para bovinos leiteiros Ed.UFV 2019

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Autora:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Pereira Viana

Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa com grande experiência em qualidade do leite, tendo atuado por mais de 9 anos junto aos produtores de variadas regiões do país.

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Estresse térmico em vacas leiteiras

By Agro Sem comentários

Saiba como o estresse térmico afeta as vacas leiteiras e qual impacto ele causa na produção de leite.

O estresse térmico é um dos fatores de maior importância econômica na atividade leiteira, pois impacta diretamente na produção e reprodução das vacas. Vacas de alta produção sofrem ainda mais com as condições climáticas tropicais devido à grande produção de calor oriunda da ingestão de maiores quantidades de alimentos.

A produção de calor metabólico aliada às altas temperaturas do ambiente diminuem a capacidade do animal de regular a sua temperatura e dissipar o calor. Esta condição é conhecida como estresse térmico.

Animais de raças europeias, especialmente as vacas Holandesas, são mais sensíveis ao calor e se expressam melhor em temperaturas entre 4 e 24°C. Em temperaturas mais altas é necessário fornecer condições que minimizem o estresse térmico, a fim de reduzir perdas na produção.

Como identificar os sintomas do estresse térmico?

As vacas mostram alguns sintomas quando estão sofrendo com o calor, como:

-Aumento da frequência respiratória acima de 80 movimentos por minuto em 70% dos animais do lote

-Boca aberta e língua para fora, na tentativa de trocar calor com o ambiente

-Temperatura retal maior que 32,9°C em 70% dos animais do lote

-Aumento da ingestão de água

-Redução do consumo de alimentos e consequente queda na produção de leite

Impacto do estresse térmico na produção animal

O impacto mais conhecido é a queda na produção de leite, devido a redução no consumo de alimentos. Mas o estresse térmico também afeta o metabolismo, a reprodução e a saúde das vacas.

A mudança no comportamento alimentar e na quantidade de alimento ingerida são estratégias para minimizar a produção de calor. As vacas passam a se alimentar mais nas horas mais frescas do dia, e de forma rápida, o que aumenta o risco de redução do pH ruminal e consequente acidose. Com menos nutrientes disponíveis, a produção de leite começa a diminuir, podendo chegar a 30% de redução.

Além da produção, a reprodução também é afetada. As vacas começam a expressar o cio nas horas mais frescas do dia, dificultando a observação, e a duração do cio também é menor. A taxa de concepção fica comprometida e animais prenhes podem sofrer abortos, além de aumentar a incidência de metrite e retenção de placenta.

A qualidade do colostro de vacas que sofreram estresse térmico no período seco e pré-parto também fica comprometida, e a cria nasce com maiores chances de desenvolver doenças e ter problemas ao longo do seu crescimento. A produção de leite desta cria na primeira lactação também é afetada negativamente, por causa do estresse térmico que a mãe sofreu durante a gestação.

O sistema imunológico fica comprometido e o animal fica mais susceptível a desenvolver doenças como a mastite.

Estratégias para minimizar o estresse térmico

Existem algumas alternativas que os produtores podem utilizar para minimizar um pouco o estresse térmico e seus impactos na produção de leite.

  • Modificação física do ambiente:

Promover sombra e ventilação para os animais. Vacas resfriadas aumentam o consumo, o que ajuda na produção de leite. Se os animais são criados a pasto, é fundamental que haja sombra natural ou artificial para as vacas, como árvores e sombrites. Se são animais criados em galpões de confinamento, é necessário o uso de ventiladores e aspersores, para ajudar na dissipação de calor.

O uso destes equipamentos na sala de espera da ordenha também auxilia no conforto dos animais.

controle de Estresse térmico em vacas leiteiras
  • Fazer ajustes nutricionais:

-A dieta deve conter alta quantidade de nutrientes e baixo incremento calórico. Uma boa opção é aumentar a densidade energética da dieta utilizando alimentos que contenham alto teor de gordura.

-Utilizar tamponantes para estabilizar o pH do rúmen.

-Estimular o consumo da dieta.

-Alimentar as vacas nos horários mais frescos do dia, no início da manhã e final da tarde, evitando os horários mais quentes.

  • Realizar manejos nas horas mais frescas do dia.
  • Oferecer água limpa à vontade. O consumo de água aumenta consideravelmente no período de estresse.
  • Uso de raças geneticamente mais tolerantes ao calor:

Animais zebuínos ou provenientes do cruzamento de taurinos e zebuínos, como é o caso dos girolandos, são mais tolerantes ao calor e sofrem menos com o estresse térmico.

Garantir condições de conforto para as vacas, especialmente nos dias mais quentes, é o caminho para evitar queda na produção de leite e baixo desempenho reprodutivo do rebanho, que afeta negativamente a rentabilidade do produtor.

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Dietas de alto grão para bovinos de corte

By Agro Sem comentários

Conheça mais sobre a dieta de alto grão para bovinos de corte e saiba por que o uso desta alimentação vem crescendo nos confinamentos do país

O uso de confinamentos para terminação de bovinos tem aumentado cada vez mais no Brasil. Isso porque o confinamento permite uma redução no tempo de espera para o abate dos animais, libera áreas de pastagem para outras categorias, além de  possibilitar a terminação em períodos de entressafra e permitir que características desejáveis da carcaça sejam atingidas.

Uma das desvantagens do uso do confinamento é o manejo alimentar. Toda alimentação deve ser fornecida no cocho, que aumenta o manejo e os custos.

Nos últimos anos muitos confinamentos têm adotado o uso de dietas com maior quantidade de concentrado, pensando em reduzir a mão-de-obra para produção, armazenamento e utilização do volumoso, além de aumentar o ganho de peso diário dos animais, reduzir o tempo para o abate e aumentar a lucratividade.

