O Brasil possui o segundo maior rebanho de bovinos no mundo, sendo o primeiro colocado em termos de rebanho comercial. Desta forma, devemos ficar muito atentos às parasitoses, visto que, as infestações por carrapatos, moscas e verminoses são fatores fundamentais a sanidade e lucratividade do rebanho.

Para ser considerado seguro para a saúde, o leite não deve conter resíduos de drogas veterinárias, como antibióticos e antiparasitários. Em função disso, há um limite máximo permitido estabelecido pelo Codex Alimentarius, que é um programa conjunto da FAO e da OMS. O Brasil é membro do Codex desde 1970.

A presença de resíduos de antibiótico no leite é usada como critério para rejeição do leite cru que chega aos laticínios, pois ele não pode ser processado e deve ser descartado. A maioria dos laticínios já adotaram algum programa de penalização para o produtor responsável, como o pagamento de toda a carga contaminada. O prejuízo é grande para todos.

Todo antibiótico possui um período de carência que deve ser rigorosamente respeitado. Período de carência é o tempo que o leite leva após o último tratamento para apresentar resíduos menor do que o limite máximo permitido, ou seja, ainda há traços do medicamento no organismo do animal, porém em quantidades inferiores ao limite máximo.

A duração deste período varia de acordo com a dose e esquema de tratamento utilizado, via de administração, produção do animal e formulação do produto.

As principais classes de antimicrobianos utilizados são:
– beta-lactânicos (penicilinas, cefalosporinas)
– tetraciclinas (oxitetraciclina e clortetraciclinas)
– aminoglicosídeos (estreptomicina, neomicina, gentamicina)
– macrolídios (eritromicina, espiramicina, tilosina)
– sulfonamidas (sulfametazina, sulfadiazina)
– quinolonas (enrofloxacino, ciprofloxacino)

Alguns dos testes mais utilizados pelas indústrias para detecção de resíduos são: Charm Test, Snap, BetaStar, Delvotest, entre outros. A maioria deles é do tipo teste rápido, onde o resultado fica pronto em até 10 minutos.

Dentre as formas mais comuns e com alto risco de contaminação do leite por
resíduos , podemo citar:

1 – Não observar e/ou respeitar o período de carência indicado na bula do produto.
2 – Não identificar o animal tratado e não fazer as anotações do tratamento.
3 – Uso de superdosagem ou administração por vias diferentes da recomendada na
bula
4 – Descartar o leite apenas do quarto tratado.
5 – Vacas tratadas com antibiótico de vaca seca que pariram antes da data prevista.
6 – Uso de medicamentos de vaca seca em vacas que estão em lactação.
7 – Ordenha acidental das vacas que foram secas recentemente
8 – Erro ao misturar leite com e sem resíduos no tanque de expansão.

Os resíduos de antibiótico são os que mais chamam a atenção dos consumidores e das indústrias, devido aos seus efeitos negativos na saúde e na imagem do produto, mas outras drogas também podem gerar resíduos no leite, como é o caso dos carrapaticidas e vermífugos. O controle dos parasitas deve ser feito sempre de forma racional , e respeitando o período de carência do produto utilizado.

A melhor forma de se evitar a contaminação é adotar medidas preventivas e de controle. Podemos citar algumas:

1 – Reduzir o uso de medicamentos. Para isto, é necessário implantar um programa
de controle de mastite para reduzir a prevalência da doença e consequentemente o uso do antibiótico.
2 – Identificar da melhor forma possível todas as vacas que estão em tratamento
(fitas coloridas, cordinhas, spray, colar…) e ordenhá-las por último e separadamente.
3 – Respeitar o período de carência dos medicamentos.
4 – Utilizar a dose e/ou protocolo recomendados na bula.
5 – Treinar os colaboradores, inclusive os foguistas,sobre o uso correto de medicamento nos animais.
6 – Realizar a limpeza da ordenha e utensílios após a ordenha das vacas tratadas.
7 – Ter um controle (anotações) de aplicação de medicamentos de cada animal, anotando a data, nome/brinco da vaca, qual medicamento foi aplicado e qual a data de retorno para a ordenha.

Ter o registro e o controle dos animais em tratamento, associado ao correto período de carência, é fundamental para se evitar contaminação do leite do tanque e também do caminhão de coleta. O prejuízo é grande, é preciso ficar atento!

Bibliografias consultadas:

Livro Controle da Mastite e qualidade do leite – Marcos Veiga dos Santos e Luis Fernando Laranja Fonseca.

“SILAGEM E ENSILAGEM”. Acessado 7 de janeiro de 2020.

http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/divulga/GCD02.html.

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Autora:

Eduarda Pereira Viana

Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa com grande experiência em qualidade do leite, tendo atuado por mais de 9 anos junto aos produtores de variadas regiões do país.

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