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Vacas Leiteras

Ferramentas para o melhoramento genético de vacas leiteiras

By Agro Sem comentários

Conheça as ferramentas utilizadas para promover o melhoramento genético de vacas leiteiras e aumentar a produtividade dos animais

Os programas de melhoramento genético se tornaram amplamente difundidos entre os produtores de leite. Isso porque o objetivo de se fazer o melhoramento genético no rebanho é identificar e utilizar animais com bom desempenho para a produção de leite, além de agregar outras características de importância econômica.

Os animais de uma mesma espécie possuem os mesmos genes, mas os alelos, que são formas alternativas desses genes, é que promovem as diferenças entre os indivíduos. Assim, o melhoramento genético é a mudança na frequência dos alelos dos genes, através de processos

Ferramentas do melhoramento genético

Existem duas ferramentas disponíveis para promover o melhoramento genético: a seleção e o sistema de acasalamento.

1- Seleção

É um processo que permite que os melhores touros sejam utilizados como reprodutores com maior intensidade. A identificação dos animais superiores é feita através de avaliações genéticas, podendo ser a tradicional, por meio do pedigree, ou a genômica, adicionando marcadores moleculares.

A avaliação genética tradicional busca estimar o mérito genético dos animais que serão pais da próxima geração. Normalmente utiliza-se o teste de progênie para coleta de dados. Neste teste o sêmen do reprodutor é coletado e utilizado para inseminar as vacas. É feito o acompanhamento do nascimento das filhas até o encerramento da sua lactação, avaliando essas filhas pela sua produção de leite e outras características de interesse econômico. Ou seja, o touro tem o seu valor genético estimado com base nos desempenhos de suas filhas. É um processo longo, que dura em média de 5 a 7 anos. O resultado é expresso em PTA – Habilidade Prevista de Transmissão – que corresponde à metade do valor genético do animal, e o produtor faz a escolha dos melhores reprodutores e matrizes de acordo com os seus objetivos de seleção.

Na avaliação genômica são utilizados marcadores moleculares para identificar inúmeras características. Ela tem o potencial de aumentar o ganho genético, reduzindo o intervalo de geração e aumentando a intensidade de seleção. É possível avaliar os animais com relação à produção de leite, sólidos, conformação, facilidade de parto, predisposição a doenças, tipo de caseína (a2a2), etc.

2- sistema de acasalamento

Consiste na determinação de quais touros serão utilizados ou acasalados com as fêmeas do rebanho. Possui como objetivos o controle da consanguinidade, correções genéticas, ajustes morfológicos e obtenção de animais com avaliações genéticas extremas, onde acasalam os melhores machos com as melhores fêmeas.

Melhoramento genético vaga leiteira

Tecnologias reprodutivas que possibilitam o melhoramento genético

Algumas tecnologias facilitam o acesso ao melhoramento genético do rebanho. São elas:

-Inseminação artificial (IA): permite melhorar a genética através do uso de sêmen de touros provados, com um baixo custo.

-Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF): permite inseminar os animais no mesmo dia e horário, não dependendo da observação de cio. São feitos protocolos de sincronização hormonal, e ao final as vacas são inseminadas.

-Fertilização in vitro (FIV): é utilizada para agilizar a produção de bovinos geneticamente superiores. Além disso, permite a utilização de fêmea de boa genética, que por algum motivo não pode se reproduzir de maneira convencional.

-Transferência de embrião (TE): é uma técnica que remove um ou mais embriões do trato reprodutivo de uma fêmea doadora e os transfere para uma ou mais fêmeas receptoras.

Para que todo o potencial estimado com o melhoramento genético possa ser expresso, é fundamental que haja um bom manejo da fazenda. A quantidade de leite e de sólidos que um animal produz é resultado de sua capacidade genética aliada às boas condições ambientais e de manejo. Forneça o que seus animais precisam, e eles irão produzir ao máximo.

A utilização da genômica nas fazendas leiteiras – disponível em https://rehagro.com.br/blog/genomica-nas-fazendas-leiteiras/

Evolução da avaliação genética em gado de leite – disponível em https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/evolucao-da-avaliacao-genetica-em-gado-de-leite-207478/

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Autora:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Pereira Viana

Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa com grande experiência em qualidade do leite, tendo atuado por mais de 9 anos junto aos produtores de variadas regiões do país.

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Bovinos de Corte

Uso de IATF em bovinos de corte

By Agro Sem comentários

Saiba como o uso da IATF em bovinos de corte pode te ajudar a aumentar a produção de bezerros e melhorar a sua lucratividade

A pecuária de corte no Brasil é conhecida pelos seus números expressivos. Apesar do país possuir o maior rebanho comercial do mundo, temos muito a melhorar no quesito produtividade, e isso está diretamente relacionado com a capacidade reprodutiva do plantel em produzir mais bezerros ao ano.

Há um excesso de área de pastagens ocupadas por fêmeas com baixo desempenho reprodutivo, o que resulta em baixa produtividade/hectare. Com menos bezerros para cria, recria e engorda, o pecuarista não obtém a lucratividade desejada.

Uma das ferramentas utilizadas para melhorar a eficiência reprodutiva é a IA – inseminação artificial. O uso da inseminação artificial vem sendo adotado há alguns anos, porém, alguns fatores limitantes reduzem o sucesso da tecnologia, como a dificuldade de observação e detecção de cio e problemas de manejo para separar as vacas a serem inseminadas dentro de grandes rebanhos.

Para solucionar isso, uma nova tecnologia foi desenvolvida, a IATF – inseminação artificial em tempo fixo, que permite que as vacas sejam inseminadas sem a necessidade de observação de cio, além de induzir a ciclicidade nas fêmeas em anestro (ausência de cio), o que melhora a eficiência reprodutiva.

Sobre a IATF

A IATF é uma biotécnica aplicada para o controle das ovulações, de modo que as inseminações ocorram em horário pré-determinado. Com isso, as inseminações são programadas para um momento mais apropriado a técnicos e produtores, dispensando-se a maior limitação da IA convencional, a observação de estro (TORRES-JÚNIOR et al., 2009).

O uso da IATF facilita o manejo reprodutivo nas fazendas, pois concentra a estação de monta em períodos mais favoráveis de acordo com os objetivos de cada fazenda.