O que é a dieta de alto grão?

Dietas de alto grão são aquelas que possuem acima de 65% de grãos na matéria seca, podendo chegar a 90%.

O uso desta dieta diminui o ciclo de produção, pois permite alto desempenho dos animais, quando bem conduzida. Como é uma dieta rica em concentrado, a produção de propionato dentro do rúmen será maior, o que possibilita uma maior síntese de gordura e proteína, melhorando a qualidade da carcaça.

Vantagens da dieta de alto grão

Conheça algumas vantagens de se utilizar a dieta de alto grão no confinamento dos bovinos:

1-Aumento de energia da dieta: Quanto maior o consumo de energia pelo animal, maior a sua capacidade de ganhar peso.

2- Reduz a necessidade de área para produção de volumoso: estas áreas podem ser usadas para outras categorias animais, além de não ser mais necessária a produção de silagem.

3-Reduz a linha de cocho disponível: com isso há a redução dos custos com infraestrutura. A linha de cocho pode ser de 50 centímetros com dieta de alto grão.

4-Aumento do ganho de peso: isso ocorre por causa do alto teor energético da dieta.

5- Aumento do peso de abate dos animais: ocorre devido ao maior ganho de peso e eficiência alimentar.

6-Melhora a deposição de gordura na carcaça:  a alta densidade energética permite um maior peso ao abate, conferindo uma carcaça de melhor qualidade e com maior valor agregado.

7-Maior remuneração: o melhor acabamento da carcaça pode gerar bonificações por parte dos frigoríficos.

Cuidados a serem tomados antes de adotar a dieta de alto grão

1 – Adaptação

Por ser uma dieta totalmente diferente das convencionais, os animais necessitam passar por um período de adaptação, para evitar problemas metabólicos como a acidose ruminal.

Ocorrem mudanças significativas no ambiente ruminal quando o animal começa a receber uma dieta com maior quantidade de grãos. O aumento de grãos leva a uma maior fermentação e produção de ácidos graxos voláteis, diminuindo o pH do rúmen e levando a uma acidose ruminal, que pode ser clínica ou subclínica. Animais em acidose demoram mais para ganhar peso e depositar gordura na carcaça, permanecendo por períodos maiores dentro do confinamento.

Para evitar isso é necessário que eles passem por um período de adaptação à nova dieta, que, segundo a revisão de literatura de Brown et al (2006), não deve ser menor que 14 dias.

Na adaptação os animais devem receber dietas com diferentes proporções de volumoso e concentrado, antes do início da dieta definitiva. É importante ter o acompanhamento de um profissional nutricionista para que essa transição de dietas ocorra da melhor forma possível.

alto grão para bovinos de corte
2-Escolha do grão

Existem várias opções de grãos que podem ser utilizados, cada um com sua composição de nutrientes. O nutricionista poderá avaliar qual a melhor opção para o confinamento, levando em consideração as metas de desempenho, utilização de suplementos, transporte e armazenamento dos grãos.

3- Uso de tamponante

O uso de tamponante se faz necessário neste tipo de dieta.  Conhecido também como núcleo, ele geralmente é peletizado e contém uma quantidade mínima suficiente de fibra, minerais e vitaminas.

4- Disponibilidade de água

O acesso dos animais à água limpa e de qualidade deve ser irrestrito.

O confinamento com dieta de alto grão é uma alternativa para aumentar a lucratividade do pecuarista, mas deve ser conduzida por um profissional capacitado, para poder maximizar o potencial produtivo dos animais e agregar maior valor ao produto.

Lembre-se: as bezerras são os animais de reposição da propriedade, serão as futuras vacas. Todo cuidado deve ser dado nesta fase, para que elas cresçam e se desenvolvam saudáveis, podendo expressar todo o seu potencial genético quando se tornarem vacas.

Bibliografias consultadas:

7 motivos para usar dietas de alto concentrado. Disponível em : https://www.educapoint.com.br/blog/pecuaria-corte/7-motivos-usar-dietas-alto-concentrado/

Dietas de alto grão e suas consequências. Disponível em https://www.beefpoint.com.br/dietas-de-alto-grao-e-suas-consequencias-46436/

Adaptação de animais confinados às dietas de alto grão. Disponível em https://www.beefpoint.com.br/adaptacao-de-animais-confinados-as-dietas-de-alto-grao-34242/

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Manejo de bezerras leiteiras do nascimento à desmama

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Saiba como fazer o correto manejo das bezerras do nascimento à desmama, para que elas se tornem boas vacas no futuro

Os cuidados com as bezerras começam antes mesmo do nascimento. As vacas precisam receber cuidados especiais no terço final da gestação, como uma boa nutrição e conforto térmico, para que possam produzir colostro com quantidades adequadas de imunoglobulinas, que posteriormente serão transmitidas à bezerra.

Vacas que não passam pelo período seco produzem colostro de baixa qualidade, o que compromete a saúde e o desenvolvimento da bezerra.

O local de nascimento do bezerro também é um ponto que devemos dar atenção. Bezerra que nasce em local sujo têm maiores chances de se contaminar e ficar doente.

Manejo de bezerras leiteiras

A criação de bezerras é uma das fases mais importantes da atividade leiteira, pois os animais enfrentam muitos desafios que podem afetar o seu desenvolvimento e o seu desempenho futuro quando se tornarem vacas. Veja a seguir quais as práticas de manejo que devem ser adotadas para garantir o crescimento saudável e um bom desenvolvimento das bezerras.

