O La Niña é um fenômeno atmosférico que provoca alterações no regime de chuvas no Brasil, causando prejuízos para a agricultura e pecuária

Dentre os fenômenos climáticos mais conhecidos que afetam o nosso país, o La Niña é um dos mais preocupantes para os pecuaristas e agricultores, pois ele afeta o regime de chuvas e provoca grandes perdas na produção agrícola, impactando diretamente a pecuária.

O La Niña faz parte de um fenômeno atmosférico oceânico conhecido como ENOS — El Niño Oscilação Sul, que provoca a queda ou o aumento da temperatura das águas superficiais do oceano Pacífico nas regiões equatoriais.

Para entender o La Niña, é preciso conhecer o evento geral em que ele está inserido, o El Niño.

O El Niño se caracteriza pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico, que ocorre quando há o enfraquecimento dos ventos alísios— deslocamentos de massas de ar quente e úmido que sopram de leste para oeste— provocando o acúmulo de água quente na superfície do oceano. Essa água mais quente se desloca em direção à América do Sul, aumentando a evaporação e favorecendo a formação de nuvens. No Brasil, esse fenômeno se traduz em mais chuvas na região sul e menos chuvas na região norte e nordeste.

Já o La Niña é o extremo oposto. Durante o La Niña, os ventos alísios se intensificam, provocando o resfriamento das águas superficiais da parte equatorial do oceano Pacífico. Isso provoca alterações no regime de chuvas no Brasil, causando maior precipitação nas regiões norte e nordeste, provocando o aumento na vazão dos rios e enchentes. Já na região sul as temperaturas sobem e há maior ocorrência de seca. Nas outras regiões como sudeste e centro-oeste, os efeitos são imprevisíveis.

Efeitos do La Niña no Brasil

Fonte: Climatempo

O La Niña e seus efeitos

A irregularidade das chuvas é um grande problema para o pecuarista, que é altamente dependente da produção agrícola para poder alimentar o rebanho. A falta e o excesso de chuvas provocam perdas irreparáveis nas lavouras de milho, seja para silagem ou para grão, e afeta outras culturas como soja, algodão e trigo, que são utilizadas na nutrição dos animais. Com isso, ocorre o aumento no preço desses alimentos e, consequentemente, aumento no custo de produção do pecuarista.

A duração média do La Niña é de 9 a 12 meses, mas em alguns casos chegou a durar dois anos, dificultando ainda mais para os agricultores e pecuaristas.

Mas os efeitos desse fenômeno não são sentidos apenas no verão. O inverno se torna mais rigoroso, com quedas bruscas na temperatura e aumento da ocorrência de geadas, além de causar o chamado “inverno tardio”, que pode provocar geadas em áreas de maior altitude até o mês de novembro, ocasionando danos nas lavouras.

Infelizmente não há uma orientação muito clara e objetiva sobre como evitar maiores prejuízos em ano de ocorrência de La Niña, mas alguns especialistas recomendam algumas ações que podem minimizar os efeitos, como:

  • Fazer o escalonamento do plantio;
  • Escolher cultivares que são mais resistentes à seca ou geada;
  • Deixar para plantar por último nas regiões de baixadas, que são suscetíveis à geada;
  • Ter um seguro contra perdas por intempéries.

Apesar de muitas propriedades não terem condições de realizar algumas destas ações, sabemos que a fazenda é uma empresa a céu aberto, o que a deixa vulnerável às condições climáticas e aumenta consideravelmente o risco da atividade. Isso reforça ainda mais o fato de que o pecuarista precisa realizar a gestão detalhada da sua propriedade, se planejando e antecipando situações que possam deixá-lo vulnerável.

Não basta somente conhecer as oscilações de mercado mais, é preciso se informar sobre as condições climáticas e avaliar como se precaver para minimizar os prejuízos que certamente acontecerão, em maior ou menor escala, em ano de La Niña.

Pense nisso!

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Autor:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Viana

Zootecnista, criadora do perfil @dicasdazootecnista no Instagram.

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