Existem diversos protocolos de IATF, mas a maioria consiste na colocação de implantes intravaginais contendo progesterona, que são retirados após 7 a 10 dias. Também é aplicado o hormônio estradiol de forma intramuscular. Existem diversos tipos de protocolos no mercado, este é apenas um deles. Antes de iniciar um protocolo de IATF, é importante considerar as categorias que serão trabalhadas, e o médico veterinário é o responsável por escolher qual o melhor protocolo que deverá ser utilizado na propriedade.

IATF - Implante de progesterona

Conheça algumas vantagens do uso da IATF

-Oportunidade de inseminar vacas sem a necessidade da observação de cio;

-Inseminação de vacas em anestro;

-Antecipação das prenhezes dentro da estação de monta;

-Diminuição da duração da estação de monta;

-Facilita o manejo, pois concentra os partos numa determinada época;

-Padronização do rebanho e homogeneidade dos lotes de manejo;

-Aceleração do melhoramento genético do rebanho;

-Monitoramento mais preciso das perdas de gestação.

Fatores que afetam a taxa de prenhez quando se utiliza IATF

Apesar das inúmeras vantagens, o produtor deverá ficar atento a alguns fatores que afetam a taxa de prenhez da IATF, como:

-Escore de condição corporal ECC): indica a condição nutricional da vaca e impacta diretamente no resultado da IATF, pois vacas com baixo ECC têm dificuldades para emprenhar.

-Categoria animal: normalmente vacas multíparas (que tiveram um ou mais partos) apresentam maiores taxas de prenhez do que as novilhas que nunca pariram. Se as novilhas estiverem com baixo ECC, a redução na taxa de prenhez será maior ainda, pois novilhas ainda estão em fase de crescimento e não atingiram o peso adulto, tendo uma exigência nutricional maior.

-Qualidade do sêmen: alguns touros resultam numa taxa de prenhez mais elevada quando comparado com outros touros.

-Inseminador: é de extrema importância possuir colaboradores treinados e capacitados para realizar as inseminações e obter bons resultados com a IATF. Uma sugestão é avaliar os resultados por inseminador e constantemente promover cursos e treinamentos de capacitação para melhorar a técnica.

-Profissional especializado: contratar um profissional especializado ajudará a otimizar os processos e garantir que todas as etapas da IATF sejam feitas da maneira correta, como a escolha do protocolo, sêmen a ser utilizado e manuseio dos medicamentos.

-Estrutura física adequada: ter uma estrutura que facilite o manejo é fundamental para que a fêmea esteja contida adequadamente e os colaboradores envolvidos possam executar as operações com tranquilidade e segurança.

O uso da IATF nos rebanhos de gado de corte  impacta positivamente todo o sistema de produção, e quando bem utilizada aumenta a produtividade e traz bom retorno financeiro para o pecuarista.

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Mastite: ordenha de leite automática

Mastite: prevenção e controle

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Saiba as formas de prevenir e controlar a mastite, esta doença que causa inúmeros prejuízos à atividade leiteira

A mastite, também conhecida por mamite, é a doença de maior impacto econômico no rebanho leiteiro. É uma inflamação da glândula mamária causada por microrganismos como bactérias, fungos, leveduras e algas, que compromete a saúde dos animais e a qualidade do leite produzido. Além dos gastos com medicamentos, descarte de leite e de animais, o maior impacto da mastite se dá pela redução da produção de leite.

De acordo com a forma de manifestação, a mastite pode ser classificada em clínica e subclínica. A forma clínica se manifesta através de grumos e coágulos no leite, que é o grau mais leve da doença. A alteração no leite pode ser acompanhada de inchaço, dor e vermelhidão do úbere, nos casos moderados,  e em casos mais graves, de  febre e prostração.

A mastite subclínica não apresenta alterações visuais no leite, mas ocorre aumento na CCS, redução da produção e alteração na composição do leite.

Quanto à forma de transmissão, a mastite é classificada em mastite contagiosa e ambiental. A mastite contagiosa é transmitida de uma vaca doente para uma vaca sadia, através de práticas de ordenha inadequadas. Já na mastite ambiental a transmissão ocorre no próprio ambiente que a vaca vive, principalmente nos locais onde ela deita, como camas sujas e lugares com muito barro e umidade.

Identificação da mastite

Após constatar casos de mastite no rebanho, é preciso identificar todos os animais que apresentam, a doença, seja na forma clínica ou subclínica.

A mastite clínica é identificada através do teste da caneca de fundo escuro, onde se descarta os três primeiros jatos de cada teto e verifica se há alterações no leite.

Já a mastite subclínica pode ser identificada através do teste do CMT, que indica quais quartos mamários possuem maior número de células somáticas, e também através da contagem individual de CCS, feita em laboratório.

A cultura microbiológica é uma ferramenta indispensável quando se trata de diagnosticar o agente causador da mastite.

Medidas de prevenção e controle da mastite

As medidas de controle e prevenção têm o objetivo de reduzir novas infeções, eliminar as infeções existentes e monitorar a saúde da glândula mamária dos animais.

A redução de novas infeções pode ser feita através de boas práticas de ordenha, higiene do ambiente, manutenção dos equipamentos, uso de selante na secagem e aumento da imunidade dos animais.

Boas práticas de ordenha:

  • Descartar os três primeiros jatos de cada teto para diagnosticar mastite subclínica;
  • Desinfetar os tetos com solução desinfetante pré-dipping;
  • Secar os tetos com papel toalha descartável e não utilizar toalhas de pano;
  • Ao término do fluxo de leite, não pressionar as teteiras para forçar a saída de mais leite do úbere;
  • Desinfetar os tetos com solução de pós-dipping
Tirando leite da vaca do modo certo para evitar mastite

Higiene do ambiente

  • Manter as vacas em lactação, vacas secas e pré-parto em ambiente limpo e seco, sem acúmulo de barro e de umidade;
  • Realizar o correto manejo da cama em sistemas Compost Barn e Free Stall;
  • Dimensionar corretamente o local de permanência das vacas, evitando superlotação de animais.