1 – Fornecimento de colostro

Além da função nutritiva, o colostro também é responsável pela transferência de imunidade passiva às bezerras. Durante a gestação não ocorre a passagem de anticorpos da vaca para a bezerra, sendo necessário fornecer o colostro para ela adquirir essa imunidade.

Durante muito tempo foi recomendado fornecer o colostro na quantidade de 10% do peso corporal. Hoje essa recomendação já não faz muito sentido, pois vários estudos mostram que o fornecimento de 15 a 20% do peso corporal traz maiores benefícios e garante uma melhor transferência de imunidade.

Para avaliar a qualidade do colostro é utilizado o refratômetro de Brix, que indica se o colostro possui boa qualidade imunológica.

O tempo de fornecimento também é importante. Dentro das primeiras 2 horas de vida deve-se fornecer 10% do peso corporal de colostro, e depois mais 5%, dentro de 6 a 8 horas após o nascimento.

Exemplo: Peso corporal de 40kg

-Primeira mamada: 4 litros em até 2 horas após o nascimento

-Segunda mamada: 2 litros em até 6-8 horas após o nascimento.

2 – Cura do umbigo

A desinfeção do umbigo também deve ser feita logo após o nascimento, imergindo todo o cordão umbilical até a sua base na tintura de iodo com concentração a 10%. Isso deve se feito 2 vezes ao dia, por 5 dias, até que o umbigo seque.

3 – Fornecimento de leite

Forneça pelo menos 6 litros de leite ou 15% do peso corporal da bezerra, 2 vezes ao dia. Esse leite não deve conter resíduos de medicamentos. Se for leite que tenha alta CCS é aconselhável pasteurizá-lo antes de fornecer.

Se optar por utilizar sucedâneo, escolha aquele com teor de proteína entre 22 e 27%, e que utilize pelo menos 50% da proteína oriunda de fontes lácteas.

A higiene dos utensílios, como baldes, bicos e mamadeiras tem papel fundamental na saúde das bezerras. Deve-se ter atenção com a limpeza.

O número de dias que as bezerras deverão ser aleitadas varia de acordo com o objetivo de cada propriedade. Pode-se fazer o desaleitamento quando elas estiverem consumindo de 1 a 1,5 kg de concentrado.

4 – Fornecimento de água e concentrado

Água e concentrado devem ser fornecidos desde o primeiro dia de vida da bezerra.

A água deve ser limpa e de qualidade.

O concentrado deverá ter PB acima de 18%, com bom balanceamento de aminoácidos essenciais. Ele pode ser farelado ou peletizado, contanto que tenha ingredientes de qualidade na sua composição.

5-Fornecimento de volumoso

O volumoso pode ser fornecido a partir de 40 dias, em pouca quantidade, para não comprometer o consumo de concentrado. Alimentos fermentados como silagens não devem ser fornecidos antes dos 60 dias.

6- Instalações

O ambiente que as bezerras ficam deve ser seco, arejado, limpo e confortável, protegendo-as do sol, chuva e frio.

Ambientes sujos são fontes de contaminação e disseminação de doenças, por isso as instalações devem ser sempre limpas.

7- Desmama ou desaleitamento

A desmama é uma fase crítica para as bezerras, e por isso deve ser feita da melhor forma possível.

Para minimizar o estresse sofrido pelas bezerras, a desmama deve ser feita de forma gradual, reduzindo aos poucos a quantidade de leite oferecida. Outra prática que facilita essa transição é o fornecimento de dieta de bezerras desmamadas em torno de 10 dias antes do desaleitamento, para que elas se acostumem e não reduzam o consumo quando forem desaleitadas.

Se possível, faça o desaleitamento de pequenos grupos por vez. Dessa forma elas se sentirão mais acolhidas e o estresse será menor.

8-Saúde

É imprescindível manter atualizado o calendário sanitário e de vacinação. As vacinas que deverão ser aplicadas variam de acordo com o desafio enfrentado em cada propriedade, sendo obrigatória somente a vacina contra brucelose nas bezerras de 3 a 8 meses de idade. A vermifugação também deve ser feita.

A mochação deverá ser feita antes da bezerra completar 5 semanas de vida, utilizando um anestésico e analgésico.

Lembre-se: as bezerras são os animais de reposição da propriedade, serão as futuras vacas. Todo cuidado deve ser dado nesta fase, para que elas cresçam e se desenvolvam saudáveis, podendo expressar todo o seu potencial genético quando se tornarem vacas.

Boas Práticas de Manejo de Bezerros Leiteiros – Zoetis. Disponível em https://www.zoetisus.com/global-assets/private/manual-bezerros-leiteiros-e-book.pdf

Manual Alta Cria – Padrão Ouro de Bezerras Leiteiras

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leite de qualidade

Importância da produção de leite com qualidade

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Saiba por que o leite deve ser produzido com qualidade e como isso impacta em toda cadeia produtiva

Produzir leite com qualidade se torna cada vez mais necessário, não apenas porque existem normativas que devem ser cumpridas, mas por melhorar a lucratividade da atividade e atender aos consumidores que estão cada vez mais exigentes.

O leite é considerado um produto completo, nobre, com alto valor nutricional e indicado para ser consumido por todas as faixas etárias. Sendo assim, é indispensável que seja produzido e processado dentro dos parâmetros de qualidade, pois será consumido por bebês, crianças, jovens, adultos e idosos.

Mas afinal, o que é um leite de qualidade? Segundo a Embrapa Gado de Leite, “o  leite de qualidade é definido por ser seguro para quem o consome, pois não veicula doenças ou bactérias patogênicas; ter reduzida contagem de células somáticas (CCS); ter reduzida contagem bacteriana total (CBT); ser livre de resíduos químicos (principalmente antimicrobianos e endectocidas); possuir composição adequada (teor de proteína, gordura, lactose); e preservar as características de cor, gosto e cheiro (livre de fraudes).”

