O pós-parto das vacas leiteiras é um período desafiador, onde algumas doenças podem acometer as vacas e impactar a sua lactação

O pós-parto das vacas leiteiras é um período muito importante, delicado e desafiador, tanto para a vaca quanto para o produtor, que precisa ficar atento ao manejo e a qualquer alteração que a vaca possa apresentar. As variações hormonais e as alterações metabólicas decorrentes da mudança da fase seca para a fase lactante deixam a vaca mais suscetível às infecções no pós-parto.

Segundo Santos et.al,2010, estima-se que 40 a 60% das vacas no pós-parto são acometidas por um ou mais distúrbios de saúde nos primeiros dois meses de lactação e que mais de 50% passam por algum distúrbio na forma subclínica nas primeiras semanas após o parto. Esses distúrbios podem afetar toda a lactação da vaca, reduzindo não só a sua eficiência produtiva, mas também a sua eficiência reprodutiva.

Algumas dessas doenças estão relacionadas com o escore corporal e com o balanço energético negativo que as vacas apresentam após o parto. No período inicial de lactação, a vaca não consegue ingerir a quantidade total de alimentos e nutrientes que necessita para produzir leite, e acaba entrando numa condição chamada de balanço energético negativo. Desta forma, o organismo utiliza as reservas corporais para fornecer os nutrientes necessários, resultando em perda de peso e escore corporal.

Vale lembrar que o balanço energético negativo é uma condição normal e natural que acontece com todas as vacas, visto que o pico de produção de leite ocorre por volta de 4 semanas após o parto, ou seja, antes do pico de consumo de alimento, que só ocorre por volta da 8ª a 10ª semana. O problema acontece quando há um excesso de mobilização de gordura, devido ao escore de condição corporal inadequado após o parto.

Principais doenças que acomete as vacas no pós-parto

  • Cetose

É um distúrbio metabólico que está diretamente relacionado ao balanço energético negativo, principalmente quando a vaca possui um alto escore de condição corporal, ou seja, está muito acima do peso na hora do parto.

O escore de condição corporal (ECC) serve para avaliar a quantidade de gordura corporal que a vaca possui, e é analisado numa escala que varia de 1 a 5, onde 1 a vaca está extremamente magra e 5 está extremamente gorda. O recomendado é que no momento do parto o ECC esteja entre 3 e 3,5. 

  • Hipocalcemia

É um transtorno metabólico relacionado às concentrações de cálcio no sangue logo após o parto. As principais causas da hipocalcemia são a perda excessiva de cálcio pelo colostro, diminuição da absorção de cálcio intestinal após o parto e resposta lenta do paratormônio.

  • Deslocamento de abomaso

Afeta principalmente animais de grande porte e alta produção, que tendem a comer grandes quantidades de concentrado no início da lactação. A fermentação dessas quantidades de concentrado aumenta a produção de gás e diminui a motilidade do abomaso, podendo distender e provocar o seu deslocamento. De acordo com Santos (2006), vacas com escore corporal acima de 4 possuem maior chance de deslocamento de abomaso

  • Retenção de placenta:

É a falha na eliminação das membranas fetais após a expulsão do feto dentro das primeiras 24 horas após o parto (LEBLANC, 2008). Com o passar dos dias após o parto, todo o tecido placentário retido sofre autólise, com concomitante infecção bacteriana e decomposição gradativa, tornando-se friável, com coloração amarelo-castanha e odor fétido (GRUNERT et al., 2005). Gestação gemelar, distocia, natimortalidade, auxílio ao parto, duração do período de gestação, aborto, hipocalcemia pós-parto e idade avançada da vaca são fatores predisponentes para a retenção de placenta.

  • Mastite

A mastite pós-parto pode ser consequência de uma infecção na lactação anterior que não foi curada, de uma infecção adquirida no período seco ou de uma infecção adquirida logo após o parto. E se a vaca for acometida por alguma outra enfermidade, que deixe seu sistema imune debilitado, o risco de uma nova infecção intramamária é grande.

Para evitar que as vacas sejam acometidas por alguma dessas doenças, um bom manejo é fundamental. Manejo nutricional, manejo sanitário, conforto térmico e bem-estar são indispensáveis para que o período pós-parto seja o menos desafiador possível, evitando perdas produtivas e reprodutivas.

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Autor:

Eduarda - Autora do conteúdo Controle estratégico de carrapatos

Eduarda Viana – @dicasdazootecnista

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