Manutenção dos equipamentos de ordenha

  • As revisões dos equipamentos de ordenha devem ser feitas periodicamente, para evitar danos aos tetos e contaminação;
  • As teteiras devem ser trocadas de acordo com o número de ordenhas descrito pelo fabricante;
  • Os funcionários devem ser treinados para o correto manuseio dos equipamentos de ordenha.

Uso de selantes na secagem das vacas

  • O uso de selantes tem o objetivo de bloquear fisicamente a passagem entre o ambiente externo e o interior da glândula mamária, evitando novas infecções por patógenos ambientais.

Aumento da resposta imune dos animais

  • Promover uma boa nutrição mineral e vitamínica das vacas;
  • Oferecer conforto térmico;
  • Programa de vacinação contra mastite.

A eliminação das infecções existentes pode ser obtida pelo tratamento dos casos clínicos, tratamento de vaca seca e descarte de vacas com mastite crônica.

Tratamento de casos clínicos

  • Após identificar os animais acometidos e o agente causador, realizar o tratamento com uso de antibióticos. Atentar para o período de carência dos medicamentos e descarte do leite.

Tratamento de vaca seca

  • O tratamento de vaca seca tem o objetivo de eliminar a mastite subclínica que ocorreu durante a lactação, com uso de antibióticos de longa duração.
  • Além do tratamento, ele também previne o aparecimento de mastite durante o período seco e no pós-parto.
  • Aliado ao selante de teto, têm-se obtido bons resultados.

Segregação e descarte de vacas com mastite crônica

  • Vacas com mastite crônica devem ser ordenhadas por último ou serem descartadas, pois são fontes de infeção para as outras vacas e possuem baixa chance de cura com os tratamentos. Geralmente são animais infectados com Staphylococcus aureus, Nocardia spp, Pseudomonas, Prototeca ssp.

É importante salientar que todas as vacas que forem adquiridas de outros rebanhos devem ter uma amostra do leite coletado para cultura e avaliação de agentes causadores de mastite, de forma a evitar a disseminação da doença nas vacas sadias.

Fique atento com a mastite, cuide da saúde dos seus animais e garanta uma melhor produtividade e rentabilidade para a sua atividade.

Santos, Marcos Veiga dos; Fonseca, Luiz Fernando Laranja da. Controle da mastite e qualidade do leite – Desafios e soluções. 1ed. Pirassununga. Edição dos autores.

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Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

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Vacas

Principais distúrbios metabólicos que acometem as vacas leiteiras no pós parto

By Agro Sem comentários

Conheça os principais distúrbios metabólicos que acometem as vacas no pós-parto e saiba como preveni-los.

 

O pós-parto das vacas leiteiras é um período extremamente importante e delicado, onde ocorrem profundas mudanças metabólicas e hormonais. Deve-se ter uma atenção especial com os animais nesta fase, principalmente se as vacas forem de alta produção, pois tudo que ocorre nas duas semanas após o parto irá afetar toda a lactação do animal.

No período inicial de lactação, a vaca não consegue ingerir a quantidade ideal de alimentos e nutrientes que necessita para produzir leite, e acaba entrando numa condição chamada de balanço energético negativo.

Para conseguir produzir leite, o organismo utiliza as reservas corporais (tecido adiposo) para fornecer os nutrientes necessários, e com isso o animal perde peso.

O balanço energético negativo é uma condição normal e natural que acontece com todas as vacas, visto que o pico de produção de leite ocorre por volta de 4 semanas após o parto, ou seja, antes do pico de consumo de alimento, que só ocorre por volta da 8ª a 10ª semana. O problema acontece quando há um excesso de mobilização de gordura, devido ao escore de condição corporal inadequado após o parto.

Conheça os principais problemas que acometem as vacas no período pós-parto

  • Cetose

É um distúrbio metabólico que está diretamente relacionado ao balanço energético negativo, principalmente quando a vaca possui um alto escore de condição corporal, ou seja, está muito acima do peso recomendado na hora do parto.

O escore de condição corporal (ECC) serve para avaliar a quantidade de gordura corporal que a vaca possui, e é analisado numa escala que varia de 1 a 5, onde 1 a vaca está extremamente magra e 5 está extremamente gorda. O recomendado é que no momento do parto o ECC esteja entre 3 e 3,5. A imagem abaixo mostra os graus de ECC.

Vacas no Pós parto

Quando ocorre a mobilização de gordura corporal, há um aumento na concentração de corpos cetônicos no sangue. Esses corpos cetônicos são a acetona, o betahidroxibutirato(BHBA) e o acetoacetato. Estes compostos são utilizados como fonte de energia, mas quando estão em excesso eles se acumulam no fígado e podem causar esteatose hepática e hipoglicemia. De acordo com Santos (2006), vacas com cetose no início da lactação podem reduzir a produção de leite de 1 a 4 kg/dia.

A melhor forma de evitar quadros de cetose é acompanhar o ECC, que no momento do parto deve estar entre 3 e 3,5. Também deve-se fornecer uma dieta balanceada, de forma a maximizar a ingestão de matéria seca e minimizar a mobilização de gordura corporal.

  • Hipocalcemia

É um transtorno metabólico relacionado às concentrações de cálcio no sangue logo após o parto. É de extrema importância devido aos prejuízos que ela causa, como custos com tratamentos, mortes e complicações secundárias que podem surgir em decorrência da hipocalcemia, como retenção de placenta, mastite e deslocamento de abomaso.

As principais causas da hipocalcemia são a perda excessiva de cálcio pelo colostro, diminuição da absorção de cálcio intestinal após o parto e resposta lenta o paratormônio.

As vacas são diagnosticadas com hipocalcemia de acordo com o nível de cálcio no sangue, sendo:

Calcio > 8,0 mg/dL = normal

De 5 a 8mg/dL = hipocalcemia subclínica

<5mg/dL = hipocalcemia clínica

A baixa concentração de cálcio compromete a função muscular, afeta a imunidade e potencializa o surgimento de outras doenças. Para se evitar a hipocalcemia, tem-se utilizado dietas aniônicas aliadas ao fornecimento de forragem com baixo teor de potássio.