Por que o produtor deve produzir leite com qualidade?

Só o fato de o leite ser um alimento nobre e muito perecível já justificaria um maior cuidado e atenção durante a sua produção. Mas existem alguns fatores que fomentam a produção de leite com qualidade na propriedade.

Atualmente estão em vigor as instruções normativas 76 e 77 do MAPA, que discorrem sobre as etapas da produção de leite, desde a fazenda até o seu processamento na indústria.

  • A IN76 trata do regulamento técnico de identidade e qualidade do leite cru refrigerado, pasteurizado e pasteurizado tipo A. Os parâmetros principais desta normativa são a CCS, que deverá ser de no máximo 500 mil células/ml e a CBT ou CPP (contagem padrão em placas), que deverá ser de no máximo 300 mil/ml, considerando a média geométrica trimestral. Também prevê a suspensão da coleta pelo laticínio caso a CBT ou CPP esteja fora do padrão.

Ou seja, o produtor tem uma referência de valor que deverá ser cumprido para não ser penalizado.

Já a IN77 trata dos critérios para produção, acondicionamento, conservação, transporte, seleção e recepção do leite cru nos estabelecimentos que irão receber e /ou processar o leite.

  • Além das normativas, outro fator é levado em conta quando se trata de produzir leite com qualidade: a remuneração. Muitos laticínios possuem programas de bonificação do preço do leite para incentivar a qualidade. Esta bonificação compreende os resultados de CBT, CCS e porcentagem de sólidos do leite (gordura e proteína). Com isso, há um aumento ou decréscimo no preço de leite que será pago.
  • Um outro fator está diretamente relacionado com a lucratividade, mas muitas vezes passa despercebido ao produtor. É a saúde da glândula mamária. O valor de CCS nos diz se o animal está com a glândula mamária sadia ou infectada. Valores de CCS acima de 200 mil células/mL indicam que os animais estão com mastite (que pode ser clínica ou subclínica), e isso causa queda na produção do leite. Essa queda pode chegar a 29% da produção na lactação. Animais sadios produzem mais leite e garantem mais renda ao produtor.

Por que a qualidade é importante para a indústria?

De forma semelhante com o que ocorre com o produtor, a qualidade do leite impacta diretamente na lucratividade da indústria.

Ao adquirir e processar um leite de qualidade os produtos terão maior rendimento, maior segurança para serem consumidos e melhores características sensoriais.

Leite com alta CCS impacta fortemente a produção de queijos, reduzindo seu rendimento. Em leite UHT pode causar geleificação e sedimentação, além de deixar gosto amargo nos produtos láticos. Isso ocorre devido a presença da protease plasmina que resiste aos processos de pasteurização e tratamento UHT, e causa esses defeitos de fabricação.

Já o leite com alta CBT pode causar gosto de ranço nos produtos lácteos, além de reduzir o rendimento e a vida de prateleira. Esse gosto advém das proteases e lipases das bactérias psicotrópicas presentes nesse leite.

Qualidade do leite na produção de queijo

Esses defeitos não causam danos à saúde humana, mas provocam perdas econômicas e rejeição por parte dos consumidores.

Os programas de melhoria de qualidade praticados pelas empresas, indústrias e governo auxiliam toda a cadeia produtiva e devem ser incentivados por todos. A conscientização e capacitação dos produtores é o primeiro passo para que possamos melhorar a qualidade do nosso leite.

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Vacas Leiteras

Ferramentas para o melhoramento genético de vacas leiteiras

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Conheça as ferramentas utilizadas para promover o melhoramento genético de vacas leiteiras e aumentar a produtividade dos animais

Os programas de melhoramento genético se tornaram amplamente difundidos entre os produtores de leite. Isso porque o objetivo de se fazer o melhoramento genético no rebanho é identificar e utilizar animais com bom desempenho para a produção de leite, além de agregar outras características de importância econômica.

Os animais de uma mesma espécie possuem os mesmos genes, mas os alelos, que são formas alternativas desses genes, é que promovem as diferenças entre os indivíduos. Assim, o melhoramento genético é a mudança na frequência dos alelos dos genes, através de processos

Ferramentas do melhoramento genético

Existem duas ferramentas disponíveis para promover o melhoramento genético: a seleção e o sistema de acasalamento.

1- Seleção

É um processo que permite que os melhores touros sejam utilizados como reprodutores com maior intensidade. A identificação dos animais superiores é feita através de avaliações genéticas, podendo ser a tradicional, por meio do pedigree, ou a genômica, adicionando marcadores moleculares.

A avaliação genética tradicional busca estimar o mérito genético dos animais que serão pais da próxima geração. Normalmente utiliza-se o teste de progênie para coleta de dados. Neste teste o sêmen do reprodutor é coletado e utilizado para inseminar as vacas. É feito o acompanhamento do nascimento das filhas até o encerramento da sua lactação, avaliando essas filhas pela sua produção de leite e outras características de interesse econômico. Ou seja, o touro tem o seu valor genético estimado com base nos desempenhos de suas filhas. É um processo longo, que dura em média de 5 a 7 anos. O resultado é expresso em PTA – Habilidade Prevista de Transmissão – que corresponde à metade do valor genético do animal, e o produtor faz a escolha dos melhores reprodutores e matrizes de acordo com os seus objetivos de seleção.