  • Deslocamento de abomaso

Afeta principalmente animais de grande porte e alta produção, que tendem a comer grandes quantidades de concentrado no início da lactação. A fermentação dessas quantidades de concentrado aumenta a produção de gás e diminui a motilidade do abomaso, podendo distender e provocar o seu deslocamento.

De acordo com Santos (2006), vacas com escore corporal acima de 4 possuem maior chance de deslocamento de abomaso.

O custo com a correção do deslocamento de abomaso é alto, e essa enfermidade está associada à diminuição da produção de leite.

Para evitar que isso ocorra, é recomendado ir aumentando a quantidade de concentrado fornecido desde o pré-parto, para adaptar o rúmen a uma dieta com maior taxa de passagem e limitar a quantidade de concentrado no pós-parto imediato. Aliado a isso, fornecer também fibra de boa qualidade e com adequado tamanho de partícula

Santos, Marcos Veiga dos; Fonseca, Luiz Fernando Laranja da. Controle da mastite e qualidade do leite – Desafios e soluções. 1ed. Pirassununga. Edição dos autores.

O que afeta a composição e a qualidade do leite? Aprenda Fácil editora. Disponível em https://www.afe.com.br/noticias/o-que-afeta-a-composicao-e-a-qualidade-do-leite#:~:text=Outros%20fatores%20que%20afetam%20a,nutri%C3%A7%C3%A3o%20e%20incid%C3%AAncia%20de%20doen%C3%A7as.

Ficou curioso e quer aprender mais sobre pecuária?
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Copo de leite

Fatores que influenciam a composição do leite

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Entenda como alguns fatores influenciam a composição do leite e como isso afeta a sua qualidade

O leite é composto por aproximadamente 87% de água e 13% de sólidos totais, que inclui gordura, proteína, lactose, vitaminas e minerais. Estes elementos constituem o valor nutricional do leite e podem variar de acordo com a raça, nível de produção, estágio de lactação, doenças, entre outros fatores.

De acordo com a Instrução Normativa 76, de26 de novembro de 2018, o leite deve apresentar as seguintes características na sua composição:

  • 3% de gordura
  • 2,9% de proteína
  • 4,3% de lactose
  • 8,4% de sólidos não gordurosos (todos os elementos do leite, exceto a gordura e a água)
  • 11,4% de sólidos totais (todos os elementos do leite, exceto a água)

Por suas propriedades e valores nutricionais, os laticínios buscam adquirir leite com valores mais altos de sólidos, especialmente gordura e proteína. Para isso, muitas indústrias já adotaram tabelas de pagamento por qualidade e composição, que bonificam e pagam um preço melhor para produtores que produzem leite com mais qualidade e quantidade de sólidos.

Copo de leite

Alguns fatores podem influenciar a composição do leite, aumentando ou reduzindo o teor de sólidos.

Confira quais são esses fatores:

  1. Genética:

A raça dos animais está diretamente relacionada com os teores de sólidos no leite. Um exemplo é a raça Jersey, que produz teores de gordura que podem variar de 4 a 6%, enquanto vacas da raça Holandesa produzem leite com teor de gordura entre 3 a 3,8%. O mesmo ocorre com os teores de proteína e minerais, que são mais altos na raça Jersey.

  1. Estágio de lactação:

O colostro, que é o primeiro leite secretado após o parto, difere do leite do restante da lactação, por conter elevado teor de sólidos totais e grande quantidade de imunoglobulinas. Durante os três primeiros meses de lactação a quantidade de proteína e gordura é menor, e à medida que a lactação se aproxima do final, esses teores vão aumentando.

  1. Ordem de lactação:

Vacas de primeira cria produzem leite com maior quantidade de sólidos, e a partir da segunda cria essa quantidade diminui.

  1. Manejo nutricional:

A gordura é o componente de maior variação de teores no leite, e é a mais influenciada pela alimentação. Dietas com alto teor de fibra, fibra com boa qualidade e adequado tamanho de partícula aumentam a produção de gordura no leite. O fornecimento de quantidades menores de concentrado também, pois a maior quantidade de fibra está relacionada com a produção de acetato no rúmen, que é um precursor da gordura do leite.

No caso da proteína, a manipulação através do manejo nutricional não é tão expressiva, pois o aumento que ocorre no teor de proteína é pequeno, se comparado com a gordura. A variação é de 0,1 a 0,4% somente. Além disso, os mecanismos que promovem um incremento no teor de proteína são, em sua maioria, opostos aos que promovem aumento no teor de gordura.

Para se obter sucesso com o manejo nutricional, é preciso cuidar do conforto dos animais, especialmente do conforto térmico. Nas épocas mais quentes do ano as vacas sofrem com o calor e entram em estresse térmico, que causa uma diminuição considerável no consumo de alimentos. Essa diminuição no consumo também afeta a produção de sólidos, especialmente a produção de gordura.

  1. Mastite:

A mastite é uma inflamação da glândula mamária causada por microrganismos, principalmente por bactérias. Além de reduzir a produção, a mastite também interfere na composição do leite. A mastite causa redução nos teores de lactose, caseína (que é a principal proteína do leite), gordura e altera os níveis de concentração dos minerais.

A composição do leite não é influenciada apenas por um fator, mas por vários, e por isso alterá-la não é uma tarefa muito fácil. Se você quer um leite com maiores quantidades de sólidos, comece escolhendo uma boa genética e faça os manejos da melhor forma possível, proporcionando saúde e conforto para os animais.

Santos, Marcos Veiga dos; Fonseca, Luiz Fernando Laranja da. Controle da mastite e qualidade do leite – Desafios e soluções. 1ed. Pirassununga. Edição dos autores.

O que afeta a composição e a qualidade do leite? Aprenda Fácil editora. Disponível em https://www.afe.com.br/noticias/o-que-afeta-a-composicao-e-a-qualidade-do-leite#:~:text=Outros%20fatores%20que%20afetam%20a,nutri%C3%A7%C3%A3o%20e%20incid%C3%AAncia%20de%20doen%C3%A7as.

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Gado pré-abate

Fatores pré-abate que afetam a qualidade da carne

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Conheça os fatores pré-abate que podem afetar a qualidade da carne bovina e aprenda técnicas de manejo e bem-estar para obter uma carne de alta qualidade.

Os consumidores estão cada vez mais exigentes e preocupados quando o assunto é qualidade dos alimentos, e com a carne bovina não é diferente. Apesar do país ser o segundo maior produtor de carne do mundo e um grande exportador, o mercado interno tem uma forte demanda e a cadeia da carne tem evoluído muito para entregar um produto de alta qualidade para o consumidor.

Produzir carne de qualidade é um processo que começa bem antes do abate. Se inicia com a escolha da genética, período de gestação, sistema de criação, manejo até chegar na expedição final. Não apenas o sistema de alimentação influencia na qualidade, mas também o comportamento animal e o bem-estar na fazenda.

Vários estudos já comprovaram que o estresse que o animal sofre ao longo da vida interfere na qualidade da carne.

Alguns dos momentos mais estressantes para o animal são:

  • Separação da vaca e bezerro;
  • Doenças e parasitas;
  • Quando a alimentação é deficiente e ocorre o “efeito sanfona”;
  • Quando há desordens metabólicas, como acidose em dietas de alto grão;
  • Quando ocorre mistura de lotes e gera um estresse social por causa do estabelecimento de hierarquias;
  • Descorna e castração;
  • Marcação
  • Transporte

O que as ações de manejo devem visar?

As ações de manejo devem ser feitas visando o mínimo de estresse possível para esses animais, sempre pensando no bem-estar. Deve-se oferecer uma alimentação adequada, ajustar o número de animais no lote, evitar misturar os animais de lotes diferentes e fazer as práticas de manejo com o mínimo de estresse, de forma silenciosa e eficiente.

Gado em pré-abate

Além do cuidado com o manejo geral dentro da propriedade durante toda da vida do animal, o manejo pré-abate também deve ser feito com atenção. O estresse gerado nos animais pelas pessoas, instalações, transporte e interação com outros animais também impacta de forma muito negativa na qualidade da carne.

Os principais fatores pré-abate que afetam a qualidade da carne são:

  1. Embarque e transporte: o manejo inadequado na hora do embarque e transporte dos animais pode causar lesões nas carcaças, levando-as à rejeição pelo sistema de inspeção do frigorífico. Densidades baixas proporcionam mais espaço, mas também facilitam quedas, e densidades altas causam muito estresse por causa da falta de espaço. A densidade recomendada é de 400kg/m². Na hora do embarque deve-se evitar choques e agulhões.
  2. Desembarque e curral de espera no frigorífico: a legislação brasileira preconiza que os animais devem permanecer em descanso, com jejum de sólidos e água a vontade nos currais de espera por um período de 6 a 24 horas. Jejuns acima de 24 horas acarretam perda da qualidade da carne por causa do consumo excessivo de glicogênio muscular, que prejudica o processo de transformação do músculo em carne. Ao desembarcar, os animais devem ter rápido acesso à água.

Todas essas medidas são para evitar danos à carne. Alguns atributos sensoriais são muito influenciados pelo manejo, e é motivo para que o consumidor adquira ou rejeite o produto.

Atributos sensoriais da carne influenciados pelo manejo:

  1. Cor

É afetada pelo pH, que está diretamente relacionado com a reserva de glicogênio muscular antes do abate. Quanto maior o estresse do animal, maior o consumo de glicogênio, que reduz a produção de ácido lático e não permite que o pH chegue no valor ideal entre 5,4 a 5,8. Isso origina a carne DFD (dark, firm and dry), sigla de escura, firme e seca. Animais não castrados são mais susceptíveis ao estresse, o que aumenta as chances do pH não atingir os valores ideais.

  1. Maciez

Maciez é a facilidade com que a carne se quebra durante a mordida. Carnes mais duras são provenientes de animais que possuem pior temperamento, com elevado estresse. Isso provoca mudanças estruturais nas proteínas que deixam a carne mais dura. A dureza é medida pela força de cisalhamento, que aumenta à medida que o pH da carne aumenta.

  1. Sabor e odor

Carnes com maior pH têm menos intensidade no sabor.

Agora que você conhece os fatores pré-abate que influenciam na qualidade da carne, cuide do manejo dos animais e garanta um produto que vai aumentar sua o seu lucro e agradar o consumidor.

Fatores pré abate que afetam a qualidade da carne bovina. Educapoint. Disponível em https://www.educapoint.com.br/curso/pecuaria-corte/fatores-pre-abate/

Influência de procedimentos pré-abate na qualidade da carne bovina. Scot Consultoria. Disponível em https://www.scotconsultoria.com.br/noticias/artigos/43552/influencia-de-procedimentos-pre-abate-na-qualidade-da-carne-bovina.htm

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Autora:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Pereira Viana

Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa com grande experiência em qualidade do leite, tendo atuado por mais de 9 anos junto aos produtores de variadas regiões do país.

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coprodutos na alimentação de vacas leiteiras

Uso de coprodutos na alimentação de vacas leiteiras

By Agro Sem comentários

O uso de coprodutos na alimentação de vacas leiteiras é uma alternativa viável para diminuir os custos sem afetar o desempenho dos animais.

A dieta de vacas leiteiras tem o milho e o farelo de soja como principais ingredientes concentrados. Em épocas de preços elevados desses insumos, é importante que o produtor busque alternativas que reduzam o custo com a alimentação e que não afetem o desempenho dos animais.

O que são coprodutos?

Os coprodutos são resíduos industriais obtidos a partir do processamento de grãos, frutas, álcool, lavoura e alimentação humana. Apresentam bom valor nutricional e podem ser utilizados na alimentação dos ruminantes substituindo parte do milho e da soja, reduzindo o custo da dieta e/ou favorecendo o ambiente ruminal.

Como os coprodutos são classificados?

São classificados como volumosos ou concentrados, proteicos ou energéticos, assim como os demais alimentos utilizados na produção animal. Alguns coprodutos possuem funções de concentrado e volumoso, como é o caso do caroço de algodão, que possui alto teor proteico e energético e tem boa efetividade da fibra, podendo ser utilizado para substituir parte do concentrado ou do volumoso na dieta.