Na avaliação genômica são utilizados marcadores moleculares para identificar inúmeras características. Ela tem o potencial de aumentar o ganho genético, reduzindo o intervalo de geração e aumentando a intensidade de seleção. É possível avaliar os animais com relação à produção de leite, sólidos, conformação, facilidade de parto, predisposição a doenças, tipo de caseína (a2a2), etc.

2- sistema de acasalamento

Consiste na determinação de quais touros serão utilizados ou acasalados com as fêmeas do rebanho. Possui como objetivos o controle da consanguinidade, correções genéticas, ajustes morfológicos e obtenção de animais com avaliações genéticas extremas, onde acasalam os melhores machos com as melhores fêmeas.

Melhoramento genético vaga leiteira

Tecnologias reprodutivas que possibilitam o melhoramento genético

Algumas tecnologias facilitam o acesso ao melhoramento genético do rebanho. São elas:

-Inseminação artificial (IA): permite melhorar a genética através do uso de sêmen de touros provados, com um baixo custo.

-Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF): permite inseminar os animais no mesmo dia e horário, não dependendo da observação de cio. São feitos protocolos de sincronização hormonal, e ao final as vacas são inseminadas.

-Fertilização in vitro (FIV): é utilizada para agilizar a produção de bovinos geneticamente superiores. Além disso, permite a utilização de fêmea de boa genética, que por algum motivo não pode se reproduzir de maneira convencional.

-Transferência de embrião (TE): é uma técnica que remove um ou mais embriões do trato reprodutivo de uma fêmea doadora e os transfere para uma ou mais fêmeas receptoras.

Para que todo o potencial estimado com o melhoramento genético possa ser expresso, é fundamental que haja um bom manejo da fazenda. A quantidade de leite e de sólidos que um animal produz é resultado de sua capacidade genética aliada às boas condições ambientais e de manejo. Forneça o que seus animais precisam, e eles irão produzir ao máximo.

A utilização da genômica nas fazendas leiteiras – disponível em https://rehagro.com.br/blog/genomica-nas-fazendas-leiteiras/

Evolução da avaliação genética em gado de leite – disponível em https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/evolucao-da-avaliacao-genetica-em-gado-de-leite-207478/

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Autora:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Pereira Viana

Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa com grande experiência em qualidade do leite, tendo atuado por mais de 9 anos junto aos produtores de variadas regiões do país.

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Bovinos de Corte

Uso de IATF em bovinos de corte

By Agro Sem comentários

Saiba como o uso da IATF em bovinos de corte pode te ajudar a aumentar a produção de bezerros e melhorar a sua lucratividade

A pecuária de corte no Brasil é conhecida pelos seus números expressivos. Apesar do país possuir o maior rebanho comercial do mundo, temos muito a melhorar no quesito produtividade, e isso está diretamente relacionado com a capacidade reprodutiva do plantel em produzir mais bezerros ao ano.

Há um excesso de área de pastagens ocupadas por fêmeas com baixo desempenho reprodutivo, o que resulta em baixa produtividade/hectare. Com menos bezerros para cria, recria e engorda, o pecuarista não obtém a lucratividade desejada.

Uma das ferramentas utilizadas para melhorar a eficiência reprodutiva é a IA – inseminação artificial. O uso da inseminação artificial vem sendo adotado há alguns anos, porém, alguns fatores limitantes reduzem o sucesso da tecnologia, como a dificuldade de observação e detecção de cio e problemas de manejo para separar as vacas a serem inseminadas dentro de grandes rebanhos.

Para solucionar isso, uma nova tecnologia foi desenvolvida, a IATF – inseminação artificial em tempo fixo, que permite que as vacas sejam inseminadas sem a necessidade de observação de cio, além de induzir a ciclicidade nas fêmeas em anestro (ausência de cio), o que melhora a eficiência reprodutiva.

Sobre a IATF

A IATF é uma biotécnica aplicada para o controle das ovulações, de modo que as inseminações ocorram em horário pré-determinado. Com isso, as inseminações são programadas para um momento mais apropriado a técnicos e produtores, dispensando-se a maior limitação da IA convencional, a observação de estro (TORRES-JÚNIOR et al., 2009).

O uso da IATF facilita o manejo reprodutivo nas fazendas, pois concentra a estação de monta em períodos mais favoráveis de acordo com os objetivos de cada fazenda.

Existem diversos protocolos de IATF, mas a maioria consiste na colocação de implantes intravaginais contendo progesterona, que são retirados após 7 a 10 dias. Também é aplicado o hormônio estradiol de forma intramuscular. Existem diversos tipos de protocolos no mercado, este é apenas um deles. Antes de iniciar um protocolo de IATF, é importante considerar as categorias que serão trabalhadas, e o médico veterinário é o responsável por escolher qual o melhor protocolo que deverá ser utilizado na propriedade.

IATF - Implante de progesterona

Conheça algumas vantagens do uso da IATF

-Oportunidade de inseminar vacas sem a necessidade da observação de cio;

-Inseminação de vacas em anestro;

-Antecipação das prenhezes dentro da estação de monta;

-Diminuição da duração da estação de monta;

-Facilita o manejo, pois concentra os partos numa determinada época;

-Padronização do rebanho e homogeneidade dos lotes de manejo;

-Aceleração do melhoramento genético do rebanho;

-Monitoramento mais preciso das perdas de gestação.

Fatores que afetam a taxa de prenhez quando se utiliza IATF

Apesar das inúmeras vantagens, o produtor deverá ficar atento a alguns fatores que afetam a taxa de prenhez da IATF, como:

-Escore de condição corporal ECC): indica a condição nutricional da vaca e impacta diretamente no resultado da IATF, pois vacas com baixo ECC têm dificuldades para emprenhar.