Caroço de algodão coproduto na alimentação de vaca leiteira

Principais coprodutos utilizados na alimentação de vacas leiteiras

Coprodutos Energéticos

  1. Polpa cítrica: é um coproduto da fabricação de sucos concentrados, principalmente de laranja, composto por cascas, sementes, bagaços e frutas descartadas. O valor energético corresponde de 85 a 90% do milho e o teor proteico é um pouco menor. Possui elevado teor de pectina, um carboidrato estrutural de alta degradabilidade ruminal com fermentação acética, que reduz o risco de acidose ruminal quando comparada ao milho, cuja fermentação resulta em lactato e propionato.Estudos mostram que se pode substituir 100% do milho por polpa cítrica para vacas que produzem até 20kg de leite/dia. Para vacas de maior produção, inclusão acima de 30% reduz o consumo de MS e a produção de leite.
  2. Casca de soja: é resultante do processamento do grão de soja para extração do óleo, farelo e lecitina. É composta principalmente por fibra, possui baixo teor de amido e proteína em torno de 12%. A fibra possui alta digestibilidade, com grande quantidade de celulose e hemicelulose, e baixo teor de lignina. Em alguns estudos o desempenho de vacas alimentadas com casca de soja substituindo parcialmente o milho (50%) não foi afetado.
  3. Farelo de trigo: é obtido através do processamento do grão de trigo para produção de farinha para consumo humano. Por possuir alta digestibilidade, tem sido muito utilizado para substituir os grãos de cerais. A energia contida no farelo é bem parecida com a energia dos grãos, porém ela está contida na forma de fibra, e não de amido. Segundo alguns estudos, pode substituir até 60% do milho sem que haja alteração no consumo e no desempenho dos animais.

Coprodutos Proteicos

  1. Caroço de algodão: é um coproduto resultante da remoção da pluma da semente do algodão para ser usado na indústria têxtil. O caroço possui características de concentrado proteico e energético, pois possui alto teor de PB (em torno de 23%) e bom valor energético devido ao alto teor óleo contido dentro dele. Por causa deste óleo há uma limitação no uso do caroço, pois o excesso pode comprometer a digestibilidade da fibra e o crescimento microbiano. Além disso, possui um composto chamado gossipol, que em grandes quantidades é tóxico para os animais. Se utilizado conforme recomendação, é um ótimo alimento para a vacas leiteiras, pois além de ter boas características nutricionais, ele promove a ruminação e contribui para aumentar a gordura do leite. Recomenda-se fornecer no máximo 3 kg/vaca/dia.
  2. Farelo de algodão: também é proveniente do processamento do algodão, e possui alto teor de PB (28 ou 38%). A substituição total do farelo de soja por farelo de algodão pode ser feita, sem afetar a produção e o teor de proteína do leite, para vacas com produção abaixo de 20kg/dia.
  3. Resíduo úmido de cervejaria: é muito utilizado por produtores que se situam próximos às indústrias, devido ao alto teor de água que limita o transporte e armazenamento. Possui teor de PB variado (de 24 a 28%) e alto teor de fibra, podendo substituir também parte do volumoso.

O que deve ser avaliado na utilização de coprodutos ?

O principal ponto a ser avaliado na utilização de coprodutos é o benefício econômico, seja reduzindo custo ou melhorando o desempenho dos animais. É preciso ficar atento ao transporte, logística, armazenamento, teor de matéria seca e composição nutricional. E é sempre recomendado fazer uma análise bromatológica do material, para poder trabalhar com segurança e formular concentrados que irão atender às exigências dos animais.

Faça seu planejamento, avalie as  opções de coprodutos na sua região e cuide do seu rebanho sem esquecer do custo de produção.

UTILIZAÇÃO DE COPRODUTOS AGROINDUSTRIAIS NA ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS – XI Congresso sobre Manejo e Nutrição de Bovinos CBNA disponível em https://www.researchgate.net/publication/259477855_Co-produtos_Agroindustriais_na_Alimentacao_de_Bovinos

Uso de co-produtos na alimentação de vacas leiteiras – Educapoint. Disponível em https://www.educapoint.com.br/blog/pecuaria-leite/uso-co-produtos-alimentacao-vacas-leiteiras

NETO, João Gonsalves. Manual do Produtor de Leite. 1ed. Viçosa. Aprenda Facil,2016

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Autora:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

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Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa com grande experiência em qualidade do leite, tendo atuado por mais de 9 anos junto aos produtores de variadas regiões do país.

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Copo de Leite

Leite Lina

By Agro Sem comentários

O LINA é a sigla do leite instável não ácido, que coagula no teste do álcool e é rejeitado pela indústria, causando grandes prejuízos para a cadeia do leite.

A qualidade do leite e a sua estabilidade térmica são características de suma importância para a indústria, pois garantem que o leite poderá ser processado em condições adequadas e chegar com qualidade ao consumidor.

Para avaliar se o leite possui essas condições, a indústria realiza o teste do álcool ou teste do alizarol. Ele é feito pelo transportador de leite no momento da coleta na fazenda, onde se avalia duas características importantes, a acidez e a estabilidade térmica.

A acidez é avaliada através da mudança de coloração da solução e a estabilidade através da formação ou não de coágulos (grumos). Espera-se que o leite não apresente grumos e que a cor da solução seja vermelho tijolo, indicando que o carregamento do leite poderá ser feito pelo transportador.

Teste de Leite LINA

Como o álcool mede a estabilidade do leite?

O leite é composto por glóbulos de gordura, caseínas em suspensão, minerais, vitaminas e lactose, que ficam em equilíbrio de acordo com o pH do leite. O que permite que o leite seja aquecido e processado corretamente é a estabilidade das caseínas, que devem ser manter equilibradas.

Quando o álcool é adicionado ao leite ele desidrata as micelas de caseína e reduz as cargas negativas dos íons presentes. Com isso as caseínas se aproximam dentro da micela, e se essa aproximação for muito grande, ocorre a formação do coágulo. As caseínas que se mostram estáveis ao teste do álcool também se mostram estáveis durante o aquecimento na indústria, por isso esse teste é tão importante, pois a estabilidade do leite afeta toda a cadeia láctea.

Análise de leite LINA

Composição do  LINA

A composição do leite LINA não é muito diferente do leite estável. As diferenças mais comuns que foram encontradas foi o menor teor de lactose  e maior teor de cálcio iônico no LINA. Ou seja, é um leite saudável que pode ser utilizado para fabricar iogurtes, queijos e bebidas lácteas, apesar de haver uma perda de rendimento na fabricação de queijos.

Prejuízos para o setor

Apesar de poder ser utilizado para fabricar alguns derivados, se o leite do produtor é rejeitado no teste do álcool/alizarol no momento que o transportador faz a análise, ele não é coletado, e o produtor não receberá o valor correspondente àquele volume, ficando com o prejuízo.

A indústria não recebe este leite porque há receio dele comprometer a produção. Com isso há um menor aporte de matéria-prima e a programação de produção pode ser afetada.

Mas o que causa o LINA?

Os pesquisadores não sabem ao certo quais são as causas, mas vários estudos apontam alguns fatores que reduzem a estabilidade do leite. São eles:

  • Restrição alimentar e deficiências nutricionais: quando há mudança brusca na dieta, como na época da seca onde a qualidade da forragem diminui muito, ou quando o produtor retira o concentrado da dieta, ocorre um aumento da instabilidade do leite, além da redução da produção. Também há o aumento da produção de cortisol, hormônio relacionado ao estresse que altera a composição do leite, influenciando nos teores de sódio, alterando o equilíbrio iônico e diminuindo a estabilidade.
  • Distúrbios metabólicos: doenças como acidose e cetose, além de reduzirem a produção, também promovem o aumento da instabilidade do leite.
  • Estádio de lactação: no início da lactação, entre 1 a 5 dias (colostro e leite de transição), o leite tem baixa estabilidade, e ao final da lactação, acima de 270 dias, há aumento de cálcio iônico no leite, que é um grande agente desestabilizante.
  • Estresse térmico: causa o aumento de cortisol, que reduz a estabilidade.

Como prevenir o aparecimento de LINA?

Por ser uma condição com várias causas e possuir grande variação entre os produtores, época do ano e até dentro do próprio rebanho, a melhor forma de evitar o seu aparecimento é cuidar da alimentação dos animais, fornecendo dietas que atendam suas exigências nutricionais e que não causem doenças como acidose. Além disso, é muto importante promover conforto térmico para as vacas, pois o estresse térmico está relacionado a inúmeros prejuízos na atividade leiteira.

Por isso, cuide do seu rebanho e evite prejuízos com o LINA!

Bibliografias consultadas:

-LINA: um problema de qualidade ou manejo? Educapoint. Disponível em https://www.educapoint.com.br/curso/pecuaria-leite/lina/

-LINA: um leite saudável, mas de má aparência. Revista Leite Integral. Disponível em http://www.revistaleiteintegral.com.br/noticia/lina-um-leite-saudavel-mas-de-ma-aparencia

-LINA: Leite instável não ácido. Comunicado Técnico 356. Embrapa. Disponível em https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/184058/1/COMUNICADO-TECNICO-356.pdf

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Boi pastando

Controle estratégico de carrapatos

By Agro Sem comentários

O controle estratégico dos carrapatos é uma forma de reduzir a infestação do parasita no rebanho, diminuindo custos e melhorando a saúde dos animais.

Os carrapatos são os ectoparasitas que mais causam prejuízos econômicos à bovinocultura.

Estima-se que no Brasil as perdas econômicas podem chegar a 3,2 bilhões de dólares/ano, decorrentes da queda da produtividade de carne e leite, mortalidade dos animais devido à transmissão de doenças como babesiose e anaplasmose, gastos com os tratamentos e com mão de obra.

O principal carrapato bovino é o Boophilus microplus, amplamente distribuído em todas as  regiões do país, principalmente nas regiões mais quentes e úmidas, onde 95% dos carrapatos encontram-se nas pastagens e apenas 5% nos animais.

Para fazer um controle estratégico realmente efetivo e com menor custo é preciso entender o ciclo de vida do carrapato, que dura cerca de 21 dias e é dividido em duas fases distintas: a fase de vida livre e a fase parasitária.

Quando a fêmea do carrapato, chamada de teleógina e popularmente conhecida como “mamona”, se ingurgita de sangue, ela se desprende do animal e cai no solo, onde procura abrigo para fazer a postura dos ovos. Cada teleógina pode botar cerca de 3.000 ovos, e após a postura ela morre e o ciclo se inicia com as larvas, que infestam as pastagens. Este é o ciclo de vida livre.

Quando um animal encosta na pastagem que está cheia de larvas, elas se prendem à ele e passam a se alimentar de sangue, constituindo a fase parasitária.Essas larvas se transformam em adultos que irão se acasalar e as fêmeas (mamonas) ficarão cheias de sangue,  prontas para voltar ao solo para fazer a postura e dar início ao novo ciclo.

Ciclo de vida do carrapato

Este ciclo ocorre com maior multiplicação nos meses mais quentes e úmidos, correspondente ao período mais quente e chuvoso do ano. O objetivo do controle estratégico é controlar a população de carrapatos nas épocas mais desfavoráveis ao seu desenvolvimento, normalmente no fim do período seco e início do período chuvoso, quando se inicia a primeira geração de carrapatos do ano.

Como fazer o controle estratégico dos carrapatos na sua propriedade?

 

Antes de iniciar o controle estratégico é fundamental fazer o teste de sensibilidade do carrapato ao princípio ativo do produto. Este teste identifica quais produtos disponíveis no mercado terão maior eficácia no combate aos carrapatos. Para fazer o teste de sensibilidade é necessário separar alguns animais que estão mais infestados e coletar aproximadamente 200 teleóginas cheias de sangue. O teste é realizado gratuitamente  pela Embrapa Gado de Leite e as informações detalhadas  sobre coleta e envio podem ser encontradas no site da empresa.

O controle estratégico de carrapatos consiste em  realizar de 5 a 7 banhos carrapaticidas com intervalo de 21 dias, ou fazer 3 a 4 aplicações de produto pour on, a cada 30 dias, no início do período quente e chuvoso, podendo iniciar nos meses de setembro e outubro.