-Categoria animal: normalmente vacas multíparas (que tiveram um ou mais partos) apresentam maiores taxas de prenhez do que as novilhas que nunca pariram. Se as novilhas estiverem com baixo ECC, a redução na taxa de prenhez será maior ainda, pois novilhas ainda estão em fase de crescimento e não atingiram o peso adulto, tendo uma exigência nutricional maior.

-Qualidade do sêmen: alguns touros resultam numa taxa de prenhez mais elevada quando comparado com outros touros.

-Inseminador: é de extrema importância possuir colaboradores treinados e capacitados para realizar as inseminações e obter bons resultados com a IATF. Uma sugestão é avaliar os resultados por inseminador e constantemente promover cursos e treinamentos de capacitação para melhorar a técnica.

-Profissional especializado: contratar um profissional especializado ajudará a otimizar os processos e garantir que todas as etapas da IATF sejam feitas da maneira correta, como a escolha do protocolo, sêmen a ser utilizado e manuseio dos medicamentos.

-Estrutura física adequada: ter uma estrutura que facilite o manejo é fundamental para que a fêmea esteja contida adequadamente e os colaboradores envolvidos possam executar as operações com tranquilidade e segurança.

O uso da IATF nos rebanhos de gado de corte  impacta positivamente todo o sistema de produção, e quando bem utilizada aumenta a produtividade e traz bom retorno financeiro para o pecuarista.

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Mastite: ordenha de leite automática

Mastite: prevenção e controle

By Agro Sem comentários

Saiba as formas de prevenir e controlar a mastite, esta doença que causa inúmeros prejuízos à atividade leiteira

A mastite, também conhecida por mamite, é a doença de maior impacto econômico no rebanho leiteiro. É uma inflamação da glândula mamária causada por microrganismos como bactérias, fungos, leveduras e algas, que compromete a saúde dos animais e a qualidade do leite produzido. Além dos gastos com medicamentos, descarte de leite e de animais, o maior impacto da mastite se dá pela redução da produção de leite.

De acordo com a forma de manifestação, a mastite pode ser classificada em clínica e subclínica. A forma clínica se manifesta através de grumos e coágulos no leite, que é o grau mais leve da doença. A alteração no leite pode ser acompanhada de inchaço, dor e vermelhidão do úbere, nos casos moderados,  e em casos mais graves, de  febre e prostração.

A mastite subclínica não apresenta alterações visuais no leite, mas ocorre aumento na CCS, redução da produção e alteração na composição do leite.

Quanto à forma de transmissão, a mastite é classificada em mastite contagiosa e ambiental. A mastite contagiosa é transmitida de uma vaca doente para uma vaca sadia, através de práticas de ordenha inadequadas. Já na mastite ambiental a transmissão ocorre no próprio ambiente que a vaca vive, principalmente nos locais onde ela deita, como camas sujas e lugares com muito barro e umidade.

Identificação da mastite

Após constatar casos de mastite no rebanho, é preciso identificar todos os animais que apresentam, a doença, seja na forma clínica ou subclínica.

A mastite clínica é identificada através do teste da caneca de fundo escuro, onde se descarta os três primeiros jatos de cada teto e verifica se há alterações no leite.

Já a mastite subclínica pode ser identificada através do teste do CMT, que indica quais quartos mamários possuem maior número de células somáticas, e também através da contagem individual de CCS, feita em laboratório.

A cultura microbiológica é uma ferramenta indispensável quando se trata de diagnosticar o agente causador da mastite.

Medidas de prevenção e controle da mastite

As medidas de controle e prevenção têm o objetivo de reduzir novas infeções, eliminar as infeções existentes e monitorar a saúde da glândula mamária dos animais.

A redução de novas infeções pode ser feita através de boas práticas de ordenha, higiene do ambiente, manutenção dos equipamentos, uso de selante na secagem e aumento da imunidade dos animais.

Boas práticas de ordenha:

  • Descartar os três primeiros jatos de cada teto para diagnosticar mastite subclínica;
  • Desinfetar os tetos com solução desinfetante pré-dipping;
  • Secar os tetos com papel toalha descartável e não utilizar toalhas de pano;
  • Ao término do fluxo de leite, não pressionar as teteiras para forçar a saída de mais leite do úbere;
  • Desinfetar os tetos com solução de pós-dipping
Tirando leite da vaca do modo certo para evitar mastite

Higiene do ambiente

  • Manter as vacas em lactação, vacas secas e pré-parto em ambiente limpo e seco, sem acúmulo de barro e de umidade;
  • Realizar o correto manejo da cama em sistemas Compost Barn e Free Stall;
  • Dimensionar corretamente o local de permanência das vacas, evitando superlotação de animais.

Manutenção dos equipamentos de ordenha

  • As revisões dos equipamentos de ordenha devem ser feitas periodicamente, para evitar danos aos tetos e contaminação;
  • As teteiras devem ser trocadas de acordo com o número de ordenhas descrito pelo fabricante;
  • Os funcionários devem ser treinados para o correto manuseio dos equipamentos de ordenha.

Uso de selantes na secagem das vacas

  • O uso de selantes tem o objetivo de bloquear fisicamente a passagem entre o ambiente externo e o interior da glândula mamária, evitando novas infecções por patógenos ambientais.

Aumento da resposta imune dos animais

  • Promover uma boa nutrição mineral e vitamínica das vacas;
  • Oferecer conforto térmico;
  • Programa de vacinação contra mastite.

A eliminação das infecções existentes pode ser obtida pelo tratamento dos casos clínicos, tratamento de vaca seca e descarte de vacas com mastite crônica.

Tratamento de casos clínicos

  • Após identificar os animais acometidos e o agente causador, realizar o tratamento com uso de antibióticos. Atentar para o período de carência dos medicamentos e descarte do leite.

Tratamento de vaca seca

  • O tratamento de vaca seca tem o objetivo de eliminar a mastite subclínica que ocorreu durante a lactação, com uso de antibióticos de longa duração.
  • Além do tratamento, ele também previne o aparecimento de mastite durante o período seco e no pós-parto.
  • Aliado ao selante de teto, têm-se obtido bons resultados.

Segregação e descarte de vacas com mastite crônica

  • Vacas com mastite crônica devem ser ordenhadas por último ou serem descartadas, pois são fontes de infeção para as outras vacas e possuem baixa chance de cura com os tratamentos. Geralmente são animais infectados com Staphylococcus aureus, Nocardia spp, Pseudomonas, Prototeca ssp.

É importante salientar que todas as vacas que forem adquiridas de outros rebanhos devem ter uma amostra do leite coletado para cultura e avaliação de agentes causadores de mastite, de forma a evitar a disseminação da doença nas vacas sadias.

Fique atento com a mastite, cuide da saúde dos seus animais e garanta uma melhor produtividade e rentabilidade para a sua atividade.

Santos, Marcos Veiga dos; Fonseca, Luiz Fernando Laranja da. Controle da mastite e qualidade do leite – Desafios e soluções. 1ed. Pirassununga. Edição dos autores.

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Vacas

Principais distúrbios metabólicos que acometem as vacas leiteiras no pós parto

By Agro Sem comentários

Conheça os principais distúrbios metabólicos que acometem as vacas no pós-parto e saiba como preveni-los.

 

O pós-parto das vacas leiteiras é um período extremamente importante e delicado, onde ocorrem profundas mudanças metabólicas e hormonais. Deve-se ter uma atenção especial com os animais nesta fase, principalmente se as vacas forem de alta produção, pois tudo que ocorre nas duas semanas após o parto irá afetar toda a lactação do animal.

No período inicial de lactação, a vaca não consegue ingerir a quantidade ideal de alimentos e nutrientes que necessita para produzir leite, e acaba entrando numa condição chamada de balanço energético negativo.

Para conseguir produzir leite, o organismo utiliza as reservas corporais (tecido adiposo) para fornecer os nutrientes necessários, e com isso o animal perde peso.

O balanço energético negativo é uma condição normal e natural que acontece com todas as vacas, visto que o pico de produção de leite ocorre por volta de 4 semanas após o parto, ou seja, antes do pico de consumo de alimento, que só ocorre por volta da 8ª a 10ª semana. O problema acontece quando há um excesso de mobilização de gordura, devido ao escore de condição corporal inadequado após o parto.

Conheça os principais problemas que acometem as vacas no período pós-parto

  • Cetose

É um distúrbio metabólico que está diretamente relacionado ao balanço energético negativo, principalmente quando a vaca possui um alto escore de condição corporal, ou seja, está muito acima do peso recomendado na hora do parto.

O escore de condição corporal (ECC) serve para avaliar a quantidade de gordura corporal que a vaca possui, e é analisado numa escala que varia de 1 a 5, onde 1 a vaca está extremamente magra e 5 está extremamente gorda. O recomendado é que no momento do parto o ECC esteja entre 3 e 3,5. A imagem abaixo mostra os graus de ECC.

Vacas no Pós parto

Quando ocorre a mobilização de gordura corporal, há um aumento na concentração de corpos cetônicos no sangue. Esses corpos cetônicos são a acetona, o betahidroxibutirato(BHBA) e o acetoacetato. Estes compostos são utilizados como fonte de energia, mas quando estão em excesso eles se acumulam no fígado e podem causar esteatose hepática e hipoglicemia. De acordo com Santos (2006), vacas com cetose no início da lactação podem reduzir a produção de leite de 1 a 4 kg/dia.

A melhor forma de evitar quadros de cetose é acompanhar o ECC, que no momento do parto deve estar entre 3 e 3,5. Também deve-se fornecer uma dieta balanceada, de forma a maximizar a ingestão de matéria seca e minimizar a mobilização de gordura corporal.

  • Hipocalcemia

É um transtorno metabólico relacionado às concentrações de cálcio no sangue logo após o parto. É de extrema importância devido aos prejuízos que ela causa, como custos com tratamentos, mortes e complicações secundárias que podem surgir em decorrência da hipocalcemia, como retenção de placenta, mastite e deslocamento de abomaso.

As principais causas da hipocalcemia são a perda excessiva de cálcio pelo colostro, diminuição da absorção de cálcio intestinal após o parto e resposta lenta o paratormônio.

As vacas são diagnosticadas com hipocalcemia de acordo com o nível de cálcio no sangue, sendo:

Calcio > 8,0 mg/dL = normal

De 5 a 8mg/dL = hipocalcemia subclínica

<5mg/dL = hipocalcemia clínica

A baixa concentração de cálcio compromete a função muscular, afeta a imunidade e potencializa o surgimento de outras doenças. Para se evitar a hipocalcemia, tem-se utilizado dietas aniônicas aliadas ao fornecimento de forragem com baixo teor de potássio.

  • Deslocamento de abomaso

Afeta principalmente animais de grande porte e alta produção, que tendem a comer grandes quantidades de concentrado no início da lactação. A fermentação dessas quantidades de concentrado aumenta a produção de gás e diminui a motilidade do abomaso, podendo distender e provocar o seu deslocamento.

De acordo com Santos (2006), vacas com escore corporal acima de 4 possuem maior chance de deslocamento de abomaso.