 O objetivo é quebrar o ciclo de vida do parasita, evitando que as fêmeas caiam no solo para depositar os ovos na pastagem. Isso causa uma redução no número de carrapatos na pastagem e também nos animais, pois após o banho ou aplicação, os carrapatos que subirem no animal serão eliminados, impedindo que mais fêmeas retornem ao solo para depositarem grandes quantidades de ovos.

Alguns cuidados devem ser tomados para que o controle seja eficiente. No caso dos banhos, seguem algumas recomendações:

  • Preparar a calda de maneira correta, aplicando a diluição e a dosagem do produto de acordo com as recomendações do fabricante. É muito importante que a mistura fique homogênea.
  • A pressão da bomba deve ser suficiente e deve-se utilizar um bico adequado, para que o produto seja bem distribuído no animal.
  • A aplicação deve começar pela parte posterior, molhando todo o corpo do animal, principalmente nas virilhas, barriga, orelhas e parte traseira do úbere.
  • Não aplicar nas horas mais quentes do dia e nem em dias de chuva.
  • Banhar os animais no sentido contrário aos pelos e a favor do vento.
  • Sempre utilizar EPI? – equipamento de proteção individual- máscaras, luvas, avental e botas.

Para aplicações com produto pour on, siga as recomendações de dosagem e locais de aplicação de acordo com a bula do produto.

É importante que os animais tratados retornem às pastagens infestadas para que as larvas possam ser eliminadas ao se prenderem nos animais, reduzindo assim a população de carrapatos e deixando a pastagem mais “limpa”.

 O sucesso do controle estratégico de carrapatos depende da aplicação correta dos carrapaticidas e também da escolha do produto certo. Cuide dos seus animais, não deixe que esses parasitas se tornem um problema no seu rebanho.

Bibliografias consultadas:

1- NETO,João Gonsalves. Manual do Produtor de Leite. 1ed. Viçosa. Aprenda Facil,2016

2- Controle estratégico de carrapatos em bovinos de leite. Grupo Apoiar. Disponível em www.grupoapoiar.com/controle-estrategico-de-carrapatos-em-bovinos-de-leite/

3- Controle estratégico do carrapato bovino. Educapoint. Disponível em www.educapoint.com.br/curso/pecuaria-de-leite/controle-carrapatos/

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Homem utilizando software de gestão

Indicadores Zootécnicos e sua importância

By Agro Sem comentários

Os indicadores zootécnicos mostram a situação produtiva da atividade e estão
ligados diretamente à rentabilidade e consequentemente ao lucro. A eficiência e o
direcionamento na hora da tomada de decisão dependem da análise dos índices
zootécnicos (IZ), que são obtidos através dos registros das informações produtivas,
quantitativas e qualitativas, referentes aos segmentos da exploração.

A coleta dos dados é muito importante para que se possa conhecer a real situação
da propriedade quanto à parte produtiva, reprodutiva e sanitária do rebanho, e
assim, poder planejar e estipular metas a curto, médio e longo prazo.

A partir dos IZ você realiza diagnósticos, traça objetivos e metas a fim de realizar estratégias de ação e operação da atividade, para assim, avaliar os resultados obtidos e se necessário realizar nova adequação do plano de ação.

Preparação e organização dos dados

Vale ressaltar que para iniciar o controle zootécnico na propriedade visando
futuramente obter uma melhor avaliação dos índices zootécnicos, é importante que o
produtor adote medidas como:

  • Identificação dos animais: a identificação individual dos animais é muito importante
    para um trabalho de gestão eficiente e pode ser feita através de brincos, brincos
    eletrônicos, marcação e tatuagem;
  • Definição do modo de anotações: as anotações podem ser feitas em cadernos de
    campo, fichas e softwares que podem ser oferecidos por empresas, consultores e
    afins. O método que será utilizado vai depender principalmente da disponibilidade
    do produtor;
  • Definição do(s) responsável(s) pela anotação: para evitar falhas de registro de
    dados;
  • Definição do que será anotado;
  • Definição da periodicidade das anotações;
  • Definição de metas para aprimoramento e refinamento do registro das informações.

Tipos de indicadores

Os IZ utilizados para as análises futuras vão depender da atividade exercida, dos
objetivos do proprietário e da forma como cada propriedade vai trabalhar. O Esteio
Gestão possui mais de 40 indicadores zootécnicos e econômicos, disponíveis na
tela inicial e em formato de relatórios.

Os IZ podem ser divididos em:

  • Indicadores de tamanho, que são utilizados para quantificar o rebanho, mensurar a
    área total da propriedade e a área utilizada para a atividade exercida, quantificar a
    mão de obra, a produção total por mês/ano, entre outros.
  • Indicadores de produção, como a mensuração da produção por animal, por área, por
    mão de obra, por mês, entre outros.
  • Indicadores reprodutivos, como taxas de inseminação, concepção e prenhez para as
    fêmeas e as análises necessárias para os machos, como a taxa de concepção por
    cobertura.

O software Esteio Gestão Agropecuária possibilita o monitoramento de todos os dados da
propriedade, tanto para gado de leite, quanto gado de corte. Além de garantir a praticidade
na hora de realizar as anotações e oferecer uma análise de cada Índice Zootécnico
disponibilizado.

Quer saber como iniciar o Controle zootécnico na sua propriedade? A
Esteio oferece inteiramente grátis um E-book “Como iniciar o controle zootécnico na minha
fazenda?”. Basta acessar o nosso site www.esteiogestao.com.br e fazer o download.
Gostou e quer ver a diferença em sua propriedade? Faça um teste grátis e aproveite!
Pensou em praticidade, pensou em ESTEIO!

Bibliografias consultadas:

POLYCARPO, Rafaela Carareto. Índices zootécnicos que auxiliam a medir a eficiência
do sistema produtivo. Milkpoint, 2010. Disponível em
<https://www.milkpoint.com.br/artigos/producao-de-leite/indices-zootecnicos-que-auxiliam-a-
medir-a-eficiencia-do-sistema-produtivo-61217n.aspx>. Acesso em: 25 Ago. 2020.

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Autora:

Sábata Raimundi - Autora do Artigo e Veterinária na Esteio Gestão

Sábata C. J. Raimundi

Estudante de Zootecnia da Universidade Federal de Viçosa, atualmente estagiária na empresa Dinni Soluções.

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