O custo com a correção do deslocamento de abomaso é alto, e essa enfermidade está associada à diminuição da produção de leite.

Para evitar que isso ocorra, é recomendado ir aumentando a quantidade de concentrado fornecido desde o pré-parto, para adaptar o rúmen a uma dieta com maior taxa de passagem e limitar a quantidade de concentrado no pós-parto imediato. Aliado a isso, fornecer também fibra de boa qualidade e com adequado tamanho de partícula

Santos, Marcos Veiga dos; Fonseca, Luiz Fernando Laranja da. Controle da mastite e qualidade do leite – Desafios e soluções. 1ed. Pirassununga. Edição dos autores.

O que afeta a composição e a qualidade do leite? Aprenda Fácil editora. Disponível em https://www.afe.com.br/noticias/o-que-afeta-a-composicao-e-a-qualidade-do-leite#:~:text=Outros%20fatores%20que%20afetam%20a,nutri%C3%A7%C3%A3o%20e%20incid%C3%AAncia%20de%20doen%C3%A7as.

Ficou curioso e quer aprender mais sobre pecuária?
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Copo de leite

Fatores que influenciam a composição do leite

By Agro Sem comentários

Entenda como alguns fatores influenciam a composição do leite e como isso afeta a sua qualidade

O leite é composto por aproximadamente 87% de água e 13% de sólidos totais, que inclui gordura, proteína, lactose, vitaminas e minerais. Estes elementos constituem o valor nutricional do leite e podem variar de acordo com a raça, nível de produção, estágio de lactação, doenças, entre outros fatores.

De acordo com a Instrução Normativa 76, de26 de novembro de 2018, o leite deve apresentar as seguintes características na sua composição:

  • 3% de gordura
  • 2,9% de proteína
  • 4,3% de lactose
  • 8,4% de sólidos não gordurosos (todos os elementos do leite, exceto a gordura e a água)
  • 11,4% de sólidos totais (todos os elementos do leite, exceto a água)

Por suas propriedades e valores nutricionais, os laticínios buscam adquirir leite com valores mais altos de sólidos, especialmente gordura e proteína. Para isso, muitas indústrias já adotaram tabelas de pagamento por qualidade e composição, que bonificam e pagam um preço melhor para produtores que produzem leite com mais qualidade e quantidade de sólidos.

Copo de leite

Alguns fatores podem influenciar a composição do leite, aumentando ou reduzindo o teor de sólidos.

Confira quais são esses fatores:

  1. Genética:

A raça dos animais está diretamente relacionada com os teores de sólidos no leite. Um exemplo é a raça Jersey, que produz teores de gordura que podem variar de 4 a 6%, enquanto vacas da raça Holandesa produzem leite com teor de gordura entre 3 a 3,8%. O mesmo ocorre com os teores de proteína e minerais, que são mais altos na raça Jersey.

  1. Estágio de lactação:

O colostro, que é o primeiro leite secretado após o parto, difere do leite do restante da lactação, por conter elevado teor de sólidos totais e grande quantidade de imunoglobulinas. Durante os três primeiros meses de lactação a quantidade de proteína e gordura é menor, e à medida que a lactação se aproxima do final, esses teores vão aumentando.

  1. Ordem de lactação:

Vacas de primeira cria produzem leite com maior quantidade de sólidos, e a partir da segunda cria essa quantidade diminui.

  1. Manejo nutricional:

A gordura é o componente de maior variação de teores no leite, e é a mais influenciada pela alimentação. Dietas com alto teor de fibra, fibra com boa qualidade e adequado tamanho de partícula aumentam a produção de gordura no leite. O fornecimento de quantidades menores de concentrado também, pois a maior quantidade de fibra está relacionada com a produção de acetato no rúmen, que é um precursor da gordura do leite.

No caso da proteína, a manipulação através do manejo nutricional não é tão expressiva, pois o aumento que ocorre no teor de proteína é pequeno, se comparado com a gordura. A variação é de 0,1 a 0,4% somente. Além disso, os mecanismos que promovem um incremento no teor de proteína são, em sua maioria, opostos aos que promovem aumento no teor de gordura.

Para se obter sucesso com o manejo nutricional, é preciso cuidar do conforto dos animais, especialmente do conforto térmico. Nas épocas mais quentes do ano as vacas sofrem com o calor e entram em estresse térmico, que causa uma diminuição considerável no consumo de alimentos. Essa diminuição no consumo também afeta a produção de sólidos, especialmente a produção de gordura.

  1. Mastite:

A mastite é uma inflamação da glândula mamária causada por microrganismos, principalmente por bactérias. Além de reduzir a produção, a mastite também interfere na composição do leite. A mastite causa redução nos teores de lactose, caseína (que é a principal proteína do leite), gordura e altera os níveis de concentração dos minerais.

A composição do leite não é influenciada apenas por um fator, mas por vários, e por isso alterá-la não é uma tarefa muito fácil. Se você quer um leite com maiores quantidades de sólidos, comece escolhendo uma boa genética e faça os manejos da melhor forma possível, proporcionando saúde e conforto para os animais.

Santos, Marcos Veiga dos; Fonseca, Luiz Fernando Laranja da. Controle da mastite e qualidade do leite – Desafios e soluções. 1ed. Pirassununga. Edição dos autores.

O que afeta a composição e a qualidade do leite? Aprenda Fácil editora. Disponível em https://www.afe.com.br/noticias/o-que-afeta-a-composicao-e-a-qualidade-do-leite#:~:text=Outros%20fatores%20que%20afetam%20a,nutri%C3%A7%C3%A3o%20e%20incid%C3%AAncia%20de%20doen%C3%A7as.

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